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Golpes avançam e roubos recuam: como mudou o perfil do crime no Brasil

Brasil teve 258 golpes por hora em 2025, com crescimento de 429,8% desde 2018

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 23 de julho de 2026 às 17h17.

O mapa da criminalidade brasileira passa por uma mudança que vai além da queda das mortes violentas. Enquanto indicadores tradicionais de roubo recuaram em 2025, os estelionatos alcançaram 2.261.055 registros, consolidando-se como o principal crime patrimonial registrado no país.

Foram 258 golpes por hora, com crescimento acumulado de 429,8% desde 2018. Os dados são do Anuário de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, pelo Fórum de Segurança Pública.

O avanço das fraudes contrasta com a redução generalizada dos roubos. Os registros caíram 20,6% para veículos, 23,4% contra transeuntes, 18,3% em estabelecimentos comerciais, 35,5% contra instituições financeiras, 19,9% em residências e 19,8% no transporte de cargas.

Os números apontam para uma transformação no perfil dos crimes contra o patrimônio: perdem espaço modalidades associadas à subtração mediante violência ou ameaça, enquanto as fraudes ampliam sua participação nas estatísticas.

Só em 2025, o Brasil registrou mais de 2,26 milhões de boletins de ocorrência por estelionato, ante 63.771 processos penais e 4.819 presos pelo crime.

A diferença entre esses números é destacada pelo próprio anuário ao apresentar o estelionato sob a expressão “o crime que compensa”. Entre 2024 e 2025, os registros cresceram 2,7%.

Celular permanece no centro dos crimes patrimoniais

A mudança no perfil da criminalidade não significa o desaparecimento da subtração de bens físicos. Em 2025, 830.890 celulares foram roubados ou furtados no país, média de 95 aparelhos por hora.

Os roubos de celular caíram em 26 unidades da Federação e recuaram 18,6%, para 308.723 ocorrências. Já os furtos cresceram 0,9%, para 483.561 registros.

Com 483.561 ocorrências, os furtos responderam pela maior parcela dos celulares subtraídos em 2025.

O Rio de Janeiro foi uma exceção à tendência de queda dos roubos de celular, com alta de 19,4%.

São Luís apresentou a maior taxa combinada de roubos e furtos de aparelhos, com 1.517 ocorrências por 100 mil habitantes. Belém aparece em segundo lugar, com 1.487, seguida por São Paulo, com 1.290,5.

A capital paulista chama atenção pelo peso no total nacional: embora concentre 5,6% da população brasileira, responde por 20% de todos os roubos e furtos de celular registrados no país.

Receptação cresce mesmo com queda dos roubos

Outro movimento aparece nos registros de receptação, crime relacionado à aquisição, recebimento, transporte ou ocultação de produto de origem criminosa.

Foram 72.789 ocorrências em 2025, alta de 3,3%.

O avanço ocorre em um cenário de redução dos roubos e ajuda a mostrar que os crimes patrimoniais seguem trajetórias distintas: enquanto modalidades com violência recuam, permanecem elevados os registros de furtos, receptação e fraudes.

Fora dos crimes patrimoniais, o anuário também mostra mudanças em outras categorias. Os registros de tráfico de drogas cresceram 18,5%, para 207.058 ocorrências, enquanto os casos de posse e uso caíram 18,3%, para 107.986.

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