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Publicado em 26 de agosto de 2026 às 09h30.
Nem os computadores quânticos, hoje apontados como o estado da arte em processamento, representam ameaça real ao blockchain do Bitcoin no curto prazo. A avaliação é de Devanir Teixeira, business development manager para a América Latina da Lenovo, dona de 141 dos 500 maiores supercomputadores do mundo.
Em conversa exclusiva com a BeInCrypto durante a Febraban Tech 2026, o executivo detalhou por que considera a rede praticamente inatacável e como a companhia trata a cibersegurança em suas máquinas.
Questionado sobre a possibilidade de um ataque hacker comprometer o blockchain do bitcoin, o executivo foi categórico.
“Não”, respondeu de imediato. Segundo ele, o poder computacional necessário para atacar a rede em escala mundial e provocar algum tipo de quebra ou queda é algo que, hoje, sequer é possível dimensionar.
Teixeira reconhece que o estado da arte em processamento aponta para os computadores quânticos, que existem e, teoricamente, poderiam atingir capacidade elevada. O ponto, porém, é de disponibilidade.
“Mas quantos computadores quânticos existem hoje em produção no mundo e estão 100% disponíveis para desenvolver algo com capacidade de chegar ao ponto de quebrar uma rede blockchain? Isso não existe hoje e não deve existir no curto prazo”, afirmou.
A empresa, segundo Teixeira, não tem interesse em desenvolver poder computacional para esse tipo de finalidade. O foco é outro.
“Nosso objetivo é proporcionar a tranquilidade e a segurança necessárias para que o processamento continue acontecendo da forma mais transparente e segura possível em nível mundial”, explicou.
O peso da companhia no setor ajuda a entender a posição. Entre os 500 maiores supercomputadores do mundo, 141 são Lenovo, a maior quantidade de uma única empresa na lista.
“Estamos falando de uma enorme capacidade computacional e, principalmente, de uma preocupação muito grande com segurança. Trabalhamos com dados extremamente críticos e sigilosos de instituições e órgãos de pesquisa do mundo inteiro”, disse. “A Lenovo prioriza a segurança e a proteção contra ataques de hackers desde o nível do servidor até os mecanismos de controle de acesso.”
Para Teixeira, a proteção começa antes de o equipamento chegar ao mercado. O conceito é o de security by design.
“É uma premissa para que uma máquina possa chegar ao mercado: ela precisa estar adequada às normas de segurança mais recentes. Isso é padrão na Lenovo”, afirmou.
Ele destaca que a preocupação se concentra não só no processamento, mas sobretudo no armazenamento, já que o alvo final do invasor costuma ser o dado.
“O hacker hoje não quer necessariamente ter acesso ao servidor; ele quer ter acesso aos dados”, pontuou. Ainda assim, o executivo alerta para o elo mais frágil da cadeia. “Não adianta ter toda essa preocupação se o próprio usuário entregar uma senha em um ataque. É aí que entra a engenharia social.”
Diante do avanço da inteligência artificial e da ausência de uma regulamentação global uniforme, a Lenovo trata a cibersegurança como parte de seu DNA, mesmo que não seja seu escopo principal.
“Não existe a possibilidade de estar entre as maiores empresas de tecnologia do planeta sem se preocupar com isso”, disse Teixeira.
Na prática, isso se traduz em proteção em camadas. O executivo cita o cenário em que um login e senha são capturados, contornando toda a segurança de hardware por uma brecha humana. Por isso, a companhia atua diretamente na proteção do dado.
Segundo ele, os equipamentos e storages da Lenovo, incluindo os modelos mid-range e não apenas os high-end, já contam com inteligência artificial embarcada para monitorar possíveis ataques de ransomware. A lógica é de contenção. Mesmo que um invasor rompa a primeira camada e acesse o ambiente de processamento, o objetivo é impedir o acesso aos dados. E, na hipótese de o dado ser alcançado, entra em cena uma cópia imutável que garante que as informações não sejam destruídas ou sequestradas.
A capacidade de identificar ameaças, afirma o executivo, parte da própria engenharia da companhia.
“Temos que ter essa capacidade dentro da nossa engenharia. Precisamos possuir inteligência internamente que nos permita desenvolver soluções que possam ser embarcadas nos nossos equipamentos”, disse.
Não à toa, acrescenta, a Lenovo figura entre os grandes parceiros da NVIDIA no mundo, o que reforça o desenvolvimento interno de soluções cada vez mais eficientes e seguras.
Com raízes na Ásia, a Lenovo mantém presença forte também na Europa e nos Estados Unidos. A América Latina, segundo Teixeira, representa em média cerca de 6% dos números globais da companhia, e o Brasil responde por aproximadamente metade desse mercado.
“Podemos dizer que a Lenovo Brasil representa aproximadamente 3% do número global da companhia. Pode parecer pouco, mas, do ponto de vista estratégico, é muito relevante”, afirmou.
O exemplo mais eloquente dessa relevância estratégica está na Petrobras. A estatal opera o maior supercomputador em posse do Brasil, uma máquina Lenovo desenvolvida pela equipe brasileira.
O equipamento não é apenas o maior da América Latina, mas também o maior do Hemisfério Sul. Teixeira lembra que a Petrobras trabalha com dados altamente sigilosos ligados ao setor de petróleo e, portanto, à soberania nacional.
“Quando falamos em entregar poder computacional aliado a controle e segurança, a Lenovo ocupa uma posição de liderança global. E reforço, entre os 500 maiores supercomputadores da lista atual, 141 são nossos. É a empresa com a maior quantidade de equipamentos nesse ranking”, concluiu.
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