Redação Exame
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 09h10.
Última atualização em 23 de janeiro de 2026 às 09h12.
Em 1832, o mundo ainda não conhecia a lâmpada elétrica, a fotografia nem o telefone. Mas foi nesse ano que nasceu Jonathan, uma tartaruga-gigante das Seychelles reconhecida pelo Guinness World Records como o animal terrestre mais velho do planeta.
Com 194 anos, Jonathan vive na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, desde 1882, quando foi levado como presente ao então governador local. Desde então, sobreviveu a duas guerras mundiais, à Revolução Industrial, à chegada da energia elétrica e à era digital. Assistiu ao reinado de oito monarcas britânicos, a 15 papas, e se tornou símbolo da ilha — onde hoje vive sob cuidados especiais na Plantation House, residência oficial dos governadores.
A espécie de Jonathan costuma viver cerca de 150 anos, mas ele já ultrapassou essa marca em mais de quatro décadas.
Com a idade, perdeu a visão e o olfato, o que dificultou sua alimentação. Desde 2009, o veterinário Joe Hollins acompanha sua saúde com uma dieta rica em calorias e vitaminas, composta por frutas e legumes como maçã, banana, cenoura e pepino, oferecidos manualmente.
Animal mais velho do mundo: a espécie de Jonathan é originária das Seychelles e bastante rara (Saint Helena’s Info/British Veterinary Association/Divulgação)
Apesar das limitações, Jonathan mantém boa audição e circula livremente pelos jardins da residência, onde recebe visitas semanais de turistas, atraídos por sua história.
Jonathan nasceu antes da invenção do telefone (1876), da lâmpada elétrica (1878) e da primeira fotografia (1826). Estava vivo quando a Rainha Vitória assumiu o trono, presenciou a primeira missão tripulada à Lua, viveu o período da Guerra Fria e a ascensão de diversas tecnologias.
Em sua longa vida, viu passar:
O reinado de 8 monarcas britânicos
15 papas, de Gregório XVI a Leão XIV
A queda do Império Britânico
A invenção da lâmpada, do rádio, da TV, da internet e do smartphone
A 1ª e 2ª Guerra Mundial
A chegada do homem à Lua
A visita a Jonathan é uma das principais atrações de Santa Helena. As excursões ocorrem às terças-feiras, às 10h30, com ingressos a partir de £15 por pessoa. Turistas observam Jonathan durante sua alimentação matinal, quando está mais ativo. Pacotes completos com estadia de 11 noites na ilha custam a partir de £2.310, sem incluir voos internacionais.
A longevidade das tartarugas resulta de fatores biológicos, genéticos e evolutivos. Um dos principais motivos é o metabolismo extremamente lento, que retarda o envelhecimento celular e reduz o desgaste dos órgãos ao longo do tempo.
Além disso, essas espécies possuem telômeros mais estáveis, estruturas que protegem o DNA das células e retardam os efeitos naturais do envelhecimento. Isso contribui para menor incidência de doenças degenerativas.
A carapaça rígida atua como uma defesa natural contra predadores, garantindo maior segurança ao longo da vida. Outro fator relevante é a maturidade sexual tardia: como se reproduzem mais lentamente, seu ciclo de vida se estende para garantir a sobrevivência da espécie.

Jonathan, aos 194 anos, é o reflexo dessas características. Criado em ambiente protegido, com alimentação balanceada e sem ameaças naturais, ele superou com folga a média de 150 anos da sua espécie e segue como testemunha viva de quase dois séculos de história.
A natureza abriga espécies com longevidades ainda mais extremas. Algumas vivem séculos, outras milênios:
Esponja-do-mar: até 11.000 anos
Quahog-do-oceano: 507 anos
Tubarão-da-Groenlândia: até 500 anos
Baleia-da-Groenlândia: mais de 200 anos
Lamellibrachia (verme marinho): até 250 anos
Ouriço-do-mar-vermelho: até 200 anos
Tartaruga-de-Galápagos: até 175 anos
Geoduck (molusco): até 165 anos
Tartaruga-de-Seicheles: mais de 150 anos
Esturjão-de-lago: até 150 anos
Tuatara (réptil da Nova Zelândia): entre 130 e 140 anos