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Morre Oscar Schmidt, uma das maiores lendas do basquete mundial

Apesar de ter sido escolhido no draft da NBA pelo New Jersey Nets, em 1984, Oscar optou por não atuar na liga norte-americana

Oscar foi um dos poucos atletas estrangeiros a ganhar honrarias na NBA (Buda Mendes/Getty Images)

Oscar foi um dos poucos atletas estrangeiros a ganhar honrarias na NBA (Buda Mendes/Getty Images)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 17 de abril de 2026 às 16h53.

Morreu nesta sexta-feira, aos 68 anos, Oscar Schmidt, reconhecido como o maior jogador da história do basquete brasileiro e um dos maiores nomes do esporte mundial. Nascido em 16 de fevereiro de 1958, em Natal (RN), o ex-ala construiu uma carreira marcada por números extraordinários.

As informação foi confirmada pela assessoria de Oscar:

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo.

Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.

Apelidado de “Mão Santa”, Oscar ganhou destaque ainda jovem ao se mudar para São Paulo, onde iniciou sua formação esportiva no Palmeiras. Rapidamente, seu talento o levou à Seleção Brasileira principal, pela qual atuou entre 1977 e 1996. Foram quase duas décadas defendendo o país, com participação em cinco edições dos Jogos Olímpicos — um recorde para o basquete masculino brasileiro — e a consagração como o maior pontuador da história da competição, com 1.093 pontos marcados.

O auge da carreira de Oscar com a camisa da seleção ocorreu em 1987, no Pan-Americano de Indianápolis. Naquele torneio, o Brasil conquistou a medalha de ouro ao derrotar os Estados Unidos em sua casa, com Oscar como protagonista da decisão. O feito é considerado um dos maiores da história do esporte brasileiro.

Com 49.973 pontos na carreira, Oscar Schmidt foi considerado o maior pontuador da história do basquete até 2024, quando foi ultrapassado pelo norte-americano LeBron James. 

Disse não à NBA

Apesar de ter sido escolhido no draft da NBA pelo New Jersey Nets, em 1984, Oscar optou por não atuar na liga norte-americana. A decisão foi motivada pelas regras da época, que impediam atletas da NBA de defenderem seleções nacionais em competições internacionais. O jogador escolheu priorizar a seleção brasileira, abrindo mão da principal liga do mundo.

Grande parte da carreira profissional de Oscar foi construída na Europa, especialmente na Itália, onde atuou por 11 temporadas e se tornou o maior pontuador estrangeiro da história do Campeonato Italiano.

O reconhecimento veio também de forma institucional. Oscar Schmidt foi eleito um dos 50 maiores jogadores da história pela FIBA, entrou para o Hall da Fama da FIBA em 2010 e, em 2013, foi incluído no Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos, uma honraria reservada a figuras centrais da história do esporte.

Desafio fora das quadras

Fora das quadras, Oscar passou a enfrentar o desafio mais duro de sua vida a partir de 2011, quando foi diagnosticado com um tumor cerebral do tipo glioma. Desde então, enfrentou cirurgias, sessões de radioterapia, anos de quimioterapia e acompanhamento médico constante. O próprio ex-atleta tornou público o tratamento em diversas entrevistas, adotando um discurso direto e sem dramatização excessiva sobre a doença.

Em 2022, declarações de Oscar sobre a interrupção da quimioterapia geraram grande repercussão. Posteriormente, ele esclareceu que a decisão ocorreu por orientação médica após exames indicarem remissão da doença, e que seguiria apenas com acompanhamento de rotina. Na ocasião, afirmou ter “perdido o medo de morrer” e passado a valorizar ainda mais a convivência com a família.

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