(Magnific)
Editor do Future of Money
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 16h55.
Foram meses de lateralização no mercado de criptoativos, mas as coisas voltaram a se movimentar em agosto. Com uma alta de 25% no mês, o bitcoin está agora perto das suas máximas desde maio, ao passo que outras moedas digitais se valorizaram até mais. O ether, por exemplo, disparou mais de 30%.
Agora, a dúvida que resta é se o bom desempenho vai continuar em setembro e se poderemos ver os criptoativos de volta a seus patamares do ano passado. Paulo Camargo, embaixador da OKX, diz que o evento que deve pautar este mês é a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) nos dias 15 e 16.
Caso o Fomc decida elevar os juros, como parte do mercado espera, isso pode impactar negativamente ativos de renda variável, tais quais as criptomoedas.Confira a lista das cinco criptomoedas mais recomendadas pelos analistas das corretoras Foxbit, Mercado Bitcoin e OKX.
O primeiro e maior dos ativos digitais encabeça a lista aparecendo em todas as carteiras. Apesar disso, Camargo destaca que o bitcoin foi rejeitado nos US$ 81 mil durante esse último movimento de alta, em um sinal de que ainda enfrenta resistência técnica relevante.
Já Marcelo Person, diretor de tesouraria cripto e mercados da Foxbit, diz que o destaque atual para o bitcoin é a volta do fluxo de capital para os fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) da criptomoeda à vista nas bolsas dos EUA.
Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, aponta que o bitcoin foi bastante impulsionado pelo anúncio do governo dos EUA de que dobraria as compras de títulos do Tesouro, colocando mais dinheiro nas mãos dos bancos. “Esse cenário sustenta a tese do chamado 'debasement trade', na qual ativos de oferta limitada tendem a ganhar atratividade diante da expansão monetária”, comenta.
A respeito da solana, criptomoeda que subiu 37,2% em setembro, Camargo diz que é, entre as altcoins de maior porte, a que mais reúne sinais positivos no momento. “O principal gatilho é institucional: o ETF de Solana com staking da Bitwise já ultrapassou US$ 1 bilhão em captação acumulada e registrou seu maior volume diário da história em 24 de agosto, com a Fidelity lançando produto semelhante logo em seguida.”
Fora isso, a atualização Alpenglow, que reduzirá o tempo de finalização das transações no blockchain Solana, está prevista para outubro. A Foxbit considera que a evolução desse update deve ficar no radar dos investidores.
Também no radar, o Mercado Bitcoin lembra que a Solana abriu em 22 de agosto sua primeira votação formal de governança, com propostas que podem tirar cerca de 18,9 milhões de SOL da oferta prevista para os próximos seis anos e multiplicar por até 14 vezes a queima diária de tokens.
Criptomoeda que performou bem mesmo quando todo o restante do mercado caía, a hyperliquid aparece como recomendação por conta de seu modelo de economia interna, que destina boa parte da receita que o protocolo obtém com a negociação de perpétuos para recompra e queima de tokens HYPE.
A OKX destaca que a Hyperliquid bateu recorde histórico de preço em 27 de agosto, depois de lançar negociação 24 horas por dia de ações tokenizadas de empresas como Nvidia e Apple. “Também apresentou à SEC, em conjunto com outra empresa do setor, uma proposta para criar mercados de derivativos pré-IPO nos Estados Unidos, que, se avançar, amplia ainda mais o escopo da plataforma”, conta Camargo.
Já Fontes lembra que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o presidente da Comissão de Negociação de Futuros e Commodities (CFTC), Michael Selig, trabalha para trazer a Hyperliquid aos Estados Unidos de forma regulada. Hoje, a plataforma bloqueia usuários americanos, o maior mercado de derivativos do mundo.
“Além da possibilidade regulatória, dois mecanismos de recompra ganham força em setembro. Nos últimos 30 dias, o protocolo gerou US$ 54,3 milhões em taxas, ritmo anualizado próximo de US$ 970 milhões, quase todo revertido em recompras de HYPE”, diz o especialista do MB.
Segunda maior criptomoeda do mundo em valor de mercado, o ether aparece como oportunidade tanto pelo fluxo de recursos de investidores institucionais para o ativo via ETFs quanto pela evolução tecnológica da rede Ethereum.
“O desenvolvimento da atualização Glamsterdam avança para novas etapas de testes, enquanto o ecossistema mantém protagonismo em stablecoins, DeFi [finanças descentralizadas] e tokenização de ativos”, diz Person, da Foxbit.Fontes, por sua vez, acredita que o gatilho para o ether neste mês é regulatório. Com o projeto de lei de regulamentação dos criptoativos, conhecido como Clarity Act, travado no Congresso, o analista diz que será importante acompanhar a publicação de regras próprias pelas agências reguladoras norte-americanas.
“Regras mais claras tendem a beneficiar principalmente as blockchains já consolidadas, com histórico de operação e base de desenvolvedores estabelecida, cenário que coloca a Ethereum como principal candidata a capturar o fluxo institucional.”Por fim, a moeda digital do protocolo de privacidade ZCash surge como alternativa aos investidores após a gestora Grayscale converter seu fundo em um ETF nos EUA com mais de US$ 300 milhões sob gestão logo no lançamento.
“O que chama atenção é a tese por trás do movimento: gestores vêm descrevendo demanda crescente por privacidade financeira genuína como resposta ao avanço de ferramentas de inteligência artificial capazes de rastrear transações, e fundos como a Multicoin Capital vêm montando posição no ativo desde fevereiro”, analisa Camargo.
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