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Estamos nos preparando para um mercado de baixa prolongado em cripto, diz CEO da Hashdex

Empresa quer trazer uma nova leva de produtos com criptoativos para o Brasil e desenvolver o NCIQ nos EUA

Bruno Caratori, CEO da Hashdex

Bruno Caratori, CEO da Hashdex

Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 23 de julho de 2026 às 12h00.

Última atualização em 23 de julho de 2026 às 13h01.

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O CEO Hashdex, Bruno Caratori, disse em entrevista exclusiva à EXAME que a gestora brasileira focada em criptoativos está preparando produtos para desenvolver em um mercado de baixa prolongado.

Mesmo mantendo o Brasil como carro-chefe, a ideia é se voltar aos Estados Unidos para transformar o fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês) NCIQ na referência para fundos de índice de ativos digitais.

O momento ideal para isso, de acordo com Caratori, é justamente o bear market (mercado de baixa), pois é o momento em que uma gestora precisa desenvolver seus produtos para colher os frutos depois. “Já vivemos outros dois bear markets. Com o ciclo se repetindo, nossa previsão é que a fraqueza se manteria até o fim deste ano”, diz o executivo.

Na opinião de Caratori, houve uma correção bem grande e depois disso vem uma recuperação que é lenta. “Nos últimos dois bear markets levou de nove a 12 meses. Porém, em 2023, por exemplo, o bitcoin ao longo do ano quase triplicou de preço depois disso, indo de US$ 15 mil a US$ 40 mil”, lembra.

ETF referência nos EUA

“Com a Nasdaq, queremos transformar o NCIQ no QQQ de cripto”, afirmou, referindo-se ao ETF Invesco QQQ Trust, que por anos foi a única forma de se expor ao índice das 100 maiores empresas da bolsa de valores Nasdaq, focada em ações de empresas de alta tecnologia.

O NCIQ foi o primeiro ETF multimoedas a ser aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) junto com o EZPZ, da Franklin Templeton, em 2024. Na época, os ETFs ainda podiam investir apenas em bitcoin e ether, as duas maiores criptomoedas do mundo em valor de mercado.

Hoje, a carteira do fundo é mais diversificada, embora ainda concentrada principalmente nesses dois ativos. Nesta quarta-feira, 22, o ETF tinha 78,3% em bitcoin, 11,8% em ether, 5,3% em XRP, 3,2% em solana, 0,5% em cardano, 0,4% em chainlink, 0,4% em stellar e 0,2% em bitcoin cash.

Para Caratori, os EUA ainda estão em um momento anterior ao do Brasil quanto à aceitação de cripto no mercado financeiro, o que demanda um trabalho para expansão.

“Precisamos fazer o trabalho duro de um NCIQ cada vez maior usando as alavancas que temos no Brasil, com mais market makers [formadores de mercado] e trabalhando com Nasdaq e CME [Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago] para enriquecer o ecossistema de derivativos”, defende.

Planos para o Brasil

Para o mercado nacional, a Hashdex planeja novos produtos ligados a um único ativo e fundos com outros recursos, aproveitando o desenvolvimento do mercado de derivativos.

“É um processo que temos com a B3 e nos EUA também. Desde o início de maio há opções de HASH11 e futuros de HASH11. Um gestor de ativos ou emissor pode não só criar um produto com HASH11 como também comprar HASH11 e usar as opções da B3 para fazer um produto que entregue renda”, comenta.

Segundo Caratori, os produtos que a Hashdex tem na B3 permitem que a gestora construa coisas mais atraentes para os investidores locais, como instrumentos que usam opções para criar um seguro quando o mercado cair muito.

“Estamos a todo vapor decidindo qual é a nova leva de produtos que queremos levar ao Brasil não só em um ambiente desafiador, como porque a regulação nos permite fazer coisas que não podíamos nos últimos dez anos.”

Mudança de cargo

Caratori assumiu o cargo de CEO em março deste ano, substituindo Marcelo Sampaio, que comandou a empresa desde sua fundação, oito anos atrás. Sampaio agora assume a função de presidente do conselho da Hashdex.

De acordo com o executivo, que é cofundador da empresa, Sampaio sempre foi o rosto externo da companhia, enquanto ele tinha perfil mais reservado internamente.

“Marcelo era o pioneiro em cripto e tem essa carreira grande em vendas. Já eu faço um levantamento de peso pesado para construir a cozinha da empresa”, revela.

Caratori assume que não acreditou de primeira no sucesso das criptomoedas, ao contrário de Sampaio, que é um entusiasta desde 2012. “Eu fazia chacota com ele no começo. No entanto, muito por causa dele, nos arredores de 2015 e 2016 fiquei fascinado pela tecnologia, que nos joga em uma jornada de pensamento desconfortável. O que é o dinheiro, as instituições e como existem e funcionam?”, lembra.

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