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EUA e Dinamarca renegociarão acordo de defesa sobre Groenlândia, diz agência

As negociações não mencionaram qualquer discussão sobre o estabelecimento de bases americanas na Groenlândia, território dinamarquês

Groenlândia: exército da Dinamarca deslocou unidades para a região como parte de uma operação militar (Uriel Sinai / Getty Images)

Groenlândia: exército da Dinamarca deslocou unidades para a região como parte de uma operação militar (Uriel Sinai / Getty Images)

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 07h59.

Os Estados Unidos e a Dinamarca irão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Groenlândia.

A informação foi confirmada à AFP nesta quinta-feira, 22, por uma fonte próxima às negociações realizadas no dia anterior em Davos entre Donald Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

"A segurança no Ártico será reforçada, e os países europeus da Otan contribuirão para isso", disse a fonte, acrescentando que as negociações não mencionaram qualquer discussão sobre o estabelecimento de bases americanas na Groenlândia, território dinamarquês.

Dinamarca envia exército para Groenlândia

O Exército da Dinamarca deslocou unidades de elite para a Groenlândia na quarta-feira, 21, como parte de uma operação militar que envolve também outros países europeus. A movimentação foi anunciada pelas Forças Armadas dinamarquesas e busca ampliar a presença no Ártico, região de interesse estratégico crescente.

A Groenlândia, território autônomo dinamarquês, tem sido alvo de interesse internacional, inclusive dos Estados Unidos durante o governo Donald Trump, que chegou a propor a compra da ilha. A operação atual é parte do exercício Arctic Endurance, iniciado na semana passada e que reúne forças militares de diferentes países europeus.

A fragata "Peter Willemoes", da Dinamarca, passou a integrar o exercício nesta quarta-feira, enquanto no Atlântico Norte, a embarcação francesa "Bretagne" realiza manobras conjuntas com o navio dinamarquês "Thetis", como foi informado pelo Comando Ártico.

O governo da Groenlândia publicou nesta quarta-feira um guia de orientações à população para cenários de crise, tratado como medida preventiva. O ministro da Autossuficiência, Peter Borg, definiu o documento como uma “apólice de seguro”, destacando que o ideal é que não precise ser utilizado.

Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump declarou que não pretendia usar força militar para tomar controle da Groenlândia, mas reiterou o desejo de negociar a aquisição da ilha de forma imediata.

Trump disse que chegou a acordo com a Otan

Trump declarou na quarta-feira, 21 de janeiro, que conversou com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e "estabeleceram a estrutura de um futuro acordo em relação à Groenlândia". O andamento das negociações foi divulgado pelo presidente americano em sua rede social, Truth Social.

"Após uma reunião muito produtiva com o Secretário-Geral da Otan, Mark Rutte, definimos a estrutura de um futuro acordo referente à Groenlândia e, na verdade, a toda a região do Ártico. Essa solução, se concretizada, será excelente para os Estados Unidos da América e para todos os países da Otan", explicou Trump no texto.

O republicano também disse que, como resultado dessa negociação, não vai impor mais tarifas punitivas a diversos países europeus, que entrariam em vigor em 1º de fevereiro. O presidente também afirmou que há conversas sobre o chamado “Domo de Ouro” em relação à Groenlândia, mas não deu mais informações sobre o projeto.

"Com base nesse entendimento, não imporei as tarifas que entrariam em vigor em 1º de fevereiro. Discussões adicionais estão sendo realizadas sobre o “Domo de Ouro”, no que diz respeito à Groenlândia. Mais informações serão disponibilizadas conforme o andamento das discussões", acrescentou.

Após essa decisão, o vice-presidente JD Vance, o Secretário de Estado, Marco Rubio, e o Enviado Especial Steve Witkoff serão os responsáveis pelos próximos passos dessa negociação. Segundo Trump, todos os representantes do governo se reportarão diretamente a ele.

“O vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e outros, conforme necessário, serão responsáveis pelas negociações — e se reportarão diretamente a mim”, reforçou.

O presidente Donald Trump afirmou que o acordo está alinhado aos interesses dos Estados Unidos e dos países que integram a Otan. Ele não especificou os termos, mas sinalizou que os diálogos tratam de aspectos estratégicos relacionados à segurança e à atuação no Ártico.

*Com informações da AFP

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