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Premiê da Alemanha diz que não pode aceitar o plano do Conselho de Paz de Trump

Em uma declaração nesta sexta-feira, Friedrich Merz afirmou que o formato atual do plano dos EUA representa obstáculos constitucionais para a Alemanha

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 15h21.

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O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou nesta sexta-feira, 23 de janeiro, que está aberto a participar da iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltada para a paz em Gaza. No entanto, destacou que o formato atual do plano apresenta obstáculos constitucionais para a Alemanha.

“Na forma em que o conselho de paz está atualmente estruturado, não podemos aceitar suas estruturas de governança na Alemanha por razões constitucionais”, disse Merz durante entrevista coletiva em Roma, ao lado da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

No entanto, o chanceler indicou disposição para buscar alternativas de colaboração. “Estamos preparados para explorar outras formas – novas formas – de cooperação com os Estados Unidos, se o objetivo for encontrar novos formatos que nos aproximem da paz em diferentes regiões do mundo”, afirmou.

Merz também sugeriu que tais iniciativas não se limitem ao Oriente Médio. Segundo ele, novos modelos de cooperação poderiam ser aplicados a outros contextos de conflito, como a guerra na Ucrânia.

O que é o Conselho de Paz de Trump?

Trump propôs a criação de um novo Conselho de Paz em setembro de 2025, como parte de seu plano para encerrar a guerra em Gaza. Desde então, o escopo da proposta foi ampliado para incluir mediações em outros conflitos globais, conforme sinalizou o ex-presidente dos Estados Unidos.

A estrutura da iniciativa aparece detalhada em uma minuta da carta constitutiva acessada pela agência Reuters. Segundo o documento, a função central do conselho seria promover soluções pacíficas em zonas de guerra e atuar diplomaticamente em disputas internacionais.

O órgão, ainda em fase de concepção, teria como princípio a rotatividade: cada país-membro manteria mandato de três anos, salvo exceções de nações que contribuírem com US$ 1 bilhão, o que garantiria permanência estendida.

A proposta também gerou reações após Trump indicar que o grupo “poderia” substituir a Organização das Nações Unidas, a ONU, elevando preocupações entre analistas internacionais quanto à sobreposição de funções e legitimidade diplomática.

O plano apresentado por Trump se insere em um contexto de críticas históricas à atuação da ONU em crises prolongadas, como as guerras no Oriente Médio e no leste europeu. A sugestão de uma nova entidade global levanta questionamentos sobre sua eficácia, composição política e critérios de adesão.

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