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(metamorworks/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 14h51.
O que antes era apenas uma transação financeira (e, para o consumidor, um momento de interrupção na jornada de compra) tornou-se o epicentro das estratégias de retenção e conversão no varejo brasileiro e global. Estamos diante de uma revolução impulsionada pela tecnologia, pelo entendimento profundo do comportamento do consumidor e pelo poder da inteligência artificial em todas as áreas do negócio.
No Brasil, referência mundial em digitalização financeira, as tendências apresentadas na NRF Big Show 2026, maior evento de varejo do planeta, apontam para um futuro de pagamentos invisíveis, programáveis e seguros.
A discussão sobre omnichannel mudou. Não basta “estar em todos os lugares”: é preciso garantir que a experiência seja idêntica em cada ponto de contato. Hoje, o consumidor espera fluidez total, se a loja física não oferece a mesma facilidade do app, sua marca está criando atrito e perdendo relevância.
A grande barreira? A identidade fragmentada. Muitos varejistas ainda não conseguem reconhecer que o cliente que pagou com cartão na loja é o mesmo que abandonou um carrinho online. A solução está na unificação dos stacks de tecnologia.
Ao consolidar os dados de pagamento em uma única fonte, o varejista ganha uma visão completa, permitindo estratégias de marketing mais precisas e uma reconciliação financeira muito mais eficiente.
As carteiras digitais e os métodos alternativos de pagamento (APMs) deixaram de ser nicho e se tornaram protagonistas no e-commerce global. Os impactos são claros:
• Velocidade e conversão: no varejo físico, carteiras digitais reduzem o tempo de checkout em até 20 segundos. No digital, essa agilidade evita abandono e pode elevar conversão em até 30%, especialmente quando o varejista oferece os três métodos preferidos da região (no Brasil: Pix, cartão e carteiras digitais).
• Tíquete médio maior: a facilidade incentiva compras maiores. Casos reais apresentados na NRF mostram aumento de US$ 91 para US$ 109 após otimização da interface de pagamento.
• Fim do “guest checkout”: cerca de 25% dos usuários desistem por medo de formulários extensos. Carteiras digitais resolvem isso com dados verificados, tornando a compra um processo de um clique.
Confiança é a nova moeda do consumo. A tecnologia substitui números de cartão por tokenização, garantindo que dados sensíveis nunca cheguem ao varejista, eliminando riscos em caso de vazamentos.
Além disso, a segurança está migrando do conhecimento (senhas) para a identidade (biometria). A integração de recursos de Face ID e Touch ID eleva a segurança e aumenta as taxas de autorização bancária em até 4%.
Essa evolução acelera o movimento "cashless". Em setores como foodservice, o uso de dinheiro físico já caiu para menos de 30% das transações. Para o varejo, isso significa menos custos operacionais, menos erros e maior segurança física.
A nova fronteira é o Agentic Commerce, o comércio mediado por agentes de IA. Estamos saindo da era em que o humano decide e executa para entrar em uma fase em que a IA compra por nós.
Imagine um agente que monitora preços e, ao encontrar a melhor oferta dentro do orçamento, executa a compra automaticamente. Em compras recorrentes, isso muda completamente aquisição, consideração e retenção.
Para viabilizar, surgem os Tokens de Intencionalidade: o consumidor define regras (“gaste até R$ 500 em supermercado”) e a IA opera sob contratos inteligentes.
No comércio internacional, stablecoins vêm se consolidando como uma alternativa inovadora aos meios tradicionais, oferecendo pagamentos globais com agilidade semelhante ao Pix e com menor custo operacional.
O Brasil está em posição privilegiada. Com Pix consolidado e infraestrutura para ativos tokenizados, o caminho para o Agentic Commerce já está sendo pavimentado.
O saldo dessa transformação é o início de uma relação mais profunda entre empresas e consumidores: baseada em dados, confiança e agilidade.
*Caio Costa é vice-presidente de parcerias da Getnet.
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