Mundo

Rússia exige retirada da Ucrânia do Donbass antes de negociações

Moscou mantém condição territorial antes de encontro trilateral com EUA em Abu Dhabi

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 12h13.

A Rússia reiterou nesta sexta-feira, 23, a exigência de retirada das tropas ucranianas do leste da Ucrânia como condição para avançar na solução do conflito, às vésperas das negociações trilaterais em Abu Dhabi entre representantes russos, ucranianos e americanos.

“As Forças Armadas da Ucrânia devem deixar o Donbass; elas devem se retirar. Esta é uma condição muito importante”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Segundo ele, “sem uma solução para a questão territorial (...) não faz sentido esperar pela conclusão de um acordo de longo prazo”.

A demanda russa envolve a retirada completa das forças ucranianas do Donbass, região industrial e de mineração no leste do país, que inclui Donetsk e Luhansk e é amplamente controlada por Moscou. Donetsk, parcialmente ocupada pela Rússia, segue como o epicentro dos combates iniciados após a invasão russa em fevereiro de 2022, que já deixou dezenas de milhares de mortos.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, reconheceu nesta sexta-feira, 23, que a questão territorial permanece como o principal ponto não resolvido do conflito e afirmou que o tema será discutido nas negociações marcadas para sexta e sábado em Abu Dhabi. “A questão do Donbass é fundamental”, disse.

Histórico da negociação

O encontro em Abu Dhabi ocorre um dia após duas reuniões de alto nível, uma em Davos, entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outra em Moscou, entre o presidente russo, Vladimir Putin, e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.

A reunião dá sequência a uma série de encontros preparatórios baseados na chamada “fórmula de Anchorage”, um plano de paz de 28 pontos discutido anteriormente por Trump e Putin no Alasca.

Não há confirmação se as delegações russa e ucraniana negociarão pessoalmente. O último contato direto entre os dois lados ocorreu em julho de 2025, em Istambul, e resultou apenas em um acordo para a troca de prisioneiros e dos corpos de soldados mortos, sem avanços substantivos desde então.

Quem estará na negociação nos Emirados Árabes?

A delegação russa em Abu Dhabi será chefiada pelo general Igor Kostiukov, chefe do serviço de inteligência militar (GRU), segundo o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov. A Ucrânia será representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov; pelo chefe do gabinete presidencial, Kyrylo Budanov; seu vice, Sergi Kislitsya; pelo líder do partido presidencial, David Arakhamia; e pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andrii Hnatov.

Ushakov afirmou que o encontro entre Putin e Witkoff em Moscou “foi útil em todos os aspectos” e disse que Moscou está “sinceramente interessada em uma solução para o conflito por meios políticos e diplomáticos”. Ainda assim, acrescentou que, “até que isso aconteça, a Rússia continuará alcançando seus objetivos (...) no campo de batalha”.

Paralelamente às discussões políticas, Witkoff também se reúne nesta sexta-feira, em Abu Dhabi, com o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev, para tratar de temas econômicos.

Em Davos, Zelensky criticou na quinta-feira seus aliados europeus, descrevendo uma Europa “fragmentada” e “perdida”, sem capacidade de influenciar as posições de Trump e sem “vontade política” para confrontar Putin. No mesmo evento, o líder ucraniano afirmou ter tido uma breve reunião com o presidente americano, que classificou como “positiva”, embora “complexa”. Segundo Zelensky, houve acordo sobre garantias de segurança que os Estados Unidos devem oferecer à Ucrânia para dissuadir novos ataques russos após um eventual fim do conflito.

*Com informações da AFP e EFE

Acompanhe tudo sobre:RússiaUcrâniaEstados Unidos (EUA)

Mais de Mundo

Avalanche na Itália mata ao menos três pessoas e deixa Alpes em alerta

Irã sinaliza retomada de negociações nucleares com os EUA, mas mantém linhas vermelhas

Dinamarca diz que tensão com EUA sobre a Groenlândia diminuiu, mas 'crise' persiste

Netanyahu se reunirá com Trump na 4ª feira em Washington