Redação Exame
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 13h34.
A Otan e a União Europeia devem intensificar investimentos e cooperação em segurança no Ártico, em meio às tensões recentes envolvendo a Groenlândia e à mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O tema ganhou força nesta sexta-feira, 23, após reunião em Bruxelas entre o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.
“Concordamos que a Otan deve aumentar seu compromisso no Ártico. Defesa e segurança no Ártico são uma questão de preocupação para toda a aliança”, afirmou Frederiksen em comunicado divulgado após o encontro, antes de viajar a Nuuk, capital da Groenlândia.
As declarações ocorrem depois de semanas de atrito diplomático. As ameaças de Trump de tomar a Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca, tensionaram as relações entre Europa e Washington. Na quarta-feira, no entanto, o presidente dos EUA recuou e disse ter alcançado um “marco” sobre a ilha estratégica.
A Dinamarca já havia prometido ampliar sua presença militar na Groenlândia, citando preocupações levantadas por Trump sobre o suposto interesse da China e da Rússia na região. Segundo a emissora pública dinamarquesa DR, tropas destacadas para o território receberam ordens para estarem prontas para combate em caso de um ataque dos Estados Unidos.
Em Nuuk, Frederiksen deve se reunir com o primeiro-ministro da Groenlândia. Paralelamente, o chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que as discussões entre Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos começarão “muito em breve”.
“Não anunciaremos as datas, pois precisamos acalmar os ânimos agora”, disse a repórteres em Copenhague. Segundo ele, as conversas com Washington terão como foco “segurança, segurança e mais segurança”.
Estados Unidos e Dinamarca são membros da Otan. De acordo com uma fonte próxima às negociações entre Trump e Rutte, os dois países devem renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Groenlândia. O entendimento poderia permitir a ampliação da presença militar americana no território, incluindo sistemas de defesa antimíssil.
O acordo de 1951, atualizado em 2004, já concede ampla margem para reforço da mobilização militar dos EUA, desde que as autoridades dinamarquesas e groenlandesas sejam informadas previamente.
No âmbito europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reconheceu que o bloco investiu menos do que deveria na região. “Coletivamente, investimos de maneira insuficiente no Ártico e na segurança ártica. Por isso, chegou o momento de intensificar os esforços”, afirmou ao fim da cúpula realizada em Bruxelas desde quinta-feira.
Segundo Von der Leyen, a União Europeia já lançou iniciativas em áreas como energia limpa, matérias-primas críticas e conectividade digital. Para o próximo orçamento plurianual, a Comissão propôs dobrar o apoio financeiro à Groenlândia.
“Estamos trabalhando no fortalecimento da relação da UE com a Groenlândia e, como parte disso, a Comissão apresentará proximamente um pacote substancial de investimentos”, disse. Além disso, a UE pretende aprofundar a cooperação em segurança no Ártico com os Estados Unidos e outros parceiros.
A presidente da Comissão citou ainda a possibilidade de aumento dos gastos em defesa para desenvolver capacidades adaptadas ao Ártico e reforçar acordos de segurança com países da região, como Reino Unido, Canadá, Noruega e Islândia.
*Com informações da AFP e EFE