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Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 17h30.
Última atualização em 1 de setembro de 2026 às 17h34.
Passar de "faça isso" para "cuide disso", essa é a virada que a Cortex, empresa brasileira de inteligência artificial e dados voltada a operações comerciais, está apresentando ao mercado nesta terça-feira, 1º de setembro, no Cortex Summit 2026, no Teatro Santander, em São Paulo. O evento reúne cerca de 1.300 executivos, a maioria em cargos de liderança, para dez horas de programação sobre inteligência artificial aplicada a vendas, marketing e expansão comercial.
A abertura ficou com Paula Bellizia, presidente da AWS para a América Latina, seguida por um bloco batizado "Momento Cortex", com os cofundadores e co-CEOs Leonardo Rangel e Daniel Pires apresentando o conceito que dá nome à tese comercial da empresa: as "Organizações Aumentadas", estruturas em que humanos e agentes de IA não apenas coexistem, mas dividem responsabilidades definidas dentro do fluxo de trabalho.
Leonardo Rangel, co-CEO da Cortex, explica a visão de "Organizações Aumentadas" e a integração nativa da IA aos produtos durante o Cortex Summit 2026. (Reprodução)
A diferença que a Cortex tenta cravar não é sutil. Até aqui, a maior parte do uso corporativo de IA generativa se resume a alguém abrir o ChatGPT para uma tarefa pontual, resumir um documento, redigir um e-mail. A empresa aposta que a próxima fase é outra: agentes com contexto e memória, integrados desde a arquitetura do produto, assumindo pedaços inteiros de um processo.
"Em uma abordagem AI-native, a IA não é um módulo separado ou uma camada adicional. Ela está entremeada em cada aspecto do produto, desde a arquitetura de dados até a lógica de negócios e a interface do usuário", diz Leonardo Rangel. A empresa afirma destinar 60% do orçamento de tecnologia e um time de 80 pessoas a essa reformulação de produto.
Daniel Pires, co-CEO da Cortex, apresenta o conceito de 'colega digital' no Cortex Summit 2026.
Pires resume a régua que separa um "agente autônomo" comum de um "colega digital", termo que a empresa cunhou para descrever o próximo estágio: "um colega digital pode monitorar informações, tomar decisões dentro de critérios definidos e agir com autonomia em parte do trabalho, sempre com papel, contexto e limites claros, e sob supervisão humana".
A Cortex cita exemplos concretos de aplicação, todos descritos pela própria companhia, sem verificação independente dos resultados. No varejo, um agente seria capaz de indicar onde abrir novas lojas, cruzando dados sociodemográficos e mapas para montar dossiês de expansão.
No comercial B2B, outro agente constrói uma "memória viva" de cada conta de cliente, decidindo quais contas priorizar e preparando relatórios para vendedores. Na indústria de bens de consumo, um terceiro mapeia oportunidades de venda no varejo brasileiro e acompanha a execução em campo.
E em comunicação, um "analista digital de reputação" monitora menções à marca em tempo real.
Com cerca de mil clientes, entre eles Danone, Grupo Boticário, Burger King, Flash e BIC, a empresa diz crescer entre 20% e 30% ao ano em receita, e aposta que a virada para uma arquitetura mais agêntica deve ampliar ainda mais o mercado que pode atender.