Osmar Stabille: presidente do Corinthians assumiu o clube em agosto após impeachment de Augusto Melo (Foto: Reprodução/Corinthians TV)
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Publicado em 12 de agosto de 2026 às 17h47.
A crise do Corinthians ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira , 12. O associado e ex-conselheiro Leandro Cano, que também é juiz de Direito, protocolou na Comissão de Ética e Disciplina do clube um pedido para que seja instaurado um processo contra Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e Osmar Stabile, presidente da Diretoria Executiva.
Segundo informações do portal "Meu Timão", o requerimento solicita não apenas a abertura da apuração, mas também o afastamento cautelar dos dois dirigentes, seguido de eventual destituição dos cargos e expulsão do quadro associativo, caso as acusações sejam consideradas procedentes.
O documento reúne uma série de episódios envolvendo os dois mandatários e menciona tanto disputas políticas internas quanto investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo.
No caso de Romeu Tuma Júnior, Cano questiona declarações públicas feitas pelo presidente do Conselho durante as discussões relacionadas à reforma do estatuto do Corinthians. Segundo o requerimento, Tuma teria classificado integrantes da Diretoria Executiva como "autoritários" e "golpistas", sem apresentar as acusações formalmente dentro dos mecanismos disciplinares do clube.
O documento também recupera um episódio ocorrido em março. Na ocasião, o Conselho Deliberativo aprovou, por 115 votos a 15, o afastamento cautelar de Tuma. A decisão, porém, acabou anulada pela Justiça posteriormente por conta de um problema formal no processo de convocação da reunião.
Outro ponto levantado pelo associado envolve os procedimentos disciplinares relacionados à invasão ocorrida em maio de 2025. Cano questiona a atuação de Tuma em diferentes casos e cita, entre outros episódios, a inclusão da possibilidade de suspensão na votação envolvendo Mario Mello Júnior.
O requerimento também contesta a concessão de efeito suspensivo a Claudinei Alves e José Valmir da Costa, posteriormente absolvidos. A defesa dos dirigentes, entretanto, poderia argumentar que a possibilidade de recurso e a decisão dos conselheiros estão previstas no estatuto corintiano.
Segundo o portal, a situação de Osmar Stabile também é abordada de forma extensa no documento. O associado cita a existência de três pedidos de impeachment contra o presidente da Diretoria Executiva.
Um deles está relacionado ao oferecimento do clube social como garantia em um acordo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O requerimento também menciona declarações de Stabile sobre a possível existência de funcionários fantasmas no Corinthians.
Outro pedido de impeachment envolve a contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda. por mais de R$ 676 mil. O contrato, referente a serviços de segurança prestados ao clube entre setembro e outubro de 2025, é alvo de apuração do Ministério Público de São Paulo.
Segundo o promotor Cássio Conserino, a empresa não teria autorização da Polícia Federal para atuar no setor de segurança privada.
A contratação de serviços de segurança é novamente citada no requerimento por causa de outro episódio envolvendo a Bear Security.
No início desta semana, o MP-SP abriu um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar possíveis irregularidades na contratação da empresa. De acordo com a investigação mencionada no documento, o Corinthians teria desembolsado R$ 586.987,65 pelos serviços, segundo o "Meu Timão".
Stabile foi formalmente incluído como investigado, segundo o Meu Timão.
O requerimento também relaciona o presidente ao chamado "Caso Nike". Segundo a argumentação apresentada por Cano, uma nota institucional divulgada pelo Corinthians teria adotado posicionamento favorável a um dirigente investigado no caso, o segundo vice-presidente licenciado Armando Mendonça.
Para o associado, a manifestação teria enfraquecido a posição do clube no processo e atendido a interesses particulares.
Além das questões envolvendo investigações e disputas políticas, o documento reúne outros episódios da administração Stabile.
Entre elas estão declarações do presidente de que "cada conselheiro tem um contrato embaixo do braço", feitas em entrevista à TMC no início de junho.
Também é mencionada a aprovação das contas referentes a 2025, que registraram déficit de R$ 143,4 milhões, ainda que com ressalvas da auditoria externa.
Outro ponto citado é a decisão relacionada ao futuro de Memphis Depay. O requerimento menciona a desistência da renovação contratual do atacante em meio a um débito estimado em aproximadamente R$ 77 milhões em valores atrasados.
De acordo com o Meu Timão, Leandro Cano sustenta que existiriam elementos suficientes para justificar a abertura de um processo disciplinar contra os dois dirigentes.
O associado afirma ainda que a permanência de Tuma Júnior e Stabile nos respectivos cargos durante a tramitação do processo poderia provocar novos prejuízos ao Corinthians. Por isso, pede que ambos sejam afastados de forma cautelar antes mesmo da conclusão da análise pela Comissão de Ética e Disciplina.
Cano já possui histórico de atuação em questões políticas do clube. Ex-conselheiro por três mandatos, ele acionou o Ministério Público de São Paulo no fim de março para pedir uma intervenção judicial no Corinthians, questionando justamente irregularidades relacionadas à reunião do Conselho Deliberativo que tratou do afastamento de Romeu Tuma Júnior.