O estádio Camp Nou passa por obras de remodelação profunda desde maio de 2023. (Divulgação/Wikipedia) (Divulgação/Wikimedia Commons)
Redator na Exame
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 13h51.
Última atualização em 23 de setembro de 2026 às 13h53.
RESUMO | O Barcelona confirmou que precisará deixar o Camp Nou novamente ao término da atual temporada 2026-27 para dar início à fase mais complexa da construção do teto do estádio, planejando retornar apenas em janeiro de 2028.
O Barcelona enfrentará mais um período longe de sua histórica casa. Durante a assembleia geral anual realizada no último sábado, 19, a diretoria culé confirmou que o clube terminará a temporada 2026-27 no Camp Nou, mas precisará deixar o estádio novamente para a segunda metade da temporada 2027-28. O vice-presidente do clube, Ferran Olive, explicou aos sócios que a pausa é indispensável para avançar na ambiciosa e complexa construção do teto da arena, processo de engenharia que exige o uso do próprio gramado como canteiro de obras e base para os equipamentos de içamento e montagem estrutural.
A expectativa da diretoria é retornar definitivamente ao Camp Nou em janeiro de 2028, operando ainda com capacidade parcial de cerca de 95 mil lugares, visando a conclusão total de todas as melhorias e o atingimento da capacidade máxima de 105.000 espectadores para o início da temporada 2028-29. A data é estratégica e coincide com a escolha do Camp Nou pela UEFA para sediar a grande final da Liga dos Campeões de 2029, marcada para o dia 2 de junho daquele ano, o que coloca uma pressão adicional sobre o cronograma de obras.
Segundo o The Athletic, para viabilizar a conclusão das reformas do projeto Espai Barça e mitigar as persistentes pressões de fluxo de caixa decorrentes de atrasos anteriores — que já custaram milhões em despesas operacionais e investimentos vinculados —, os membros aprovaram a captação de um novo pacote de empréstimos no valor de 510 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,98 bilhões). Desse total, 300 milhões de euros (cerca de R$ 1,75 bilhão) serão direcionados exclusivamente aos canteiros de obras do estádio, enquanto 210 milhões de euros (cerca de R$ 1,23 bilhão) cobrirão dívidas operacionais e compromissos financeiros de curto prazo, incluindo o pagamento de parcelas pendentes em transferências de jogadores. Com essa injeção de recursos externos, o orçamento global do projeto Espai Barça subiu para impressionantes 1,8 bilhão de euros (cerca de R$ 10,53 bilhões), triplicando os custos inicialmente estimados quando o plano foi concebido em 2014.
A escalada nos custos de reconstrução e a necessidade de captação de recursos externos elevaram o passivo total do clube a patamares preocupantes. De acordo com o The Athletic, somando o financiamento do projeto imobiliário e esportivo aos débitos operacionais já existentes, a dívida total do Barcelona pode alcançar a marca de 2,6 bilhões de euros (cerca de R$ 15,22 bilhões), consolidando-se como a maior de todo o futebol mundial. Além disso, a taxa de juros elevada dos novos empréstimos — na casa de 5,14% para a primeira fatia de 105 milhões de euros (cerca de R$ 614 milhões) — pressiona ainda mais as finanças do clube, que já destinou dezenas de milhões apenas ao pagamento de juros na última temporada.
Enquanto as obras do teto exigem a remoção temporária do time principal, o clube já fechou um acordo com a prefeitura de Barcelona para retornar ao Estadi Olímpic Lluis Companys, no Monte Montjuic, palco que abrigou o time durante os anos de reforma inicial e que possui capacidade para cerca de 45.000 torcedores. O presidente Joan Laporta defendeu a gestão financeira perante os socis, assegurando que alternativas serão buscadas para financiar o futuro ginásio Palau Blaugrana sem inflar ainda mais o teto de endividamento da instituição catalã.
