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Vorcaro e Zettel são transferidos para penitenciária no interior de São Paulo

Os dois haviam sido presos na quarta-feira, 4, na capital paulista, em meio à Operação Compliance Zero

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 5 de março de 2026 às 16h09.

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O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel, foram transferidos na manhã desta quinta-feira, 5, para a Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo.

Os dois haviam sido presos na quarta-feira, 4, na capital paulista. Após os procedimentos iniciais na Polícia Federal, eles foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.

Com a chegada ao presídio de Potim, passaram a cumprir o chamado regime de observação, procedimento padrão em transferências desse tipo, no qual permanecem em cela de isolamento por cerca de dez dias antes de serem direcionados para uma ala comum.

Operação Compliance Zero

As prisões ocorreram durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão contra Vorcaro, Zettel e outros dois investigados. As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira decisão após assumir a relatoria do inquérito que apura supostas fraudes contra o sistema financeiro atribuídas ao Banco Master.

Ainda na tarde de quarta-feira, Mendonça autorizou a transferência de Vorcaro da sede da Polícia Federal, localizada na Lapa, em São Paulo, para o sistema prisional do estado.

Na mesma operação, a PF também cumpriu dois mandados de prisão em Belo Horizonte. Um dos detidos foi Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, apontado como líder de um grupo responsável por coletar informações sobre pessoas consideradas adversárias do Banco Master. Ele morreu na prisão após tirar a própria vida no período da tarde.

Outro preso foi Marilson Roseno da Silva, de 56 anos, policial federal aposentado. Segundo as investigações, ele teria utilizado sua experiência e contatos na corporação para monitorar “indivíduos considerados adversários do grupo”.

A Penitenciária de Potim também abriga outros presos conhecidos, entre eles o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 173 anos de prisão por estupro de pacientes, e Fernando Sastre, responsável pela morte de um motorista de aplicativo no bairro do Tatuapé, em São Paulo, em 2024.

Quem foi preso na operação da PF?

  • Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa;
  • Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação;
  • Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado suspeito de participação no monitoramento de adversários;
  • Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como integrante do grupo denominado “A Turma”.

A operação também incluiu mandados de busca e apreensão em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais.

Entenda a prisão preventiva de Vorcaro

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira durante nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes.

A prisão foi decretada após indícios de que a atuação criminosa do grupo não teria cessado mesmo após medidas anteriores. Para o juiz responsável, havia risco concreto à integridade de autoridades envolvidas na apuração.

A Polícia Federal afirma que o grupo tentava influenciar a opinião pública contra agentes do Estado e que a estrutura de intimidação permanecia ativa.

Segundo a acusação citada no processo, o controlador do Banco Master lideraria uma estrutura dividida em quatro frentes: financeira, corrupção institucional, ocultação patrimonial e um núcleo voltado à intimidação e interferência em apurações.

A investigação aponta que o Banco Master teria adotado uma estratégia de captação de recursos por meio da emissão de CDBs com rentabilidade muito acima da média do mercado.

O dinheiro captado seria direcionado a operações de alto risco, ativos de baixa liquidez e fundos ligados ao próprio conglomerado.

De acordo com a Polícia Federal, o modelo expunha investidores e poderia configurar gestão fraudulenta e indução ao erro. A apuração também aponta que parte da estrutura financeira teria sido usada para ocultar recursos e viabilizar pagamentos indevidos.

*Com informações da agência O Globo e Agência Brasil.

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