Armas nucleares: relatório do Sipri aponta aumento do número de ogivas posicionadas para uso em meio à escalada das tensões globais. (Imagem gerada por IA )
Repórter
Publicado em 8 de junho de 2026 às 07h43.
O risco nuclear global está aumentando apesar da redução gradual do número total de ogivas no mundo.
O alerta foi feito pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), que afirmou nesta segunda-feira, 8, que as potências nucleares estão retirando armas dos depósitos e posicionando-as em sistemas de lançamento.
Segundo o relatório anual do instituto, os nove países que possuem armas nucleares somam atualmente 12.187 ogivas. Deste total, 9.745 estão armazenadas para possível uso militar.
Embora o número total de armas tenha caído ligeiramente em relação ao ano anterior, o Sipri avalia que a tendência pode se inverter nos próximos anos. O motivo é a desaceleração no desmantelamento de ogivas antigas e a aceleração dos programas de modernização e expansão dos arsenais.
"A notícia mais preocupante é que, embora tenhamos menos armas nucleares, os riscos nucleares estão aumentando", afirmou Karim Haggag, diretor do Sipri.
De acordo com o instituto, uma das mudanças mais preocupantes é o aumento do número de ogivas efetivamente posicionadas para uso.
Segundo Haggag, países que possuem armamento nuclear estão transferindo parte das armas antes armazenadas para sistemas capazes de lançá-las rapidamente, ampliando o potencial de resposta militar em caso de crise.
O cenário ocorre em meio ao enfraquecimento de acordos de controle de armas e à intensificação da disputa geopolítica entre as principais potências globais.
Estados Unidos e Rússia continuam concentrando a maior parte do arsenal mundial. Juntos, os dois países possuem quase 83% de todas as ogivas nucleares existentes, com mais de 5 mil armas cada.
Apesar disso, ambos enfrentam dificuldades para modernizar seus arsenais. O Sipri aponta atrasos e aumento de custos nos programas americanos, enquanto a Rússia lida com problemas em testes de mísseis e impactos econômicos ligados à guerra na Ucrânia.
O relatório destaca que a China é atualmente o país que mais amplia seu arsenal nuclear.
Segundo estimativas do Sipri, o país possui cerca de 620 ogivas e pode alcançar um número de mísseis balísticos intercontinentais semelhante ao dos Estados Unidos ou da Rússia até 2030.
Mesmo que alcance mil ogivas na próxima década, porém, Pequim ainda ficaria distante dos arsenais das duas maiores potências nucleares.
Para o instituto, o aumento das rivalidades geopolíticas tem servido como incentivo para a expansão do programa nuclear chinês.
Na Europa, os arsenais da França e do Reino Unido permaneceram estáveis em 290 e 225 ogivas, respectivamente. Ainda assim, o Sipri vê perspectiva de crescimento, especialmente após revisões estratégicas adotadas pelos dois países nos últimos anos.
Na Ásia, a Índia ampliou seu arsenal para cerca de 190 ogivas, enquanto o Paquistão manteve aproximadamente 170. O instituto observa, porém, que Islamabad continua produzindo material físsil, o que pode permitir uma expansão futura.
A Coreia do Norte também segue aumentando suas capacidades nucleares. O Sipri estima que o país possua quase 60 ogivas e continue perseguindo a meta declarada de ampliar seu arsenal de forma acelerada.
Já Israel, que não confirma oficialmente possuir armas nucleares, é apontado pelo relatório como outro país que estaria modernizando seu arsenal, estimado em cerca de 90 ogivas.
*Com AFP