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UE quer manter congeladas represálias de 93 bilhões de euros aos EUA por 6 meses

O acordo, suspenso pelo Parlamento Europeu na quarta-feira, previa a eliminação de tarifas sobre bens industriais

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 16h14.

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A Comissão Europeia pretende estender por mais seis meses a suspensão das represálias tarifárias contra os Estados Unidos, avaliadas em 93 bilhões de euros, após a retirada de uma ameaça comercial por parte do presidente americano, Donald Trump.

A medida está relacionada à decisão americana de não penalizar oito países europeus que enviaram tropas à Groenlândia. Segundo Olof Gill, porta-voz de Comércio da Comissão Europeia, a proposta será formalizada antes de 7 de fevereiro, data prevista para o fim da suspensão atual.

"A Comissão vai fazer uma proposta para prorrogar nossas contramedidas, que expirarão em 7 de fevereiro. Entendo que será o mesmo período que a suspensão prévia, que são seis meses", disse Gill.

O bloco europeu avalia que o cenário diplomático permite focar na implementação do pacto comercial com os Estados Unidos. O acordo, suspenso pelo Parlamento Europeu na quarta-feira, previa a eliminação de tarifas sobre bens industriais. Gill reforçou que a União Europeia mantém a possibilidade de reativar contramedidas tarifárias caso sejam consideradas necessárias.

"Com a retirada da ameaça tarifária por parte dos Estados Unidos, podemos voltar à importante tarefa de implementar o comunicado conjunto entre a UE e os EUA", acrescentou Gill.

A cúpula extraordinária dos líderes europeus, realizada na quinta-feira, consolidou apoio à aplicação do acordo. Durante a reunião, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reafirmou o compromisso com o pacto, afirmando que “um acordo é um acordo” e que ele continua sendo o roteiro para garantir previsibilidade nas relações transatlânticas.

"A presidente (da Comissão, Ursula) Von der Leyen foi muito clara quando disse que 'um acordo é um acordo' (...) e continua sendo nosso roteiro para criar as condições de estabilidade e previsibilidade necessárias para o comércio transatlântico", apontou o porta-voz.

UE opta por diplomacia com os EUA

A Comissão Europeia também sinalizou que, por enquanto, não irá ativar o mecanismo anticoação conhecido como “bazuca comercial”, instrumento criado para responder a pressões externas com medidas de retaliação.

Gill destacou que a União Europeia alcançou seus objetivos por meio político e diplomático, evitando uma escalada comercial que, segundo ele, “só beneficiaria adversários estratégicos”.

"Esta semana mostrou que a UE está preparada para agir quando for necessário. Alcançamos nossos objetivos por meios diplomáticos e políticos, que sempre serão nossa prioridade, em vez de seguir para uma espiral de medidas e contramedidas que só ajudarão os adversários que queremos deixar à margem do cenário geopolítico", disse Gill.

Na próxima segunda-feira, os eurodeputados da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu se reunirão para decidir se mantêm a suspensão do acordo comercial. O presidente da comissão, Bernd Lange, solicitou acesso aos detalhes do pré-acordo anunciado por Trump sobre a Groenlândia antes de deliberar sobre o tema.

(Com informações da EFE)

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