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Redação Exame
Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 10h10.
A transformação digital deixou de ser um diferencial e se tornou uma condição essencial para bancos e instituições financeiras. Recursos antes considerados inovadores, como internet banking, pagamentos instantâneos e carteiras digitais, agora fazem parte do cotidiano do consumidor. Nesse contexto, a verdadeira diferenciação surge da capacidade de utilizar tecnologia de forma estratégica: para gerar valor, reduzir riscos e antecipar necessidades.
O crescimento das transações digitais e a entrada de novos players, como fintechs e bancos digitais, também elevaram a confiança e a segurança ao status de ativos críticos, reforçando a importância de uma infraestrutura tecnológica robusta e confiável para a sustentabilidade do sistema financeiro. As tecnologias emergentes, combinadas à digitalização crescente do comportamento do consumidor, estão levando bancos e instituições a repensar produtos, serviços e modelos operacionais.
Nesse contexto, blockchain e inteligência artificial (IA) surgem como pilares complementares na construção de um sistema financeiro mais transparente, preditivo e colaborativo. Um estudo publicado na Journal of Emerging Technologies in Accounting aponta que a estrutura descentralizada e imutável do blockchain oferece uma base confiável para registros financeiros, reduzindo riscos de fraudes e manipulações.
Por sua vez, algoritmos de IA aplicados ao grande volume de dados gerados pelas transações permitem identificar padrões e anomalias em tempo real, elevando a eficiência operacional e fortalecendo os mecanismos de proteção.
Na prática, essa integração significa que segurança e inovação não são mais metas separadas, mas dimensões indissociáveis de um mesmo esforço para construir confiança, rastreabilidade e governança robusta no setor financeiro.
Com isso, o blockchain se consolida como a espinha dorsal da confiança digital. Mais do que uma base de dados distribuída, ele cria uma infraestrutura de rastreabilidade, transparência e segurança criptográfica, minimizando fraudes e aumentando a eficiência de processos como liquidação de ativos, transferências internacionais e concessão de crédito. Já a IA atua como o motor analítico dessa nova arquitetura financeira, detectando fraudes em tempo real, analisando a dinâmica de crédito e precificando com base no risco comportamental. Juntas, essas tecnologias elevam a precisão das decisões e fortalecem a governança algorítmica, viabilizando um sistema de gestão financeira não apenas reativo, mas preditivo, automatizado e escalável. No entanto, o impacto vai além da tecnologia.
Processos antes lineares e centrados em estruturas proprietárias estão sendo substituídos por ecossistemas conectados, nos quais dados, parceiros e tecnologias convergem para criar novos modelos de negócio. Nesse cenário, a capacidade de capturar, processar e validar informações em tempo real tornou-se um diferencial competitivo essencial, permitindo operações mais seguras, auditáveis e inteligentes. Ao conectar bancos, fintechs, startups e instituições reguladoras em um ambiente de cocriação contínua, a inovação aberta acelera o desenvolvimento de soluções interoperáveis baseadas em IA e blockchain.
Esse movimento redefine o conceito de competitividade no setor, mostrando que não vence quem apenas detém a tecnologia, mas quem integra e colabora de forma mais eficiente para gerar valor em rede. Essa convergência tecnológica entre IA, blockchain e inovação aberta está reconfigurando os fundamentos da intermediação financeira. Impulsionado por avanços tecnológicos e iniciativas governamentais, o mercado de tecnologia blockchain sozinho deve atingir cerca de US$ 619,28 bilhões até 2034, com um CAGR de 53,2% entre 2024 e 2034, segundo a Precedence Research.
Esse crescimento evidencia como a solução transforma negócios, aprimorando a segurança, simplificando procedimentos e aumentando a confiança, especialmente no segmento bancário. As instituições que dominam essa tríade — IA, blockchain e inovação aberta — atuam de forma proativa e adaptativa, transformando dados em vantagem competitiva e confiança em ativos estratégicos.
O futuro dos serviços financeiros será definido pela integração entre transparência, inteligência e colaboração. Portanto, a Blockchain garante a confiança, a IA transforma dados em insights acionáveis e a inovação aberta amplia o alcance e a velocidade da transformação. Juntas, essas tecnologias não apenas otimizam processos, mas também redefinem a arquitetura do sistema financeiro global, tornando-o mais resiliente, ágil e orientado por dados.
*Carlos Sangiorgio é VP de Tecnologia e Operações da Evertec Brasil. Com mais de 37 anos de experiência, Carlos fundou a Pulso — adquirida pela Sinqia em 2006 — e liderou sua área de inovação até 2008. Passou por instituições como Banco Santander, Banco Fibra e Abril Comunicações em todas liderando a transformação digital através da tecnologia. Na Evertec, lidera a área de Tecnologia e Operações, garantindo entregas escaláveis, seguras e modernas aos clientes da companhia.
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