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Novas ameaças, IA e textos vazados: Trump promete não desistir da Groenlândia

Ambição do republicano ameaça a Otan e vira tópico de discursos por líderes participantes no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça

Trump: o Republicano ameaçou impor diversas tarifas sobre o bloco europeu (	Joe Raedle/Getty Images)

Trump: o Republicano ameaçou impor diversas tarifas sobre o bloco europeu ( Joe Raedle/Getty Images)

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 13h38.

Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 14h54.

O presidente americano Donald Trump, cuja ambição de anexar a Groenlândia aos EUA causa tensão em laços diplomáticos e importantes alianças, anunciou nessa terça-feira, 20, na plataforma Truth Social que não voltaria atrás em seus planos para a ilha.

Na postagem, o republicano abre dizendo que concordou em participar de uma reunião com todos os envolvidos durante a cúpula do Fórum Econômico Mundial, que acontece essa semana em Davos, na Suíça.

Sobre a Groenlândia, elabora:

“Como já deixei bem claro para todos, a Groenlândia é imprescindível para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás — e nisso todos concordam! Os Estados Unidos da América são, de longe, o país mais poderoso do planeta. Grande parte disso se deve à reconstrução de nossas Forças Armadas durante meu primeiro mandato, reconstrução essa que continua em ritmo ainda mais acelerado. Somos a única POTÊNCIA capaz de garantir a PAZ no mundo todo — e isso se faz, simplesmente, através da FORÇA!

Além disso, acompanhou as novas alusões ao uso da força para tomar a Groenlândia com imagens suas geradas por IA na ilha: uma delas mostra o presidente com dois membros próximos de seu gabinete fincando uma bandeira americana na ilha, com uma placa que diz “Groenlândia: território dos EUA - estabelecido em 2026.”

Outra imagem retrata o presidente, acompanhado de diversos líderes europeus, mostrando a eles um mapa onde toda a América do Norte, incluindo o Canadá e a Groenlândia, e a Venezuela ao sul, são territórios americanos, pintados com a bandeira dos EUA.

Em outras postagens, Trump revelou fotos de suas conversas privadas com o presidente francês Emmanuel Macron, que atraiu a atenção do republicano por se recusar a se juntar ao seu novo “Conselho de Paz”.

Nas fotos, Macron convida Trump para uma cúpula da G7 depois dos encontros em Davos, com convidados da Rússia, Ucrânia, Dinamarca e Síria. Também diz “não estou entendendo o que você está fazendo na Groenlândia”.  A legenda que acompanha o post diz apenas “uma nota do presidente Emmanual Macron, da França.” O republicano recentemente ameaçou impor tarifas de 200% sobre o vinho francês.

Sanções comerciais: espada e escudo

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante discuro no Fórum Econômico Mundial, em Davos

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante discuro no Fórum Econômico Mundial, em Davos ( Fabrice Coffrini/Getty Images)

Por enquanto, métodos comerciais são as principais ferramentas de ataque e defesa tanto da Europa quanto dos EUA.

Do lado americano, Trump ameaçou impor diversas tarifas sobre o bloco europeu. Além do vinho francês, o republicano também anunciou, no último final de semana, a imposição de tarifas de 10% sobre produtos de 8 países europeus, que aumentarão para 25% em junho, caso o bloco não aceite suas propostas de compra da Groenlândia, em uma medida que os países europeus chegaram a chamar de “chantagem”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, abordou as tarifas em seu discurso para o Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira. “A segurança no Ártico só pode ser alcançada em conjunto, e é por isso que as tarifas adicionais propostas são um erro, especialmente entre aliados de longa data”, disse.

Von der Leyen reiterou em seu discurso um acordo comercial assinado em julho do ano passado entre a administração Trump e a União Europeia, que substituía por tarifas de 15% as altas cifras impostas pelo republicano sobre o bloco, um acordo que, apesar de estar ratificado, agora parece distante.

“A UE e os EUA chegaram a um acordo comercial em julho passado. E na política, como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa”, afirmou.

Von der Leyen concluiu afirmando que considera o povo dos Estados Unidos não apenas nossos aliados, mas nossos amigos. "E mergulhar-nos em uma espiral descendente perigosa só beneficiaria os próprios adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora do cenário estratégico. Portanto, nossa resposta será firme, unida e proporcional”, disse.

A Europa, que até agora enviou apenas forças simbólicas para a Groenlândia, cogita em Davos retaliar Trump também com medidas comerciais. Um dos planos propostos foi um pacote de 93 bilhões de euros, ou 107,7 bilhões de dólares, a ser imposto sobre produtos americanos.

Instrumentos anti-coerção

Mas o bloco europeu cogita mais uma ferramenta que vai além de simples medidas contra tarifárias – os chamados “instrumentos anti-coerção” ou ACI, na sigla em inglês. Uma característica do tratado por trás da União Europeia, o ACI consiste em uma lista até então nunca utilizada de 10 possíveis medidas retaliatórias sobre bens e serviços de países que ameacem os interesses econômicos do bloco.

Caso o bloco decida acionar a medida, proposta em 2021 e em vigor desde 2023, em resposta à percepção do bloco de que a primeira administração de Trump, juntamente com a China, teria usado comércio como uma ferramenta política, a Comissão Europeia tem até 4 meses para identificar possíveis casos de coerção. A Comissão então apresenta seus achados para membros da EU, que têm de 8 a 10 semanas para confirmá-los.

Depois disso, o bloco iniciaria negociações comerciais e diplomáticas com o ofensor para tentar trazer um fim à coerção. Se as negociações falharem, a UE pode implementar as medidas, novamente sujeito à votos por membros do bloco. Entrariam em vigor em cerca de três meses desse ponto.

Dentre os pontos do ACI, apurados pela Reuters, estão:

  • Restrições às importações ou exportações de bens, como por meio de cotas ou licenças;
  • Restrições a licitações públicas no bloco, que movimentam cerca de 2 trilhões de euros (US$ 2,3 trilhões) por ano. Nesse ponto, a UE tem duas opções: Licitações, como para construção ou aquisição de defesa, podem ser excluídas se bens ou serviços dos EUA representarem mais de 50% do contrato potencial. Alternativamente, um ajuste de pontuação de penalidade pode ser aplicado às licitações dos EUA;
  • Medidas que impactam serviços nos quais os EUA têm superávit comercial com a UE, incluindo provedores de serviços digitais como Amazon, Microsoft, Netflix ou Uber;
  • Restrições ao investimento estrangeiro direto dos Estados Unidos, que é o maior investidor mundial na EU;
  • Restrições à proteção dos direitos de propriedade intelectual, ao acesso aos mercados de serviços financeiros e à capacidade de vender produtos químicos ou alimentos na UE.
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