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Crise no Corinthians ganha novo capítulo com pedido de afastamento de Tuma e Stabile

Ex-conselheiro Leandro Cano protocolou requerimento nesta quarta-feira e também pede a destituição e expulsão dos dois dirigentes do quadro associativo

Osmar Stabille: presidente do Corinthians assumiu o clube em agosto após impeachment de Augusto Melo (Foto: Reprodução/Corinthians TV)

Osmar Stabille: presidente do Corinthians assumiu o clube em agosto após impeachment de Augusto Melo (Foto: Reprodução/Corinthians TV)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 17h47.

A crise do Corinthians ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira , 12. O associado e ex-conselheiro Leandro Cano, que também é juiz de Direito, protocolou na Comissão de Ética e Disciplina do clube um pedido para que seja instaurado um processo contra Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e Osmar Stabile, presidente da Diretoria Executiva.

Segundo informações do portal "Meu Timão", o requerimento solicita não apenas a abertura da apuração, mas também o afastamento cautelar dos dois dirigentes, seguido de eventual destituição dos cargos e expulsão do quadro associativo, caso as acusações sejam consideradas procedentes.

O documento reúne uma série de episódios envolvendo os dois mandatários e menciona tanto disputas políticas internas quanto investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo.

Pedido envolve acusações contra Tuma e Stabile

No caso de Romeu Tuma Júnior, Cano questiona declarações públicas feitas pelo presidente do Conselho durante as discussões relacionadas à reforma do estatuto do Corinthians. Segundo o requerimento, Tuma teria classificado integrantes da Diretoria Executiva como "autoritários" e "golpistas", sem apresentar as acusações formalmente dentro dos mecanismos disciplinares do clube.

O documento também recupera um episódio ocorrido em março. Na ocasião, o Conselho Deliberativo aprovou, por 115 votos a 15, o afastamento cautelar de Tuma. A decisão, porém, acabou anulada pela Justiça posteriormente por conta de um problema formal no processo de convocação da reunião.

Outro ponto levantado pelo associado envolve os procedimentos disciplinares relacionados à invasão ocorrida em maio de 2025. Cano questiona a atuação de Tuma em diferentes casos e cita, entre outros episódios, a inclusão da possibilidade de suspensão na votação envolvendo Mario Mello Júnior.

O requerimento também contesta a concessão de efeito suspensivo a Claudinei Alves e José Valmir da Costa, posteriormente absolvidos. A defesa dos dirigentes, entretanto, poderia argumentar que a possibilidade de recurso e a decisão dos conselheiros estão previstas no estatuto corintiano.

Stabile é alvo de três pedidos de impeachment

Segundo o portal, a situação de Osmar Stabile também é abordada de forma extensa no documento. O associado cita a existência de três pedidos de impeachment contra o presidente da Diretoria Executiva.

Um deles está relacionado ao oferecimento do clube social como garantia em um acordo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O requerimento também menciona declarações de Stabile sobre a possível existência de funcionários fantasmas no Corinthians.

Outro pedido de impeachment envolve a contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda. por mais de R$ 676 mil. O contrato, referente a serviços de segurança prestados ao clube entre setembro e outubro de 2025, é alvo de apuração do Ministério Público de São Paulo.

Segundo o promotor Cássio Conserino, a empresa não teria autorização da Polícia Federal para atuar no setor de segurança privada.

Investigação sobre empresa de segurança também aparece

A contratação de serviços de segurança é novamente citada no requerimento por causa de outro episódio envolvendo a Bear Security.

No início desta semana, o MP-SP abriu um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar possíveis irregularidades na contratação da empresa. De acordo com a investigação mencionada no documento, o Corinthians teria desembolsado R$ 586.987,65 pelos serviços, segundo o "Meu Timão".

Stabile foi formalmente incluído como investigado, segundo o Meu Timão.

O requerimento também relaciona o presidente ao chamado "Caso Nike". Segundo a argumentação apresentada por Cano, uma nota institucional divulgada pelo Corinthians teria adotado posicionamento favorável a um dirigente investigado no caso, o segundo vice-presidente licenciado Armando Mendonça.

Para o associado, a manifestação teria enfraquecido a posição do clube no processo e atendido a interesses particulares.

Déficit e Memphis Depay entram na lista

Além das questões envolvendo investigações e disputas políticas, o documento reúne outros episódios da administração Stabile.

Entre elas estão declarações do presidente de que "cada conselheiro tem um contrato embaixo do braço", feitas em entrevista à TMC no início de junho.

Também é mencionada a aprovação das contas referentes a 2025, que registraram déficit de R$ 143,4 milhões, ainda que com ressalvas da auditoria externa.

Outro ponto citado é a decisão relacionada ao futuro de Memphis Depay. O requerimento menciona a desistência da renovação contratual do atacante em meio a um débito estimado em aproximadamente R$ 77 milhões em valores atrasados.

Associado pede afastamento antes da conclusão

De acordo com o Meu Timão, Leandro Cano sustenta que existiriam elementos suficientes para justificar a abertura de um processo disciplinar contra os dois dirigentes.

O associado afirma ainda que a permanência de Tuma Júnior e Stabile nos respectivos cargos durante a tramitação do processo poderia provocar novos prejuízos ao Corinthians. Por isso, pede que ambos sejam afastados de forma cautelar antes mesmo da conclusão da análise pela Comissão de Ética e Disciplina.

Cano já possui histórico de atuação em questões políticas do clube. Ex-conselheiro por três mandatos, ele acionou o Ministério Público de São Paulo no fim de março para pedir uma intervenção judicial no Corinthians, questionando justamente irregularidades relacionadas à reunião do Conselho Deliberativo que tratou do afastamento de Romeu Tuma Júnior.

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