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Data center da Ascenty em Vinhedo: infraestrutura preparada para atender à crescente demanda por inteligência artificial e expansão do setor no Brasil (Ascenty/Divulgação)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 11h01.
A Ascenty diz já ter preparada a estrutura para uma nova onda de investimentos assim que o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), for votado no Senado.
"Estamos com a retaguarda preparada, tendo adquirido terrenos adicionais e assegurado conexões de energia para expansão imediata", afirma Marcos Siqueira, head de estratégia e diretor de receita (CRO, na sigla em inglês) da companhia, em entrevista à EXAME.
A votação, prevista para esta terça-feira, 1º, chega quase seis meses depois da medida provisória original ter perdido validade no Senado, em fevereiro, sem ser apreciada.
Segundo Siqueira, a não aprovação em março não gerou atraso nem mudança de escopo nos projetos da empresa. Como prova, cita o investimento de US$ 1,2 bilhão anunciado em maio para quatro novos data centers em Vinhedo e Sumaré — entre eles o Sumaré 3, primeiro data center do Brasil projetado especificamente para cargas de inteligência artificial (IA).
Mas o efeito da incerteza regulatória apareceu na procura por parte de clientes internacionais. "Notamos de imediato um aumento expressivo na procura de clientes globais assim que a MP foi desenhada, ainda em 2025", diz. "Grandes multinacionais exigem a segurança jurídica do ReData para fechar contratos de longo prazo no país."
Os 10 gigawatts (GW) em pedidos de conexão registrados em poucos dias após a criação da MP, segundo ele, ainda dependem de mais do que a aprovação da lei para virar obra concreta: agilidade no licenciamento, expansão da rede de transmissão de energia e "ambiente regulatório previsível".
Para Siqueira, aprovar o Redata destravaria "uma nova onda de aportes" e viabilizaria "a concretização imediata de projetos avançados de clientes".
"Se não oferecermos um ambiente tributário competitivo para a importação de tecnologias essenciais, como as GPUs de inteligência artificial, bilhões de dólares de fato migrarão para outros países", afirma.
Marcos Siqueira, head de Estratégia e CRO da Ascenty (Ascenty/Divulgação)
Sobre o principal gargalo ligado a chips, ele descarta a escassez global como problema central no Brasil. "O maior entrave no Brasil não é a falta física global de chips, mas o alto custo de importação de equipamentos de alta tecnologia e a burocracia tributária", afirma. "É esse custo alto que o Redata ajudará a corrigir."
Representantes do setor ouvidos pela EXAME afirmaram que, mesmo aprovado, o Redata resolve só parte da conta, porque cobre apenas tributos federais.
O Brasil cobra cerca de 35% de impostos sobre hardware de data center, contra 13% no Chile. O ICMS, imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços, responde por dois terços dessa carga e fica de fora do projeto — por isso o setor pressiona também o Confaz, conselho que reúne as secretarias de Fazenda dos estados, por um convênio que reduza em até 90% a base de cálculo do imposto, proposta que já enfrenta resistência de estados como São Paulo.
Siqueira defende que a revisão do ICMS pode ajudar a levar novos projetos para fora do eixo tradicional. "A revisão de tributos estaduais como o ICMS pode ajudar a viabilizar projetos fora dos grandes polos tradicionais", diz.
O texto do Redata prevê que parte da capacidade destinada à exportação de dados também seja alocada ao mercado brasileiro. Para Siqueira, isso não altera o foco comercial da empresa.
"A Ascenty já possui uma base diversificada de clientes e continua focada em atender à crescente demanda por infraestrutura digital de alta performance", afirma.
‘Os americanos têm os chips, nós temos os elétrons’: o dilema do Brasil em data centersPara os próximos 12 meses, a meta de investimento de US$ 1,2 bilhão já anunciada segue de pé, independentemente do resultado da votação. Mas Siqueira reforça o peso simbólico de uma aprovação.
"A aprovação é um importante sinal de previsibilidade regulatória e competitividade para o país", diz.