Esporte

IA, dados e estádios inteligentes: como a tecnologia quer mudar o futebol na próxima década

À EXAME, Robson Oliveira, sócio-fundador e presidente da FutebolCard, explica como os dados, automação e infraestrutura digital devem ganhar peso na relação entre clubes, estádios e torcedores.

Robson Oliveira, sócio-fundador e presidente da FutebolCard (Divulgação)

Robson Oliveira, sócio-fundador e presidente da FutebolCard (Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de agosto de 2026 às 08h00.

Tudo sobreFutebol
Saiba mais

A adoção de inteligência artificial, análise de dados e ferramentas de personalização deve ampliar o uso da tecnologia na gestão do futebol ao longo da próxima década, segundo o relatório Tech Powerhouse 2026, divulgado nesta semana pela La Liga.

O documento analisa a transformação do esporte para além das partidas e aborda o uso de recursos tecnológicos na geração de receitas, na operação dos clubes e na relação com os torcedores.

O estudo considera iniciativas adotadas pela liga espanhola durante a última década e também observa outras ligas europeias. Entre as tendências apontadas para os próximos dez anos estão o emprego de IA ativa nas organizações para automatizar processos, o controle dos dados e a soberania tecnológica, a gestão da presença do público nos estádios, a evolução dos estádios inteligentes e a hiperpersonalização de conteúdos e serviços a partir das informações coletadas sobre os torcedores.

Após faturar R$ 32 bilhões, LaLiga vê o Brasil como nova fronteira. Mas enfrenta a pirataria digital

Parte dessas discussões também está presente no mercado brasileiro, que passa por mudanças na gestão dos estádios e na operação das arenas. Nesse cenário atua a FutebolCard, plataforma de gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, com operações em clubes das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

A empresa utiliza dados dos usuários para segmentar campanhas e desenvolver ações direcionadas aos diferentes perfis de torcedores. Uma análise recente dos programas de sócio-torcedor administrados pela plataforma identificou que entre 30% e 80% dos cadastros avaliados apresentavam algum nível de inatividade. O grupo reunia ex-sócios, pessoas que abandonaram o pré-cadastro e usuários bloqueados por inadimplência.

Com base nesses registros, a empresa direcionou campanhas para a recuperação desses usuários. A estratégia permite concentrar as ações em pessoas que já tiveram algum contato com os serviços dos clubes e segmentar as ofertas de acordo com as informações disponíveis na base de dados.

A forma de pagamento também apresentou diferenças nas taxas de cancelamento: enquanto o boleto bancário registrou índices entre 75% e 98%, o cartão de crédito recorrente apresentou taxas entre 10% e 38%. O Pix recorrente também aparece na análise como uma alternativa para pagamentos periódicos. Esses mecanismos afetam a permanência dos usuários nos programas e, consequentemente, as receitas associadas às assinaturas.

Outro ponto analisado pela FutebolCard é a oferta de produtos premium, voltados a torcedores com maior poder aquisitivo. Os dados da plataforma indicam que esse público dispõe de uma oferta menor de experiências dessa categoria. A proposta da empresa é incorporar produtos em uma escala progressiva de preços.

Cada Interação gera dados

O uso das informações produzidas ao longo da jornada do torcedor permite acompanhar diferentes etapas da relação com o clube, desde a aquisição do ingresso até o acesso ao estádio.

Robson Oliveira, sócio-fundador e presidente da FutebolCard, afirma que essas interações permitem identificar hábitos de consumo e direcionar serviços. “Desde a compra do ingresso à entrada no estádio, é possível identificar e mapear padrões de consumo dos torcedores. Com isso em mãos, é possível criar experiências muito mais memoráveis. E, consequentemente, impulsionar os programas de sócio-torcedor, as vendas na loja oficial do clube e realizar campanhas personalizadas a fim de contemplar aquele exato público identificado”, afirma.

Entre os indicadores acompanhados pela plataforma estão receita obtida com ingressos por partida, taxa de ocupação do estádio, ausência de compradores nos jogos, ticket médio, meios de pagamento utilizados, taxas de conversão, idade dos torcedores e distribuição geográfica do público. A empresa também analisa adesão aos programas de sócio-torcedor, frequência de compras, valores gastos, acompanhantes nas partidas e tempo de permanência nas arenas.

“O torcedor é a peça central e oferecer experiências personalizadas e que façam real sentido para ele é a principal busca. Isso inclui serviços desde a venda de ingressos à comercialização de planos de sócio-torcedor, coleta da biometria para entrada no estádio, estratégia para as opções de comidas e bebidas oferecidas nas arenas e vendas físicas e virtuais na loja oficial. Trata-se da construção de um ecossistema robusto que atenda às reais necessidades dos torcedores. Tudo conectado por dados”, complementa Robson Oliveira.

Para reunir essas informações, a FutebolCard concentra em uma plataforma de inteligência os dados provenientes de milhões de interações processadas. A ferramenta permite aos clubes consultar informações sobre seus públicos, acompanhar indicadores e identificar oportunidades a partir dos registros disponíveis.

Estádios Inteligentes e a ajuda da IA

O relatório da La Liga também inclui os estádios inteligentes entre as tendências para o futebol. O conceito envolve a integração da infraestrutura física das arenas com sistemas digitais usados antes, durante e depois das partidas.

A tecnologia aparece já no processo de entrada do público, com vendas digitais de ingressos e recursos de reconhecimento facial para controle de acesso. A aplicação dessas ferramentas também abrange procedimentos destinados à redução de filas e ao combate a fraudes.

Para Oliveira, o conceito não se limita ao controle de entrada. “Tudo isso continua sendo essencial, mas agora é necessária a estruturação de todo um modelo que priorize a facilidade para o torcedor dentro das arenas. O estádio inteligente é a integração entre tecnologia, pessoas, dados e entretenimento. O maior patrimônio do futebol nunca foi o concreto das arquibancadas. Sempre foi quem está sentado nelas”, ressalta.

Os registros gerados desde o cadastro do usuário até a aquisição do ingresso permitem acompanhar indicadores de consumo e comportamento. Nesse modelo, o ingresso também funciona como uma fonte de dados sobre a relação do público com os clubes e as arenas.

A integração pode conectar diferentes pontos de contato dentro do estádio, como telões, celulares, aplicativos utilizados pelos torcedores e sistemas responsáveis pela administração das informações dos clientes. Esses registros podem ser reunidos para acompanhar o comportamento do público durante a experiência no estádio.

A IA é outra tecnologia citada no relatório como parte desse processo, com aplicações que incluem previsão da demanda por ingressos, identificação de padrões de fraude e automação de atendimentos.

“ Nesse cenário, os clubes também se beneficiam da automatização da operação, na medida em que quanto mais tempo sobra, mais dedicação é possível ter em relação às pessoas e às experiências esportivas que elas terão”, finaliza Robson.

Acompanhe tudo sobre:EstádiosFutebolInteligência artificialExclusivo

Mais de Esporte

Jogos de hoje: horário e onde assistir às partidas deste domingo, 16

Fluminense vira contra o Palmeiras no Maracanã em jogo pelo Brasileirão

PSG anuncia contratação do herói da final da Copa do Mundo

Brasil conquista bronze no Mundial de Ginástica Rítmica e garante vaga para Los Angeles 2028