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O México já está pronto para a Copa do Mundo?

Um dos anfitriões da Copa do Mundo vive clima de instabilidade política, esportiva e social antes da abertura do torneio

México: Federação entra em conflito com clubes, obras atrasam e escalada da violência preocupa autoridades a semanas do Mundial de 2026 (Getty Images)

México: Federação entra em conflito com clubes, obras atrasam e escalada da violência preocupa autoridades a semanas do Mundial de 2026 (Getty Images)

Publicado em 14 de maio de 2026 às 11h49.

A Copa do Mundo de 2026 deveria simbolizar um momento histórico para o México. O país será um dos anfitriões do torneio ao lado de Estados Unidos e Canadá e receberá a abertura no tradicional Estádio Azteca. Mas, a poucas semanas do início do Mundial, o cenário está longe da tranquilidade que a Fifa esperava.

Clima instável no país e na seleção

O México vive uma combinação de crise esportiva, atrasos em obras, ameaça de protestos e escalada da violência ligada ao narcotráfico. Em vez de clima de festa, o país entra na reta final da preparação sob pressão interna e crescente desconfiança internacional.

Um dos principais focos de tensão envolve a própria seleção mexicana. A Federação Mexicana de Futebol ameaçou cortar jogadores convocados que não se apresentassem imediatamente à concentração da equipe nacional. O problema é que vários atletas ainda disputavam partidas decisivas por seus clubes na Liga MX, o que abriu uma guerra política entre dirigentes, federação e comissão técnica.

O técnico Javier Aguirre apoiou publicamente a medida e endureceu o discurso às vésperas da Copa. Nos bastidores, dirigentes de clubes consideraram a postura autoritária e reclamaram da quebra de acordos anteriores. A crise expôs um ambiente de desgaste justamente quando o México tenta transmitir estabilidade como anfitrião do Mundial.

Território sofre uma onda de violência

Fora do futebol, o cenário é ainda mais delicado. A violência provocada por cartéis voltou a crescer em diversas regiões do país após confrontos envolvendo o grupo criminoso Jalisco Nueva Generación. Em fevereiro, ataques deixaram 68 pessoas mortas, sendo 25 deles soldados, e provocaram bloqueios em estradas, incêndios de veículos e cancelamentos de eventos esportivos em Guadalajara, uma das cidades-sede da Copa.

A preocupação aumentou porque Guadalajara é considerada uma das áreas mais sensíveis para o torneio. Dados divulgados pelo instituto mexicano Inegi mostraram que mais de 90% dos moradores da cidade afirmam estar inseguros. O temor é que a crise de segurança afete diretamente turistas e delegações durante o Mundial.

Nem mesmo os pontos turísticos escaparam da tensão. Um ataque armado nas pirâmides de Teotihuacán, um dos locais mais visitados do país, matou uma turista canadense e feriu 11 outros e ampliou o debate sobre a capacidade do governo mexicano de controlar a violência antes da chegada de milhões de visitantes estrangeiros.

Atraso nas obras para a Copa

Além da insegurança, o México também enfrenta dificuldades para concluir obras importantes. A menos de 30 dias da abertura da Copa do Mundo, marcada para 11 de junho, o Estádio Azteca, na Cidade do México, preocupa autoridades por apresentar rachaduras no piso de concreto. A situação é acompanhada até pela NASA, que passou a monitorar a região por satélite devido aos sinais de afundamento no terreno onde fica a arena.

O México receberá 13 partidas da Copa do Mundo, incluindo confrontos de mata-mata e o jogo de abertura na Cidade do México.

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