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Daniella Mello, CMO da Endeavor (Endeavor)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 10h01.
Um levantamento da Endeavor mostra que 78% dos empreendedores ouvidos sentem pressão alta ou máxima para acompanhar a inteligência artificial. A cobrança mais citada vem dos próprios fundadores. O novo capítulo da série “Inteligência Artificial nas Scale-Ups” discute como delegar tarefas à tecnologia, avaliar respostas e preservar tempo para estratégia e gestão de pessoas.
A pressão para acompanhar a inteligência artificial (IA) é alta ou máxima para 78% dos empreendedores ouvidos em um levantamento da Endeavor. A principal fonte dessa cobrança está dentro da própria liderança: 90% citam o próprio fundador, à frente do conselho, mencionado por 29%, dos investidores, por 22%, e do time, por 20%.
Os dados integram um novo capítulo da série Inteligência Artificial nas Scale-Ups, realizada pela Endeavor com apoio da Salesforce e da Onfly. O material reúne respostas de 133 empreendedores de 125 empresas, conversas com 20 empreendedores e lideranças e a análise de mais de 200 mentorias dos últimos 12 meses.
O foco está na distribuição do tempo: quais atividades podem ser delegadas à tecnologia e quais continuam a exigir atenção dos fundadores. Os resultados descrevem os participantes do levantamento, sem representar o conjunto dos empreendedores brasileiros.
A discussão dá continuidade à pesquisa sobre adoção de IA em scale-ups, empresas que já passaram pela validação inicial do negócio e estão em uma etapa de crescimento acelerado.
Entre os respondentes que usam ferramentas de IA por seis horas ou mais ao dia, 71% relatam pressão máxima para acompanhar a tecnologia. Entre aqueles que usam até duas horas, o percentual é de 29%.
A comparação mostra uma associação entre intensidade de uso e pressão percebida. Não permite concluir que passar mais horas com IA seja a causa dessa cobrança.
Um dos relatos reunidos pela Endeavor descreve como os ganhos de eficiência podem ser absorvidos pela expansão das atividades. “Como cada frente ficou mais barata de manter aberta, o número de frentes subiu. O tempo economizado foi reinvestido em volume”, afirma Fernando Steler, empreendedor da Delend, no material.
Nesse cenário, o levantamento reúne práticas para que a redução do esforço operacional também abra espaço para análise, escolha de prioridades e acompanhamento das equipes.
A IA já participa da preparação das decisões: 59% dos empreendedores afirmam recorrer à tecnologia quase sempre antes de decidir, segundo a pesquisa.
A orientação apresentada no material é distinguir tarefas operacionais de atividades intelectuais mais complexas, considerando também o impacto de um erro e a possibilidade de revertê-lo.
“Quanto maior a consequência e menor a reversibilidade, maior precisa ser a participação do CEO”, afirma Alexandre Hadade, empreendedor da Birdie.
A Endeavor desenvolveu uma matriz de uso e risco para apoiar essa distribuição. “O framework baliza onde o empreendedor delega esforços operacionais e como colocar mais do seu tempo em frentes de impacto”, diz Daniella Mello, diretora de marketing da Endeavor Brasil.
Uma das recomendações é usar projetos e agentes de IA para recuperar o histórico da empresa e organizar informações antes de análises e reuniões. O material chama essa estrutura de “segundo cérebro”.
Igor Senra, empreendedor da Cora, relata que recebe um resumo dos encontros e dos assuntos do dia com cada pessoa do time. O sistema ajuda a retomar conversas anteriores e a preparar os próximos encontros.
“É como se eu tivesse um chefe que nunca se esquece de nada. Está tudo documentado, com histórico das conversas. Minhas reuniões agora são muito mais profundas, mas elas ocupam quase o mesmo tempo de antes”, afirma.
O relato aponta um ganho na preparação e no conteúdo das reuniões, sem uma redução equivalente na duração dos encontros.
Ao comparar a confiança nas fontes de apoio à tomada de decisão, 46% dos empreendedores dizem confiar mais no time, 35% adotam uma posição neutra e 20% confiam mais na IA, conforme os percentuais apresentados pela Endeavor.
Em contratações, feedbacks e decisões sobre cultura, o material recomenda usar a tecnologia para organizar informações, recuperar fatos e preparar perguntas. A condução das conversas e as decisões permanecem com a liderança.
Rodrigo Cava, empreendedor da Estoca, relata que a empresa revisou o uso de IA na análise de currículos depois de identificar a rejeição de candidatos qualificados.
“Há decisões nas quais a capacidade de avaliar a resposta e assumir as consequências importa tanto quanto a eficiência do processo”, afirma.
As práticas reunidas também incluem mudanças na agenda. Fabiane Pellegrino, empreendedora da Makasi, relata que intervalos de cinco a dez minutos entre reuniões melhoram a qualidade de sua rotina.
“É aquele momento em que você se estica e também elabora”, diz.
Para Daniella Mello, acompanhar a transformação exige selecionar onde concentrar a atenção. “Sentir que tudo está mudando não significa que tudo precise mudar ao mesmo tempo: liderar vai depender cada vez mais de proteger o espaço para pensar e ter as pessoas e ferramentas certas para ampliar seu raciocínio”, afirma.
Entre os participantes do levantamento da Endeavor, 78% relatam pressão alta ou máxima.
O próprio fundador é a fonte mais citada, por 90% dos respondentes. Conselho, investidores e time aparecem em seguida.
O material combina respostas de 133 empreendedores de 125 empresas, conversas com 20 empreendedores e lideranças e a análise de mais de 200 mentorias dos últimos 12 meses.
É organizar projetos e agentes que recuperem o histórico da empresa e ajudem a preparar análises e reuniões, conforme a proposta apresentada pela Endeavor.
O levantamento identifica maior pressão entre os participantes que usam as ferramentas por mais tempo, mas não demonstra uma relação de causa e efeito.