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Amazon processa Perplexity por IA que faz compras em nome de usuários

Startup é acusada de fraude computacional por permitir que agente automatizado no navegador Comet acesse contas e finalize pedidos sem identificação na plataforma da varejista

Enquanto processa a startup, a Amazon está desenvolvendo seus próprios agentes de IA, alguns capazes de realizar compras (400tmax/Getty Images)

Enquanto processa a startup, a Amazon está desenvolvendo seus próprios agentes de IA, alguns capazes de realizar compras (400tmax/Getty Images)

Publicado em 5 de novembro de 2025 às 09h13.

A Amazon entrou com uma ação judicial nesta terça‑feira, 4, contra a startup Perplexity AI, exigindo que ela deixe de permitir que seu navegador com inteligência artificial, o Comet, realize compras online na plataforma da varejista em nome dos usuários.

Segundo a petição apresenta ao tribunal federal de San Francisco, o Comet viola os termos de uso da plataforma ao agir em nome de usuários sem se identificar como agente automatizado. A startup é acusada de fraude computacional por permitir que a IA simule o comportamento de um comprador humano, comprometendo, ainda, a experiência de compras no site e introduzindo vulnerabilidades de privacidade.

De acordo com a Bloomberg, a ação vem após a Amazon enviar um aviso formal exigindo a interrupção da atividade (uma carta de “cease‑and‑desist”) na sexta‑feira, 31. Essa disputa judiciail pode ajudar a estabelecer precedentes sobre até onde agentes de IA podem ir quando estão realizando tarefas para os usuários.

Na ação, a Amazon alega que o agente de IA do Comet logava nas contas de usuários na plataforma, entrava no carrinho e finalizava compra, embora se apresentasse como humano usando o navegador Google Chrome.

A Perplexity contesta. Em nota, a startup qualifica a ação da Amazon como “bullying” e, numa postagem em blog, argumenta que os usuários devem poder escolher o assistente que preferem para fazer compras na plataforma. Além disso, defende que agentes de IA possam ser encarregados de realizar as tarefas pelos humanos.

Portanto, a disputa, que vai além da simples compra online, coloca em xeque o controle que as plataformas exercem sobre quem ou como se interage com seus serviços, mas também envolve discussões sobre os riscos que agentes autônomos representam à segurança, à privacidade e à personalização da experiência de consumo.

Tudo isso em um contexto em que o uso de agentes de IA limita a lucratividade de negócios relacionados à publicidade – como é também o caso da Amazon, que possibilita que vendedores impulsionem seus produtos de acordo com as buscas dos usuários.

Enquanto processa a startup, a Amazon está desenvolvendo seus próprios agentes de IA, alguns capazes de realizar compras. Além do navegador da Perplexity, o Google está aprofundando a integração do Gemini ao Chrome, inclusive para automatizar compras, e a OpenAI, criadora do ChatGPT, recentemente lançou o Atlas, um navegador próprio baseado em IA.

Relações entre as empresas

Atualmente avaliada em US$ 20 bilhões, a Perplexity vem sendo alvo de processos judiciais nos últimos meses. A startup já foi acionada por sites japoneses, pela BBC e outras empresas de mídia ocidentais devido à violação de direitos autorais.

Apesar da disputa legal, a Perplexity é cliente da AWS, a divisão de nuvem da Amazon, e tem entre seus investidores Jeff Bezos, fundador da varejista.

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