Sal TV: canal de Pedro Scooby e Gabriel Medina aposta em conteúdos produzidos pelos próprios atletas (Divulgação)
Repórter de Marketing
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 15h07.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 15h36.
A Sal TV, canal criado por Pedro Scooby, Gabriel Medina e o Grupo Sal, foi lançada oficialmente após operar desde o início do ano. A plataforma dá aos atletas controle sobre suas narrativas. Com 170 mil inscritos e 2 milhões de visualizações, prevê novos nomes e modalidades.
Nascida de uma parceria entre o Grupo Sal, Pedro Scooby e Gabriel Medina, a Sal TV quer transformar a relação que atletas têm com a mídia. O canal proprietário no YouTube foi pensado para ser um hub de esportes radicais que abriga programas de diferentes atletas e, ao mesmo tempo, funciona como uma plataforma para revelar novos nomes. O diferencial, segundo o grupo, está no controle que os atletas têm sobre o material produzido.
“Os atletas sempre têm suas trajetórias narradas pelos outros, e o Gabriel nos trouxe essa visão: ‘Quero ser dono do material que mostra a minha própria história’. Então, criamos uma estrutura em que o atleta participa diretamente da produção e é dono da narrativa sobre sua rotina”, conta Marcelus Viana, cofundador, sócio e vice-presidente de criação e design do Grupo Sal.
A estrutura, segundo Viana, também diferencia a Sal do OFF, canal de TV por assinatura dedicado a esportes radicais. Lançado em 2010, o projeto contou, inclusive, com a participação do Grupo Sal no desenvolvimento.
“Em vez de uma grade com formatos mais definidos, cada atleta tem liberdade para testar formatos e definir pontos, a duração ou a linguagem de cada material. Com isso, os programas são bem mais pessoais”, destaca o executivo.
A audiência vem respondendo à proposta. O canal já reúne mais de 50 vídeos, entre conteúdos longos e curtos, 170 mil inscritos e 2 milhões de visualizações. Segundo Viana, os episódios que mais funcionam nem sempre são concentrados no esporte.
“As pessoas querem ver muito mais o que os atletas conversam e vivem do que o próprio surfe”, avalia.
Apesar de o lançamento oficial acontecer só agora, a Sal TV está no ar desde o início do ano. Viana não revela o valor do investimento que o projeto recebeu até agora, mas afirma que o aporte é “razoável” e que o canal começou a se sustentar com as primeiras parcerias comerciais.
Oakley e Gurumê estão entre as marcas que já desenvolvem projetos com o canal. Segundo o executivo, outras três negociações estavam em andamento no momento da entrevista.
"Todo o dinheiro que captamos com os patrocinadores é reinvestido para fazer produções maiores e melhores. Pelos próximos três anos, pelo menos, vamos reinvestir praticamente toda a verba que a gente captar."
A programação agora entra em uma fase mais estruturada, com playlists organizadas por atleta e novos episódios publicados semanalmente, às quintas-feiras. Entre os formatos estão “Medina Bruto”, “O Incrível Mundo de Scooby” e “Modo Gui”, protagonizado pelo skatista Gui Khury.
A empresa também negocia novas parcerias e formatos, enquanto mantém o YouTube como principal plataforma de distribuição.
Para Pedro Scooby, a aposta em um canal coletivo também tem relação com a transformação no consumo de mídia. A ambição, segundo o surfista, é construir uma propriedade que continue existindo à medida que novos atletas entrem no projeto.
“O YouTube permite concentrar diferentes histórias em um mesmo endereço. Eu poderia focar em um canal próprio. O Medina também. Mas pensamos em um formato que, além de nós, possa dar espaço para atletas que ainda não têm canais ou uma estrutura para criar esses conteúdos”, explica o surfista, em conversa com a EXAME.
“Daqui a pouco, não vai ter nem mais programa meu ou do Medina ali. Não estaremos mais competindo. Mas o canal vai seguir com vários atletas da nova geração.”
Scooby também conta que o projeto prevê a entrada de atletas de outras modalidades, começando por nomes como Henrique Avancini, do mountain bike. “Estamos avaliando também skate, ciclismo, modalidades outdoor e olímpicas.”
A expansão também responde a uma questão de mercado: modalidades do tipo têm menos espaço na mídia esportiva de massa, enquanto atletas e criadores passaram a construir comunidades próprias nas plataformas digitais. Para o atleta, a Sal pode usar a força de nomes já conhecidos para ampliar a audiência de esportes normalmente mais nichados.
“Muitas modalidades ainda têm uma média bem baixa de visualizações. Queremos unir forças para conseguir transformar esses esportes radicais em algo maior e com muito mais visibilidade”, afirma.
Para tornar-se essa plataforma de referência para esportes radicais, Scooby cita a Red Bull como exemplo de marca que construiu uma presença global a partir de esportes de ação antes de avançar para outras propriedades. A comparação ajuda a explicar a visão de longo prazo para o projeto, que é criar um ecossistema em torno desses esportes.
Viana usa outra referência: a CazéTV, projeto que ganhou espaço ao produzir conteúdo e transmissões esportivas com uma linguagem diferente da TV tradicional. Mas faz uma ressalva importante: a Sal TV não pretende competir com grandes operações de transmissão.
“Acho que a gente não vai competir com transmissões, até pelo tamanho de investimento que isso exige. Não é esse o nosso caminho.”
Scooby complementa: “Pensamos nesse canal muito mais para que ele apoie uma nova geração de atletas e dê espaço para novos esportes do que para mostrar coisas nossas”, finaliza Scooby.
A Sal TV é um canal no YouTube criado pelo Grupo Sal, Pedro Scooby e Gabriel Medina para reunir conteúdos sobre esportes radicais. Segundo Marcelus Viana, cofundador do Grupo Sal, os atletas participam da produção e controlam a narrativa sobre suas rotinas.
A Sal TV reúne 170 mil inscritos e 2 milhões de visualizações. O canal já publicou mais de 50 vídeos, entre conteúdos longos e curtos.
A Sal TV começou a se sustentar com parcerias comerciais com marcas como Oakley e Gurumê. Segundo Marcelus Viana, o dinheiro dos patrocinadores será praticamente todo reinvestido nas produções pelos próximos três anos.