DeepSeek ganhou destaque global ao criar modelos avançados de IA mais baratos que os de rivais americanos (Jung Yeon-je /AFP)
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Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 11h51.
Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 13h01.
A China deu o aval para a startup chinesa de inteligência artificial (IA) DeepSeek comprar chips H200 da americana Nvidia.
Segundo a Reuters, os Ministérios da Indústria e Tecnologia da Informação e do Comércio da China autorizaram a operação, mas sob condições regulatórias que ainda não foram finalizadas. As exigências serão elaboradas pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), órgão central de planejamento do país.
À Reuters, a Nvidia afirmou que não foi comunicada sobre a aprovação específica da DeepSeek. Em visita a Taipei nesta semana, o presidente-executivo da empresa, Jensen Huang, disse acreditar que o processo de licenciamento continua em fase final na China.
A autorização da China ocorre poucas semanas após o governo dos Estados Unidos liberar a exportação do chip H200 para o país asiático. Porém, a decisão final sobre a entrada do produto no país depende das autoridades chinesas, que pareciam hesitantes.
O H200 é o segundo chip de IA mais poderoso da Nvidia e se tornou um dos pontos de atrito nas relações entre Washington e Pequim. Apesar da forte demanda por parte de empresas chinesas, a China estava atrasando as autorizações de importação, mesmo após o aval americano.
A DeepSeek ganhou destaque global no início do ano passado ao lançar modelos de IA mais baratos que os de rivais americanos, como a OpenAI. Segundo o The Information, a startup lança em fevereiro modelo mais avançado, o V4.
Na quarta-feira, 28, a Reuters antecipou que um funcionário do governo dos EUA acusou a Nvidia de ter auxiliado a DeepSeek no aprimoramento de modelos de IA, que teriam sido posteriormente usados por militares chineses. A Nvidia não comentou a alegação.
Além da DeepSeek, ByteDance, Alibaba e Tencent receberam autorização para comprar chips H200, segundo a Reuters. Ao todo, o país permitiu a compra de 400 mil unidades. Outras empresas aguardam o aval em lotes subsequentes.
Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que as licenças são restritivas, e muitas aprovações ainda não foram convertidas em pedidos oficiais de compra. Autoridades chinesas também orientaram empresas do setor a adquirir chips estrangeiros apenas quando "extremamente necessário".
Ainda segundo a Reuters, é discutida em Pequim uma medida que prevê que cada compra de chips H200 seja acompanhada por uma proporção obrigatória de semicondutores nacionais, para estimular a indústria local.
As aprovações marcam uma mudança da postura chinesa. Há duas semanas, autoridades alfandegárias foram instruídas a barrar a entrada do H200, mesmo com a autorização por parte dos EUA. Além disso, o governo chinês teria se reunido com empresas nacionais e usado uma linguagem "praticamente proibitiva" sobre os chips.
Segundo a Reuters, empresas chinesas já encomendaram mais de dois milhões de chips H200, superando o estoque divulgado pela Nvidia, estimado em cerca de 700 mil unidades.
As aprovações recentes refletem o esforço de Pequim para atender à demanda interna por chips avançados de IA, enquanto mantém restrições para estimular a indústria nacional de semicondutores e limitar a dependência de fornecedores estrangeiros.
Procurados pela Reuters, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, o Ministério do Comércio, a NDRC e a Administração Geral das Alfândegas da China não responderam. Nvidia, ByteDance, Alibaba, Tencent e a DeepSeek também não se manifestaram.