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Escala nuclear dos EUA e China por Taiwan? Este instituto acredita ser possível

Novo estudo do think tank International Institute for Strategic Studies, sediado em Londres, alerta que a hipótese é plausível em caso de conflito armado entre as duas principais potências do mundo

China e EUA: conflito entre países, possivelmente sobre Taiwan, pode resultar em escalada nuclear (Ralph Lee Hopkins/Getty Images)

China e EUA: conflito entre países, possivelmente sobre Taiwan, pode resultar em escalada nuclear (Ralph Lee Hopkins/Getty Images)

Publicado em 29 de maio de 2026 às 06h01.

Um possível conflito entre os EUA e a China sobre Taiwan arrisca a escalada nuclear como um dos cenários mais plausíveis, diz um relatório do think tank International Institute for Strategic Studies (IISS), sediado em Londres. Segundo o instituto, ambos os lados estariam à beira de uma nova corrida armamentista com a região da Ásia e do Pacífico como seu cerne.

Representantes do IISS discutirão suas percepções durante a cúpula anual de segurança na Ásia, a Shangri-La Dialogue, em Singapura, que ocorrerá de hoje, 29, a domingo, 31, e reunirá uma mistura eclética de ministros, generais, chefes de inteligência, diplomatas, analistas e, inclusive, fabricantes de armas, representando um total de 44 países.

Em relatório publicado nessa quinta-feira, 28, o IISS diz: "Os estados regionais e aqueles com interesses estratégicos estão expandindo seus arsenais nucleares, enquanto os estados não detentores de armas nucleares buscam capacidades de ataque convencional de longo alcance: ambos representando um desafio para a estabilidade estratégica", afirmou a avaliação do instituto.

Segundo a Reuters, as autoridades americanas não comentaram imediatamente o assunto, enquanto a China disse, por meio do porta-voz do Ministério da Defesa do país, que o relatório parecia "bem inconsistente" com a situação atual na China, acrescentando que a questão de Taiwan é unicamente doméstica e que o país não tolerará qualquer interferência em sua agenda.

Outro porta-voz, desta vez do Ministério do Interior, disse em uma conferência de imprensa que os EUA deveriam manobrar a questão de Taiwan com "o maior cuidado". Espera-se que a questão de Taiwan, juntamente com o conflito no Irã, se torne uma das principais a serem discutidas na cúpula.

Participação da China é incerta, e isso manda uma mensagem

Na imagem, navio de guerra Chinês patrulhando o estreito de Taiwan (Handout / TAIWAN DEFENCE MINISTRY/AFP)

O evento ocorre após uma cúpula entre o presidente chinês Xi Jinping e seu homólogo americano, Donald Trump, em Pequim, no início deste mês, que gerou certa preocupação em Taipei quanto ao compromisso dos EUA de ajudar  Taiwan a se defender.

Em suma, visando uma resolução no Irã e a reabertura de Ormuz o quanto antes, há o temor de que Trump possa fazer concessões sobre Taiwan em troca da ajuda chinesa nas mesas de negociação com Teerã, já que Pequim é o maior comprador de petróleo iraniano, o que ajuda o país a custear sua defesa.

Com isso, a incerteza quanto à presença de Pequim na cúpula Shangri-La permanece como uma incógnita importante, especialmente à medida que a China aumenta sua presença militar ao redor da ilha, mantendo Taiwan em alto alerta.

Na última edição, em 2025, a China não enviou representantes, o que deixou o palco aberto ao discurso americano. Após o evento, a China acusou o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, de "vilificar" o país. A ausência chinesa também suscita outro medo: um de desrespeito pelo direito internacional e pelas regras de conflito, uma dinâmica que já preocupa o mundo após a invasão russa da Ucrânia e os ataques israelenses-americanos em Teerã, no começo do ano, bem como a captura de Maduro da Venezuela.

"Atualmente, há poucas evidências públicas que sugerem que ambos os exércitos compreendem as salvaguardas necessárias para prevenir, ou as regras de engajamento que restringiriam, que ambos os lados potencialmente ataquem os principais centros de comando, controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento um do outro", afirma o relatório do IISS.

"A perspectiva de uma escalada nuclear continuará, portanto, a ser uma grande preocupação em um conflito importante entre os EUA e a China."

Uma nova Guerra Fria?

Com dificuldades na diplomacia nuclear entre os EUA e a China, a geopolítica atual remete às dinâmicas da Guerra Fria. Na foto, mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear DF-41 da China durante um desfile militar (AFP)

Daniel Salisbury, pesquisador sênior do IISS, observou que não houve discussões específicas sobre armas nucleares na última cúpula entre Trump e Xi e que a relação entre as duas superpotências era "bastante difícil" no setor nuclear.

Ele disse, em uma coletiva de imprensa, que, durante a Guerra Fria, os EUA mantiveram um longo histórico de conversas com a União Soviética sobre controle de armas e medidas de redução de riscos. No entanto, ele afirmou que qualquer conversa com a China seria mais complicada, dado que grande parte do arsenal nuclear chinês está oculta.

"Essa cultura de discussão simplesmente não existe no momento, então há muito menos a construir nesse relacionamento", disse ele.

Embora os arsenais nucleares dos EUA e da Rússia ainda sejam muito maiores que os da China, autoridades americanas e analistas de controle de armas dizem que a China está expandindo e aprimorando suas capacidades nucleares mais rapidamente do que qualquer outra potência nuclear.

Um relatório do Pentágono, divulgado em dezembro, afirmou que a China estava a caminho de alcançar 1.000 ogivas nucleares em operação até 2030. A Federação de Cientistas Americanos estima que a Rússia e os EUA, por sua vez, tenham 4.400 e 3.700 ogivas nucleares ativas, respectivamente, enquanto a China possui 620.
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