Embora o clube tenha ultrapassado a barreira de 1 bilhão de euros (R$ 6,33 bilhões) em receitas — tornando-se apenas o segundo na história do futebol a alcançar tal feito, ao lado do Real Madrid —, a instituição continua operando no vermelho, registrando um prejuízo pós-impostos de 17,8 milhões de euros (R$ 112,6 milhões), enquanto a monumental dívida global caminha rumo à marca assustadora de 2 bilhões de euros (R$ 12,66 bilhões). No campo esportivo, a gestão de Joan Laporta colheu frutos com a conquista do bicampeonato consecutivo de La Liga em maio, assegurado após um triunfo por 2 a 0 sobre o arquirrival merengue, além de erguer mais uma vez a taça da Supercopa da Espanha.
A principal alavanca desse endividamento histórico reside no ambicioso projeto de reestruturação do Espai Barça e, em especial, nas intermináveis obras do Camp Nou. O retorno parcial ao estádio ocorreu com capacidade reduzida, e, embora a volta à casa própria tenha impulsionado as receitas de hospitalidade, o cronograma estendido gerou severas pressões no fluxo de caixa. Até o final de junho de 2026, a dívida financeira bruta do Barcelona atingiu a marca de 1,840 bilhão de euros (R$ 11,64 bilhões). E o teto ainda está longe de ser alcançado: a diretoria já reconheceu a necessidade de captar mais 300 milhões de euros (R$ 1,89 bilhão) para finalizar o complexo, elevando o orçamento total do projeto para impressionantes 1,8 bilhão de euros (R$ 11,39 bilhões) — o triplo do valor inicialmente projetado há mais de uma década. Com a emissão recente de notas de crédito e novos empréstimos de curto prazo para honrar compromissos operacionais, o montante total ultrapassará inevitavelmente a barreira dos 2 bilhões de euros (R$ 12,66 bilhões) na temporada 2026/2027.
O impacto mais cruel dessa montanha de obrigações financeiras recai sobre os custos com juros, fazendo com que o clube desembolsasse mais de 90 milhões de euros (R$ 569,7 milhões) apenas em pagamentos dessa natureza na última temporada. Para piorar o cenário, os vencimentos de curto e médio prazo preocupam a diretoria: cerca de 149 milhões de euros (R$ 943,1 milhões) vencem em 2026/2027, seguidos por pacotes ainda maiores de 345 milhões de euros (R$ 2,18 bilhões) em 2027/2028 e 366 milhões de euros (R$ 2,31 bilhões) em 2029/2030, exigindo negociações complexas de refinanciamento em um ambiente de taxas de juros desfavoráveis.
Enquanto o passivo dispara, o clube continua mantendo um modelo de custos operacionais incompatível com sua atual saúde financeira. Para a temporada 2026/2027, a projeção da folha salarial aponta para um patamar recorde de 648,9 milhões de euros (R$ 4,1 bilhões) — um salto de 75 milhões de euros (R$ 474,7 milhões) em relação ao ano anterior, impulsionado majoritariamente pelos vencimentos do elenco profissional masculino.
Com um teto salarial fixado por La Liga na casa dos 582 milhões de euros (R$ 3,68 bilhões), o Barcelona empilha despesas que colocam o clube no mesmo patamar de gastos estratosféricos do Paris Saint-Germain. A ânsia por manter estrelas em campo e realizar contratações pontuais — como a chegada do atacante Anthony Gordon por 69 milhões de euros (R$ 436,7 milhões) — tem sido financiada por meio de malabarismos de tesouraria, com relatórios apontando que o clube recorreu a empréstimos bancários para postergar e cobrir parcelas de transferências pendentes, evidenciando a escassez crônica de liquidez imediata.
O clube precisará sair do estádio no meio de 2027 para permitir a construção do teto, que obrigatoriamente precisa ser erguido a partir do interior do campo.
A diretoria prevê a volta ao estádio em janeiro de 2028, com capacidade reduzida de 95.000 lugares, mirando a conclusão total para a temporada 2028-29.
O clube retornará temporariamente ao Estadi Olímpic Lluis Companys, em Montjuic, com capacidade para cerca de 45 mil torcedores.
Com a aprovação dos novos empréstimos de 510 milhões de euros (cerca de R$ 2,98 bilhões), o endividamento total do Barcelona pode alcançar a marca de 2,6 bilhões de euros (cerca de R$ 15,22 bilhões).
O orçamento voltado à modernização do complexo esportivo e do Camp Nou atingiu 1,8 bilhão de euros (cerca de R$ 10,53 bilhões).