Marciano Testa, do Agibank: gaúcho de Vereanópolis é o novo bilionário brasileiro (Itamar Aguiar/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 10h18.
O Brasil tem um novo integrante no clube dos bilionários. Trata-se do gaúcho Marciano Testa, fundador do Agibank.
O banco abriu capital na New York Stock Exchange (NYSE) na quarta-feira, 11.
A oferta movimentou 240 milhões de dólares, com a venda de 20 milhões de ações a 12 dólares cada, no piso da faixa revisada. A operação avaliou a companhia em cerca de 1,9 bilhão de dólares. Com 63% do capital, Testa passou a deter uma participação estimada em 1,1 bilhão de dólares.
Criado em 1999, o Agibank é um banco híbrido que combina crédito consignado, aplicativo digital e mais de 1.000 pontos físicos de atendimento espalhados pelo país, chamados de smart hubs.
O foco está principalmente em aposentados e pensionistas do INSS, Instituto Nacional do Seguro Social, além de trabalhadores formais que contratam consignado privado.
No ano passado, com a ampliação do crédito consignado privado, o banco deu um novo salto. Na semana em que começaram as liberações, o aplicativo do Agibank chegou a ser o mais baixado do país. Em sete dias, foram mais de 10 milhões de simulações de empréstimo na plataforma.
O plano agora é atingir 100 bilhões de reais em carteira de crédito até 2030, mantendo crescimento acelerado e ampliando as fontes de funding, inclusive com captação internacional.
A trajetória começa no interior do Rio Grande do Sul. Mais especificamente num vilarejo de colonização italiana da cidade de Vereanópolis.
Filho de uma família humilde, Marciano Testa começou vendendo crédito porta a porta ainda jovem. No fim dos anos 1990, fundou a Agiplan, inicialmente como promotora de vendas de crédito pessoal.
Nos primeiros anos, montou uma rede de vendedores conhecidos como “pastinhas”.
Com a regulamentação do crédito consignado em 2004, a empresa cresceu rapidamente e se tornou uma das principais distribuidoras do produto no país, conectando clientes a diferentes bancos.
No início dos anos 2000, Testa colocou o negócio online e criou uma plataforma que conectava clientes e instituições financeiras — um modelo que antecipava o conceito de marketplace financeiro.
Em 2013, a empresa pediu autorização ao Banco Central para operar como banco. Em 2016, adquiriu o Banco Gerador, de Recife, movimento que marcou a transição de distribuidora para instituição financeira com licença própria.
Em 2018, adotou o nome Agibank e reforçou a estratégia digital, mantendo ao mesmo tempo presença física para atender um público com menor familiaridade tecnológica.
A governança também evoluiu. Em 2022, Glauber Correa assumiu como CEO, enquanto Testa passou a presidir o conselho de administração, permanecendo como acionista controlador.
O Agibank soma 6,4 milhões de clientes ativos e opera com mais de 1.000 smart hubs em todo o Brasil. O modelo combina aplicativo próprio com atendimento presencial para originação de crédito, abertura de conta e relacionamento.
A carteira é fortemente concentrada em crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS, modalidade considerada de menor risco por ter desconto direto em benefício ou salário.
Para financiar a expansão, o banco tem ampliado suas fontes de recursos. Em 2022, realizou duas captações em debêntures securitizadas que somaram 2,5 bilhões de reais, lastreadas em recebíveis de crédito consignado.
Mais recentemente, captou 440 milhões de reais com a International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial voltado ao setor privado. A operação recebeu classificação de “Social Loan”, selo concedido a financiamentos com impacto social voltados a públicos como idosos e pessoas de baixa renda.
“Essa é nossa primeira captação internacional com uma instituição multilateral, e com um selo social. Passamos por um processo longo de diligência da IFC, que envolveu desde a estrutura de governança até visitas aos nossos Smart Hubs. Isso valida nossa operação na prática”, afirmou à época Marcelo Dubeux, diretor de Tesouraria e Relações com Investidores do Agibank.
Segundo ele, o banco vem crescendo 50% ao ano de forma composta nos últimos quatro anos. “Estamos crescendo 50% ao ano de forma composta nos últimos quatro anos”, diz.
Listada em Nova York, a empresa agora precisa mostrar ao investidor internacional que o modelo híbrido — crédito consignado, hubs físicos e foco em público 50+ — consegue sustentar expansão com controle de risco e rentabilidade.