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Trump ameaça aplicar tarifas aos países contrários ao plano dos EUA de anexação da Groenlândia

Republicano tem defendido o domínio da ilha como uma prioridade estratégica diante do avanço geopolítico da China e da Rússia no Ártico

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 13h43.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 14h10.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira, 16 de janeiro, que pode impor tarifas a países que se opuserem ao interesse norte-americano de anexar a Groenlândia. No entanto, ele  não detalhou de quanto seria essas tarifas ou como seriam cobradas.

“Posso impor uma tarifa aos países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional. Então, posso fazer isso”, declarou Trump em coletiva de imprensa na Casa Branca.

Recentemente, o presidente Trump fez diversas declarações sobre a possibilidade de os EUA assumirem controle da ilha, um território autônomo que pertence à Dinamarca. O republicano tem defendido o domínio da Groenlândia como uma prioridade estratégica diante do avanço geopolítico da China e da Rússia no Ártico.

Segundo informações anteriores, a Casa Branca avalia diferentes medidas para viabilizar essa aquisição, incluindo ações militares. Também foi cogitada uma proposta formal de compra do território, embora tanto o governo dinamarquês quanto autoridades groenlandesas tenham rejeitado publicamente essa hipótese.

A sugestão de Trump de aplicar tarifas como mecanismo de pressão sobre países contrários à negociação segue uma estratégia que ele já adotou em temas como a política de preços de medicamentos.

Durante o mesmo pronunciamento, Trump relatou ter exigido que líderes estrangeiros elevassem os preços dos remédios vendidos fora dos Estados Unidos como parte de um acordo de "nação mais favorecida", sob ameaça de tarifas sobre todas as importações desses países.

"Posso fazer isso com a Groenlândia também. Posso impor tarifas a países se eles não concordarem com a Groenlândia", disse.

Uma delegação composta por representantes da Groenlândia e da Dinamarca, que se reuniu com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, em Washington na quinta-feira, 23, manifestou "discordância fundamental" com a posição norte-americana.

O interesse dos EUA na Groenlândia

Donald Trump tem reiterado desde o início de seu segundo mandato, há um ano, a intenção de incorporar a Groenlândia ao território norte-americano.

Segundo o republicano, a ilha é considerada "vital" para a implementação do chamado "Domo de Ouro", projeto de escudo antimísseis que ele defende como essencial à segurança nacional.

"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para a conquistarmos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu o presidente americano em uma publicação recente no Truth Social.

Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico. Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país.

Reação da Europa

Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia nesta quinta-feira, 15.

De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.

A Casa Branca reagiu e a porta-voz do governo norte-americano, Karoline Leavitt, afirmou que o envio das tropas europeias para a região não faz diferença para Trump.

“Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, afirmou Karoline.

Nesta semana, Trump subestimou as capacidades defensivas da Groenlândia, afirmando que os EUA obterão a ilha "de um jeito ou de outro".

"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump na ocasião.

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