Inteligência Artificial

Após China proibir compra da Manus, Meta se prepara para desfazer acordo

Aquisição bilionária da Meta por tecnologia de inteligência artificial é proibida por órgão regulador da China; contrato deve ser desfeito no prazo determinado por Pequim

Manus: empresa de IA tem compra pela Meta barrada pela China e acordo deve ser desfeito (Getty Images)

Manus: empresa de IA tem compra pela Meta barrada pela China e acordo deve ser desfeito (Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 28 de abril de 2026 às 11h45.

Meta acatou o pedido da China e começa a se preparar para desfazer a aquisição da Manus, startup de inteligência artificial adquirida por US$ 2 bilhões para acelerar o desenvolvimento interno do setor de IA. Conforme o The Wall Street Journal, o grupo dono do Facebook, investidores da companhia de Singapura já começaram a receber os retornos; ex-investidores da Manus confirmaram que colaborarão com a Meta durante o processo de encerramento do acordo.

Caso o processo vá como o planejado, as duas empresas devem seguir o prazo estabelecido por Pequim para o fim completo da relação comercial. undada na China e posteriormente transferida para Singapura, a empresa tem tecnologia avaliada pelo governo do país asiático como de responsabilidade chinesa. Isso implica que o fim do acordo também visa, portanto, a restauração de todos os ativos chineses da Manus.

A capital chinesa estuda aplicar multas às empresas caso o encerramento do contrato não possa ser realizado, informou o WSJ. No momento, a expectativa é que o desenrolar do processo de fim do acordo dure algumas semanas.

Por que a China barrou a compra da Manus pela Meta

A decisão foi assinada pela National Development and Reform Comission (NDRC), que investiga desde janeiro o investimento do grupo do Facebook na Manus. O órgão de planejamento econômico do país classificou que a compra viola as regras locais de investimento estrangeiro e exigiu que as empresas desfaçam o acordo. Para atender ao pedido, a Meta precisaria vender a Manus e retirar as ferramentas já implementadas em produtos da companhia.

Uma fonte envolvida na investigação e ouvida pelo Financial Times acredita que a ideia de desfazer por completo o contrato não é tão simples no estágio em que o processo se encontra. Para ela, "trata-se mais de advertências verbais sobre acordos semelhantes e da construção de pressão antes da cúpula Xi-Trump". O resultado da investigação veio à tona um mês antes de uma reunião de cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping. Os dois líderes devem se encontrar para tentar aliviar os embates comerciais ampliados pela nova era da tecnologia.

Na semana passada, a NDRC já havia imposto que empresas de tecnologia do país só poderiam aceitar investimentos dos Estados Unidos se explicitamente permitidas por órgãos chineses. Conforme a Bloomberg, diversas agências do país já comunicaram às companhias privadas que a decisão primária é rejeitar aportes vindos de qualquer empresa americana que não estejam aprovados.

Além da Manus, a lista de empresas afetadas também inclui Moonshot AI,  que avalia abrir capital em bolsa com valuation estimado em até US$ 18 bilhões; a StepFun, startup de modelos de linguagem que cogita oferta de US$ 500 milhões; e a ByteDance, que vê ainda mais dificuldade em cooperar com empresas americanas após anos de pressão para a permanência do TikTok nos EUA.

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