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Estudo de Stanford revela como a inteligência artificial afeta empregos de nível inicial (Adobe Stock)
Jornalista
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 13h46.
Em agosto de 2026, a Ars Technica publicou um levantamento que mostra uma análise sobre um estudo atualizado de pesquisadores de Stanford que encontrou uma diferença crescente no mercado de trabalho entre profissionais jovens e experientes em ocupações expostas à inteligência artificial.
A pesquisa, conduzida por Erik Brynjolfsson, Bharat Chandar e Ruyu Chen, utiliza dados de folha de pagamento da ADP com milhões de trabalhadores dos Estados Unidos. A versão mais recente acompanha os dados até junho de 2026.
O estudo aponta que trabalhadores de 22 a 25 anos empregados em ocupações altamente expostas à inteligência artificial estão cerca de 19% abaixo do nível de emprego que seria esperado caso tivessem acompanhado a evolução de trabalhadores da mesma idade em ocupações menos expostas.
O indicador não significa que 19% desses profissionais tenham perdido o emprego por causa da IA. Os pesquisadores ressaltam que os dados mostram uma associação, e não permitem determinar causalidade. Outros fatores econômicos também podem influenciar o resultado.
A diferença, porém, aumentou. Em julho de 2025, o mesmo indicador apontava uma defasagem de 15%. No levantamento atualizado, chegou a 19%.
O efeito também não aparece da mesma forma entre trabalhadores mais experientes. Segundo os pesquisadores, não há uma diferença comparável para esse grupo.
Uma das principais conclusões do estudo é que o ajuste parece ocorrer principalmente por meio de menor contratação de jovens, e não por uma onda de demissões.
Isso ajuda a explicar por que o fenômeno pode ser especialmente relevante para quem está entrando no mercado. Funções de início de carreira tradicionalmente oferecem oportunidades para adquirir experiência e desenvolver habilidades antes de assumir atividades mais complexas.
Entre os exemplos de ocupações analisadas estão desenvolvimento de software, atendimento ao cliente e funções administrativas, áreas nas quais determinadas tarefas podem ser automatizadas ou realizadas com auxílio de sistemas de IA.
O levantamento também identifica uma diferença entre trabalhos nos quais a IA tende a automatizar tarefas e aqueles em que a tecnologia funciona principalmente como apoio ao profissional.
Nas ocupações mais relacionadas à automação, a queda entre trabalhadores jovens é mais evidente. Já em atividades nas quais a IA complementa o trabalho humano, os dados mostram resultados mais positivos, principalmente entre profissionais experientes.
Os pesquisadores também analisaram o papel do conhecimento. Trabalhadores mais jovens foram mais afetados em ocupações baseadas em conhecimento codificado, ou seja, informações formais que podem ser documentadas, ensinadas e reproduzidas.
Em contrapartida, profissionais experientes tiveram desempenho melhor em funções que dependem de conhecimento tácito, adquirido por prática, experiência, mentoria e exposição a situações reais.
O resultado não indica que a inteligência artificial esteja provocando uma substituição generalizada de trabalhadores. No conjunto da economia, os pesquisadores não encontraram evidências de uma perda ampla de empregos causada pela tecnologia.
O principal sinal está na diferença entre grupos. Enquanto profissionais experientes permanecem relativamente estáveis em ocupações expostas à IA, trabalhadores mais jovens enfrentam maior dificuldade de inserção justamente em algumas dessas áreas.
O Stanford Digital Economy Lab acompanha esses dados mensalmente por meio de indicadores baseados em registros da ADP. A evolução do mercado deverá mostrar se essa diferença entre profissionais em início de carreira e trabalhadores experientes continuará crescendo ou se será revertida nos próximos períodos.