Future of Money

Tokenização, Pix e stablecoins: Brasil no radar

Por que a combinação entre pagamentos instantâneos, ativos tokenizados e moedas estáveis reguladas transformou o país em laboratório global de inovação financeira

 (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

(Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 11h00.

Tudo sobreBlockchain
Saiba mais

Por André Carneiro*

O interesse internacional pelo Brasil nos últimos anos não surgiu por acaso — nem se explica por uma única iniciativa isolada. O que colocou o país no radar global foi a convergência entre três movimentos estruturantes: o Pix como infraestrutura de pagamentos instantâneos, a tokenização de ativos como novo modelo de registro e liquidação, e o avanço das stablecoins reguladas como camada programável de valor digital.

Mais do que tecnologias específicas, esses elementos revelam uma visão integrada de sistema financeiro: rápido, interoperável, regulado e orientado à privacidade. É essa combinação — rara em escala nacional — que vem sendo observada atentamente por reguladores e instituições internacionais.

  • Invista em ouro de verdade pela Mynt, plataforma do BTG Pactual. Com PAXG, você protege seu patrimônio com liquidez 24/7 e compra fracionada direto no app. Comece a partir de R$ 10.

Pix: a base invisível da eficiência sistêmica

O Pix costuma ser analisado apenas sob a ótica de pagamentos, mas seu impacto vai além. Ele introduziu no Brasil uma infraestrutura de liquidação instantânea, disponível 24/7, padronizada e amplamente adotada. Isso criou um novo patamar de expectativa para usuários, empresas e instituições financeiras.

Do ponto de vista estrutural, o Pix mostrou que é possível operar uma rede crítica em escala nacional com: baixa latência regras claras governança central integração simples com múltiplos participantes Essas características se tornaram referência para outras camadas do sistema financeiro.

A lógica de eficiência, interoperabilidade e padronização inaugurada pelo Pix passou a influenciar diretamente o desenho de soluções mais complexas, como a tokenização de ativos e a circulação de moedas digitais estáveis.

Tokenização: o elo entre ativos, pagamentos e liquidação

É na tokenização que o interesse internacional se intensifica. Ao representar ativos financeiros em estruturas digitais programáveis, o Brasil passou a testar um novo modelo de registro, transferência e liquidação, capaz de reduzir atritos históricos do sistema financeiro.

A tokenização permite que ativos, garantias e direitos sejam: registrados de forma rastreável transferidos com regras claras liquidados quase em tempo real auditáveis por design Quando combinada com infraestruturas de pagamento instantâneo, como o Pix, e com moedas digitais estáveis, a tokenização cria um ambiente onde a liquidação financeira e movimentação de ativos deixam de ser processos separados.

Esse acoplamento é um dos pontos que mais despertam interesse fora do país, justamente por atacar gargalos estruturais presentes em mercados maduros.

Stablecoins: a camada programável do valor digital

As stablecoins surgem nesse contexto como instrumentos de liquidação e programação financeira, capazes de conectar ativos tokenizados, pagamentos instantâneos e regras de negócio em um ambiente regulado.

O que chama atenção internacionalmente não é apenas a existência de moedas estáveis, mas o fato de elas serem concebidas para operar com: privacidade proporcional ao papel dos participantes interoperabilidade entre diferentes infraestruturas integração com o sistema financeiro existente.

Essa abordagem evita rupturas desnecessárias e reforça um princípio central: inovação financeira só escala quando respeita o legado, a regulação e a confidencialidade dos dados.

Stablecoins e Drex: modelos complementares, não excludentes

Embora frequentemente apresentados como caminhos concorrentes, stablecoins reguladas e iniciativas de moeda digital soberana, como o Drex, tendem a ocupar papéis complementares dentro de uma mesma arquitetura financeira.

Enquanto stablecoins oferecem agilidade, programabilidade e flexibilidade para liquidação e integração com ativos tokenizados, projetos como o Drex exploram a digitalização da moeda soberana com foco em política monetária, liquidação interbancária e garantias sistêmicas.

Na prática, o debate internacional evolui para modelos híbridos, nos quais moedas digitais soberanas convivem com stablecoins reguladas, interoperando em ambientes controlados. Essa coexistência amplia as possibilidades de liquidação, preserva a soberania monetária e, ao mesmo tempo, permite inovação em escala — desde que privacidade, interoperabilidade e governança estejam incorporadas desde o desenho da infraestrutura.

Interoperabilidade e privacidade como arquitetura

Um dos diferenciais do modelo brasileiro é tratar privacidade e interoperabilidade como requisitos de arquitetura, e não como camadas adicionadas posteriormente. Em ambientes financeiros, a circulação de ativos exige visibilidade seletiva: cada participante precisa ver apenas o que lhe compete. Ao mesmo tempo, sistemas distintos precisam conversar entre si sem expor dados sensíveis.

Esse equilíbrio — entre transparência operacional e confidencialidade — é exatamente o tipo de desafio que reguladores e mercados internacionais buscam resolver. A experiência brasileira mostra que é possível avançar em tokenização e uso de stablecoins sem sacrificar privacidade, desde que esses princípios sejam incorporados desde o desenho da infraestrutura.

O Brasil nos fóruns globais

Essa visão integrada levou o Brasil a ocupar espaço em debates internacionais sobre: tokenização regulada de ativos interoperabilidade entre infraestruturas nacionais privacidade em redes financeiras programáveis stablecoins como instrumentos de liquidação.

Mais do que apresentar conceitos, o país passou a contribuir com experiências práticas, algo ainda raro no debate global. O Brasil deixou de ser apenas um caso observado à distância e passou a influenciar discussões técnicas e regulatórias.

Lições que o mundo observa

A combinação entre Pix, tokenização e stablecoins consolidou algumas lições que começam a ecoar fora do país: Tokenização precisa estar conectada à liquidação Pagamentos instantâneos são base, não acessório Stablecoins podem operar em ambientes regulados Privacidade não inviabiliza escala Interoperabilidade deve ser estrutural Para finalizar, o destaque internacional do Brasil não vem de uma tecnologia isolada, mas da coerência entre suas escolhas estruturais.

Pix, tokenização e stablecoins formam um conjunto que aponta para um sistema financeiro mais eficiente, integrado e confiável. Ao tratar privacidade e interoperabilidade como fundamentos — e não como concessões — o país oferece ao mundo um modelo concreto de como modernizar infraestruturas financeiras sem abrir mão de segurança e governança. Assim, o Brasil não está apenas acompanhando o futuro das finanças digitais, está ajudando a desenhá-lo.

*André Carneiro é CEO da BBChain.

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube  Tik Tok  

Acompanhe tudo sobre:BlockchainTokenizaçãoCriptoativos

Mais de Future of Money

Ativos digitais deixam de ser uma aposta tecnológica para se tornar uma classe de investimentos

Seu patrimônio em criptoativos tem herdeiros?

Brasil entra no radar global da mineração de criptomoedas

Dólar digital: quais seriam os impactos de uma stablecoin do Fed no mercado cripto global?