Repórter
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 16h32.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou nesta terça-feira, 20 de janeiro, que a população da ilha deve iniciar preparativos diante da possibilidade de uma invasão militar ao território.
Durante coletiva de imprensa, Nielsen informou que as autoridades locais já trabalham com medidas de contingência. A preocupação se concentra em uma eventual ação militar conduzida pelos Estados Unidos, segundo o chefe do governo groenlandês.
“O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo", disse Nielsen.
Nielsen destacou que o governo já preparou uma força-tarefa com autoridades locais, responsável por orientar a população sobre como se preparar para uma eventual invasão. Entre as recomendações previstas estão medidas como manter estoques de alimentos em casa. O premiê também mencionou que estão sendo elaborados panfletos com instruções específicas para situações de incursão militar, informou a agência Bloomberg.
"Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade", reforçou. "Mas precisamos enfatizar que a Groenlândia faz parte da aliança ocidental, a Otan, e, se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior".
Donald Trump tem reiterado desde o início de seu segundo mandato, há um ano, a intenção de incorporar a Groenlândia ao território norte-americano.
Segundo o republicano, a ilha é considerada "vital" para a implementação do chamado "Domo de Ouro", projeto de escudo antimísseis que ele defende como essencial à segurança nacional.
"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para a conquistarmos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu o presidente americano em uma publicação recente no Truth Social.
Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico. Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país.