Emmitt Smith, ídolo histórico do Dallas Cowboys na NFL, enfrenta processo judicial exigindo a devolução imediata do empréstimo milionário. (Reprodução/NFL)
Redator na Exame
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 08h41.
Para o público brasileiro que acompanha o crescimento exponencial da bola oval no país, Emmitt Smith é um nome bastante conhecido. O ex-jogador é o líder histórico de jardas terrestres da NFL e conquistou três títulos do Super Bowl com a camisa do lendário Dallas Cowboys na década de 1990.
No entanto, o seu prestígio fora dos gramados sofreu um duro golpe nesta semana. O ex-atleta e sua empresa de imóveis comerciais estão sendo processados formalmente sob a acusação de fraudar um investidor nativo-americano em US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 14 milhões na cotação atual).
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O litígio corporativo foi aberto na última segunda-feira na Chancery Court de Delaware — o principal tribunal para disputas empresariais nos Estados Unidos. A ação alega que Smith, seu sócio comercial David Mosley e a empresa da dupla, a 4 13 Solutions Inc., convenceram a Kituwah LLC a realizar o aporte milionário para financiar um projeto de energia solar no estado do Texas, batizado de "Project Exodus", segundo o The Athletic.
A gravidade do caso ganha contornos mais sensíveis pelo perfil da vítima. A Kituwah LLC não é um fundo de venture capital tradicional de Wall Street. Trata-se do braço de investimentos e desenvolvimento econômico de propriedade tribal da Eastern Band of Cherokee Indians (Banda Oriental dos Índios Cherokee). O fundo tem como objetivo gerar riqueza e estabilidade financeira para a comunidade nativo-americana.
Agora, a entidade busca a devolução integral do empréstimo de US$ 2,5 milhões, acrescido dos juros apropriados previstos em contrato. Segundo os documentos judiciais, o que foi vendido como uma aposta na transição energética e infraestrutura sustentável operou, na prática, com uma engenharia financeira obscura e ilegal.
De acordo com o processo, Emmitt Smith e David Mosley utilizaram os recursos da tribo não para erguer painéis solares, mas para pagar dívidas pregressas. O dinheiro teria sido desviado para quitar passivos com Darrel Wilson e sua empresa, a Wilson Holdings of North America, com quem a dupla já havia feito parcerias fracassadas em outros empreendimentos, segundo o The Athletic.
A Kituwah alega que o arranjo funcionou com a mecânica clássica de um "esquema de pirâmide" (conhecido nos EUA como Ponzi scheme). A acusação aponta que os fundos foram secretamente destinados para pagar a Wilson Holdings de forma indevida.
"Supostamente, o pagamento à Wilson Holdings foi uma compensação por empréstimos e investimentos malsucedidos anteriores feitos com a 4 13 Solutions", detalha o processo. O documento revela ainda que havia um contrato prevendo o pagamento à Wilson Holdings apenas se o "Project Exodus" obtivesse financiamento permanente — cenário que nunca se concretizou. Mesmo assim, os recursos da tribo Cherokee foram redirecionados para tapar esse buraco financeiro, enquanto os réus continuavam a afirmar que o dinheiro estava sendo aplicado na infraestrutura solar.
A denúncia detalha o modus operandi da suposta fraude. No início de 2023, Smith e Mosley teriam dado garantias sólidas de que o investimento retornaria em questão de meses. Segundo a reportagem, para acelerar o aporte, a dupla teria mentido sobre o interesse de outras partes no projeto e apresentado propostas irreais de divisão de receitas. Em um documento compartilhado durante as negociações, Mosley chegou a registrar por escrito que "100% da receita do projeto iria para a Kituwah", uma promessa que, segundo a acusação, nunca teve base na realidade.
O prazo limite para o pagamento do empréstimo expirou no dia 1º de fevereiro de 2024. Desde então, o prometido avanço do projeto de energia solar nunca saiu do papel. A 4 13 Solutions não respondeu às múltiplas notificações oficiais de inadimplência e optou por ignorar sumariamente as exigências legais de reembolso.
Até o momento do protocolo da ação judicial, a entidade Cherokee afirma não ter recuperado "um centavo sequer" do montante investido.