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Redação Exame
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 17h30.
A queda recente do bitcoin reforçou uma leitura que vem ganhando espaço em Wall Street: no curto prazo, a maior criptomoeda do mercado ainda se comporta mais como uma ação de tecnologia do que como uma reserva de valor semelhante ao ouro. A avaliação é da gestora de criptoativos Grayscale, que analisou o movimento do BTC após o recuo para a região de US$ 60 mil no início do mês, antes de voltar a operar perto dos US$ 68 mil.
Segundo a empresa, o desempenho do bitcoin acompanhou de perto a correção das ações de tecnologia e de crescimento, em vez de reagir como um ativo de proteção. Enquanto papéis de software e empresas ligadas à inovação caíam, o BTC recuava praticamente no mesmo ritmo. Já o ouro físico seguiu o caminho oposto, atingindo máximas históricas e atraindo fluxo de capital.
Para a Grayscale, isso mostra que, por enquanto, o mercado ainda trata o bitcoin como um ativo de risco ligado à tese de adoção tecnológica. “O bitcoin pode ser considerado uma reserva de valor no longo prazo: a rede provavelmente continuará operando além de nossas vidas e o ativo pode preservar valor em termos reais”, escreveu o analista Zach Pandl. No entanto, com apenas 17 anos de existência, a criptomoeda ainda está no início de sua trajetória monetária quando comparada aos milhares de anos de história do ouro.
Na prática, investir em bitcoin hoje é apostar no avanço da adoção global. Enquanto não for amplamente aceito como ativo monetário, seu preço tende a continuar sensível ao apetite por risco, subindo e caindo junto com portfólios orientados a crescimento, e não funcionando como proteção em momentos de estresse.
Os dados recentes reforçam essa leitura. A Grayscale aponta pressão vendedora liderada pelos Estados Unidos, saídas consistentes dos ETFs à vista de bitcoin e um processo de desalavancagem no mercado de derivativos, sinais típicos de um “desmonte de posições de crescimento”, e não de uma perda de confiança na rede.
Apesar disso, a gestora vê bases para uma recuperação estrutural. Avanços regulatórios em stablecoins e ativos tokenizados, além da inovação em infraestrutura blockchain, podem sustentar uma nova fase de adoção. Se o bitcoin superar desafios como escala, taxas e até riscos ligados à computação quântica, sua volatilidade tende a cair e sua correlação com ações pode diminuir, aproximando o ativo, aos poucos, do comportamento de um verdadeiro “ouro digital”.
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