(Weekend Images Inc./Getty Images)
Redatora
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 16h08.
Quase oito em cada dez profissionais brasileiros já sentiram medo de perder o emprego em algum momento da carreira. O dado, de uma pesquisa da Serasa Experian, mostra que a insegurança no trabalho deixou de ser exceção para virar experiência comum a 77,5% dos trabalhadores do país.
O paradoxo é que essa insegurança convive com um movimento oposto: um levantamento da consultoria Robert Half aponta que 61% dos profissionais brasileiros pretendem procurar um novo emprego em 2026. Remuneração, desenvolvimento de carreira e qualidade de vida lideram as razões para a troca, o que sugere que o medo de sair nem sempre é maior que o desejo de encontrar algo melhor.
Esses dois números, lidos juntos, jogam luz sobre uma pergunta que estruturas tradicionais de RH raramente respondem: afinal, o que faz um emprego ser estável de verdade?
Para Rennan Vilar, diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional, a resposta tradicional, permanecer muitos anos na mesma empresa, já não dá conta da pergunta.
"A estabilidade profissional não pode ser entendida apenas como a garantia de permanecer em uma empresa por muitos anos. Ela também está relacionada à capacidade de continuar relevante, aprender, crescer e confiar que a organização tem clareza sobre seus caminhos", diz Vilar.
O executivo alerta que olhar apenas para o tipo de contrato ou o tempo médio de permanência dos funcionários pode criar uma falsa sensação de segurança.
Uma empresa pode ter baixa rotatividade e, ao mesmo tempo, não oferecer desenvolvimento, transparência ou perspectivas de crescimento. Nesse cenário, o profissional permanece, mas não necessariamente constrói uma carreira.
Com base na avaliação de Vilar, é possível mapear dez aspectos que ajudam a identificar se um ambiente de trabalho oferece segurança real, e não apenas a aparência dela.
Do outro lado, alguns sinais indicam risco, segundo Vilar: alta concentração de decisões em poucas pessoas, mudanças frequentes de prioridade sem explicação, ausência de critérios para promoções e uma cultura baseada no medo.
"Estabilidade não significa ausência de mudanças. Nenhuma empresa consegue oferecer isso hoje. O que uma organização pode oferecer é clareza para atravessar as mudanças", afirma o diretor.
Para quem avalia uma nova oportunidade, o executivo recomenda ir além da descrição da vaga: conversar com quem já trabalha na empresa, entender como funciona a liderança e observar se as informações do processo seletivo se confirmam no dia a dia.
Escolher uma empresa é escolher também o ambiente em que parte da trajetória profissional será construída. Por isso, a pergunta que fica não é quanto tempo alguém vai ficar, mas se consegue enxergar um caminho enquanto estiver lá.
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