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EUA pede novo acordo nuclear com Rússia e China após fim do START III

Rússia condiciona diálogo à inclusão de França e Reino Unido, e China rejeita negociações

Controle nuclear: fim do START III deixa EUA e Rússia sem limites legais para ogivas estratégicas (Yuri KADOBNOV/AFP)

Controle nuclear: fim do START III deixa EUA e Rússia sem limites legais para ogivas estratégicas (Yuri KADOBNOV/AFP)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 09h39.

Os Estados Unidos pediram nesta sexta-feira, 6, a abertura de negociações trilaterais com Rússia e China para estabelecer novos limites ao uso de armas nucleares, após a expiração, na noite de quinta-feira, do START III, último tratado de controle de arsenais estratégicos entre Washington e Moscou.

O pedido foi feito durante reunião da Conferência sobre Desarmamento da ONU, em Genebra. Segundo o governo americano, o fim do tratado cria a necessidade de uma nova arquitetura de controle de armas, adaptada ao cenário atual de segurança internacional.

“As repetidas violações por parte da Rússia, o aumento dos arsenais em todo o mundo e as falhas na concepção e implementação do Novo START conferem aos Estados Unidos um claro imperativo para pedir uma nova arquitetura que aborde as ameaças de hoje, e não as de uma era passada”, afirmou Thomas DiNanno, subsecretário de Estado para Controle de Armas.

O representante americano também criticou Pequim. “Enquanto estamos aqui hoje, o arsenal nuclear da China não tem limites, transparência, declarações ou controles”, disse.

Rússia impõe condições; China rejeita negociações

Moscou não descartou participar de novas tratativas, mas condicionou sua presença à inclusão de França e Reino Unido, países que também possuem armas nucleares e são aliados dos EUA na Otan. O embaixador russo na ONU em Genebra, Gennady Gatilov, afirmou que não houve até o momento um convite formal de Washington para negociações “sem condições prévias”.

“Necessitamos de uma base para normalizar as relações entre Estados Unidos e Rússia e resolver contradições fundamentais no âmbito da segurança”, declarou o diplomata, ao defender um diálogo mais amplo que vá além de EUA, Rússia e China.

A Rússia voltou a afirmar que suspendeu sua participação no START III, em 2023, por considerar que os Estados Unidos violaram repetidamente o tratado. Ainda assim, Gatilov disse que Moscou pretende agir de forma “responsável e equilibrada”, mesmo sem obrigações legais após o fim do acordo.

A China, por sua vez, descartou qualquer participação imediata. O embaixador adjunto chinês na ONU em Genebra, Jian Shen, afirmou que o país não se envolverá em negociações de desarmamento nuclear neste momento.

“As capacidades nucleares da China não estão de forma alguma no nível dos Estados Unidos ou da Rússia. Portanto, a China não participará de negociações de desarmamento nuclear neste momento”, disse.

Segundo Shen, os países com os maiores arsenais nucleares devem assumir a liderança e promover reduções “significativas, verificáveis e juridicamente vinculantes”. O diplomata também classificou como “falsa” a narrativa americana de que Pequim estaria ampliando seu arsenal de forma opaca.

Fim do START III amplia incertezas globais

A China lamentou oficialmente o fim do START III, que considerou “vital” para a estabilidade nuclear global, e pediu que Estados Unidos e Rússia retomem o diálogo estratégico. Pequim apoiou a proposta russa para que ambos continuem respeitando voluntariamente os limites centrais do tratado.

O presidente Donald Trump já havia defendido publicamente que Washington e Moscou negociem um novo acordo “modernizado”, em vez de simplesmente estender o tratado expirado. Com o fim do START III, não há mais limites legais em vigor para o número de ogivas nucleares estratégicas das duas maiores potências do mundo.

Especialistas avaliam que a ausência de um tratado aumenta o risco de uma nova corrida armamentista, em um contexto de tensões geopolíticas crescentes e de expansão dos programas militares de grandes potências.

*Com informações da AFP e EFE

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