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Chefe de espionagem da China alerta que IA pode ameaçar segurança política do país

Ministro cita deepfakes, bots, malware e “guerra cognitiva” entre seis riscos associados ao avanço da inteligência artificial

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 07h59.

Última atualização em 14 de setembro de 2026 às 14h38.

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RESUMO | Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado da China, alertou neste domingo, 13, que o uso indevido da inteligência artificial pode ameaçar a segurança política, institucional e ideológica do país. O texto destaca deepfakes, guerra cognitiva, ataques cibernéticos e controles tecnológicos, enquanto Pequim defende um desenvolvimento aberto e ético da IA.


Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado da China — equivalente a um chefe de espionagem no país —, publicou no domingo, 13, que o uso indevido da inteligência artificial (IA) por adversários pode "ameaçar diretamente a segurança política, institucional e ideológica da China".

Em texto publicado na revista oficial China Cyberspace, Chen identificou seis grandes riscos que a IA representaria para o país. No topo da lista está o que se chama de "guerra de opinião pública" e "guerra cognitiva" promovida por "forças hostis".

Segundo ele, deepfakes, textos e imagens gerados por IA e bots em redes sociais poderiam fabricar rumores políticos e incitar divisões sociais. Ele também citou a capacidade crescente da IA de descobrir falhas em sistemas e criar malware.

Chen ainda alertou que países com vantagem em IA poderiam invocar segurança nacional para impor controles tecnológicos e "monopolizar" padrões da indústria — ecoando declaração anterior do presidente Xi Jinping contra o uso excessivo desse tipo de justificativa.

O artigo chega justamente quando líderes de tecnologia americanos pedem publicamente um ritmo mais medido de desenvolvimento — ainda que não haja sinal de coordenação entre as duas publicações.

Por que não dá para simplesmente 'desligar a IA da tomada'

O texto de Chen não menciona, em nenhum momento, os pedidos feitos por Anthropic e OpenAI para desacelerar a corrida por modelos de ponta.

No sábado, 12, Dario Amodei, cofundador da Anthropic, publicou um ensaio argumentando que capacidades de IA avançam mais rápido do que as salvaguardas de segurança.

Pequim rejeita "alarmismo"

Em coletiva nesta segunda-feira, 14, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, criticou o tom cada vez mais grave dos alertas americanos. "O desenvolvimento da inteligência artificial afeta o bem-estar comum de toda a humanidade", disse, defendendo um desenvolvimento "aberto, inclusivo, universalmente benéfico e ético".

A rejeição de Pequim ao alarmismo americano já havia aparecido de forma ainda mais direta um dia antes, em editorial do Global Times, jornal estatal chinês.

Segundo o veículo, o ensaio de Amodei pode até parecer uma declaração racional voltada a riscos de segurança, mas é, na verdade, um "manual de Guerra Fria" mirando a China. O Global Times classificou a verdadeira agenda do texto como uma tentativa de "conter o desenvolvimento de IA da China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, sustentando o domínio de Washington" sobre a tecnologia.

A crítica ganha peso adicional porque o próprio Amodei defendeu, no mesmo ensaio, que os Estados Unidos reforcem controles de exportação de chips para a China e reprimam o que chama de destilação ilegal de seus modelos por parte de laboratórios chineses — pontos que, segundo o jornal, expõem o caráter geopolítico da proposta, para além da preocupação declarada com segurança.

O tema deve entrar na pauta da cúpula entre Trump e Xi Jinping, marcada para 24 de setembro.


Quem é Chen Yixin?

Chen Yixin é o ministro da Segurança do Estado da China, cargo equivalente ao de chefe de espionagem do país. Neste domingo, 13, ele publicou na revista oficial China Cyberspace um alerta detalhado sobre os riscos da inteligência artificial.

Quais riscos da inteligência artificial foram apontados por Chen Yixin?

Chen Yixin afirmou que deepfakes, conteúdos gerados por IA e bots poderiam fabricar rumores políticos, estimular divisões sociais e promover uma “guerra cognitiva”. O ministro também citou o uso da IA para descobrir falhas em sistemas e criar malware.

Por que a inteligência artificial poderia ameaçar a segurança da China?

Segundo Chen Yixin, adversários poderiam usar a IA para ameaçar diretamente a segurança política, institucional e ideológica da China. Ele também alertou que países tecnologicamente mais avançados poderiam impor controles e monopolizar padrões da indústria sob a justificativa de segurança nacional.

O alerta chinês está relacionado aos pedidos americanos para desacelerar a IA?

Não há sinal de coordenação entre as publicações, segundo a Bloomberg. O artigo de Chen Yixin não menciona os pedidos da Anthropic e da OpenAI para desacelerar o desenvolvimento de modelos avançados.

Qual é a posição do governo chinês sobre o desenvolvimento da IA?

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, defendeu nesta segunda-feira, 14, um desenvolvimento da IA “aberto, inclusivo, universalmente benéfico e ético”. Guo Jiakun também criticou o tom cada vez mais grave dos alertas americanos.

Como Estados Unidos e China diferem na discussão sobre os riscos da IA?

Executivos ocidentais discutem riscos catastróficos relacionados ao alinhamento da IA, enquanto o aparato de segurança chinês prioriza segurança do Estado, soberania de dados e controle da informação. O tema deve entrar na pauta da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping marcada para 24 de setembro.

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