Paquetá: contratação pelo Flamengo é a maior da história do futebol brasileiro (Gilvan de Souza / CRF/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 08h03.
O futebol brasileiro passou a disputar espaço com o mercado internacional na contratação de jogadores que atuavam na Europa. A negociação de maior impacto aconteceu nesta semana e envolve o retorno de Lucas Paquetá ao Flamengo. A operação junto ao West Ham supera 42 milhões de euros e se tornou a maior transação da história do futebol brasileiro.
Para Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, a contratação representa uma mudança de posicionamento. “Não é a volta de um veterano ou de um atleta em fim de carreira. É a contratação de um jogador que atua na principal liga do mundo, no seu auge”, afirma.
Na atual janela do início do ano, os times da elite do Campeonato Brasileiro somaram gastos de 173,3 milhões de euros em reforços. O volume coloca o Brasil como o segundo maior comprador do mundo no período, atrás apenas da Premier League, que desembolsou 242 milhões de euros, segundo dados do Transfermarkt.
O volume de investimentos da temporada é liderado pelo Cruzeiro, que contratou o meia Gerson por 27 milhões de euros junto ao Zenit. Até então, era a maior compra da história do futebol nacional.
A negociação superou operações recentes como a de Vitor Roque, que deixou o Barcelona para atuar no Palmeiras por cerca de 25 milhões de euros, e a de Samuel Lino, transferido do Atlético de Madrid para o Flamengo por aproximadamente 23 milhões de euros.
Segundo Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, o cenário atual amplia as possibilidades para atletas em atividade. “O Brasil voltou a ser uma vitrine atrativa. Hoje, ficar ou retornar significa jogar em alto nível e estar mais próximo da seleção”, diz.
Clubes como Botafogo, Flamengo e Palmeiras concentraram parte relevante das contratações de maior valor. O Botafogo investiu pesado em nomes como Thiago Almada e Luiz Henrique, enquanto Flamengo e Palmeiras reforçaram seus elencos com atletas que atuavam em ligas europeias.
Outros clubes também aderiram à estratégia de repatriação ou contratação de atletas com histórico recente na Europa. O Corinthians trouxe Memphis Depay e Yuri Alberto. O Vasco contou com o retorno de Philippe Coutinho e a chegada de Dimitri Payet. O São Paulo acertou com Marcos Antônio, Lucas e Wendell.
No Santos, o retorno de Neymar também foi interpretado como símbolo do novo momento. Para o presidente do clube, Marcelo Teixeira, “a volta do Neymar mostra que os clubes brasileiros voltaram a ser protagonistas e capazes de oferecer competitividade."
A expansão dos investimentos está diretamente ligada ao crescimento das receitas. De acordo com Moisés Assayag, sócio-diretor da Channel Associados, “a evolução da receita dos clubes, especialmente com direitos de TV e patrocínios, criou um novo patamar de investimento”. Segundo ele, o mercado brasileiro passou a operar com valores superiores aos de outros países da América do Sul, o que fortalece sua posição no cenário global.