Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, apoiou a decisão da CBF de reduzir o número de estrangeiros nos elencos dos clubes brasileiros. (Buda Mendes/Getty Images) ((Foto de Buda Mendes/Getty Images))
Redator na Exame
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 18h26.
RESUMO | Em entrevista coletiva em Townsville antes do amistoso contra a Austrália, o técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, manifestou apoio à decisão da CBF e dos clubes de reduzir gradualmente o limite de jogadores estrangeiros nas Séries A e B.
Durante a preparação da Seleção Brasileira em solo australiano para o primeiro amistoso da Data FIFA, o técnico Carlo Ancelotti comentou um dos temas mais quentes dos bastidores do esporte nacional nesta semana: a decisão conjunta entre a CBF e os clubes das Séries A e B para reduzir o número de jogadores estrangeiros permitidos por partida. Para o treinador italiano, a medida é vista com bons olhos, pois cumpre um papel fundamental na proteção e no fomento do "talento brasileiro", garantindo maior minutagem e espaço de desenvolvimento para as jovens promessas do país.
"A redução de estrangeiros no futebol brasileiro é um aspecto muito importante para dar oportunidade ao talento brasileiro e aos jogadores de terem mais minutos no Campeonato Brasileiro. Me parece que não é um divieto [proibição], é reduzir ano a ano. É uma coisa muito positiva para o futebol", afirmou o treinador da Seleção durante coletiva de imprensa.
A mudança regulatória responde diretamente a um levantamento estatístico da própria entidade nacional, que apontou uma queda expressiva no aproveitamento de jogadores brasileiros sub-23 nas últimas temporadas, paralelamente ao boom de contratações internacionais. Para se ter uma ideia do salto, o número de atletas estrangeiros acionados em partidas da Série A disparou de 95 em 2022 para 162 em 2025. O cenário representou uma reviravolta em relação à flexibilização anterior, quando o limite subiu de cinco para sete vagas em 2023, chegando a nove em 2024.
Diante de um cenário de envelhecimento dos elencos e de queda expressiva na minutagem de atletas formados nas categorias de base, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das Séries A e B aprovaram um pacote de reformas estruturais que altera profundamente a montagem dos times no futebol nacional. Com o objetivo declarado de "rejuvenescer e abrasileirar" as equipes, a medida estabelece uma redução progressiva no limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida — que cairá dos atuais nove para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e chegará a cinco em 2030 —, ao mesmo tempo em que reorganiza as listas de inscrições para obrigar o preenchimento de vagas por atletas Sub-23.
O diagnóstico que fundamentou a mudança, apresentado pela CBF Academy, revelou que a idade média dos jogadores da Série A saltou de 27,3 anos em 2021 para 28,5 anos em 2026, posicionando o Brasil com a maior média entre as seis grandes ligas analisadas globalmente. Paralelamente, o espaço dedicado a jovens talentos brasileiros despencou: os atletas Sub-23 representaram apenas 11,5% dos minutos disputados na Série A em 2026, uma queda drástica em comparação aos 28,3% registrados em 2020. No sentido inverso, a participação de estrangeiros com mais de 23 anos saltou de 7,8% para 25% no mesmo período, impulsionada pelo forte apelo comercial e técnico recente.
Para reverter esse quadro sem fechar as portas do mercado internacional — mantendo a liberdade de contratação, mas limitando o uso em súmula —, a reforma também dividiu as 50 vagas de inscrição em duas frentes: a Lista A (para maiores de 23 anos) e a Lista B (exclusiva para Sub-23). A proporção evoluirá gradualmente até atingir um teto equilibrado de 25 vagas para cada faixa etária em 2030. Embora a medida tenha gerado debates e votos contrários de clubes como Flamengo, Bahia e Londrina — sob o argumento de eventual perda de competitividade internacional —, a cúpula da CBF defende que a restruturação é vital não apenas para a intensidade física e técnica do Brasileirão, mas também para preservar o modelo de negócios de exportação de jovens talentos, faixa etária que respondeu por mais de metade das receitas de transferências do futebol brasileiro na última década.
Com o objetivo de permitir que os clubes se planejem financeiramente e ajustem seus elencos sem impactos repentinos, a transição para o novo limite de estrangeiros será feita de forma escalonada ao longo dos próximos anos:
Após o compromisso desta sexta-feira, a delegação brasileira voltará a enfrentar os australianos na próxima terça-feira, 29, às 7h, desta vez no Suncorp Stadium, em Brisbane, antes de retornar para o duelo contra a Índia marcado para o dia 3 de outubro, em Calcutá. Do lado da Austrália, o técnico Tony Popovic convocou 26 atletas — incluindo remanescentes da Copa do Mundo de 2026 — para tentar frear o ímpeto da equipe sul-americana.
A partida terá transmissão ao vivo em sinal aberto pela TV Globo, na grade fechada pelo SporTV, além das opções de streaming via Globoplay e pelo canal do GE TV no YouTube.
O técnico apoiou a redução gradual, avaliando que a medida protege e abre mais espaço para o desenvolvimento de jovens talentos brasileiros.
A redução será progressiva: de nove em 2026, o limite cairá para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e chegará a cinco em 2030.
Um estudo apontou que atletas brasileiros sub-23 estavam perdendo minutagem e espaço devido ao crescimento acelerado da presença de estrangeiros no Brasileirão.
O número de atletas de fora que entraram em campo na Série A saltou de 95 em 2022 para 162 em 2025.
O Brasil entra em campo nesta sexta-feira, às 7h (de Brasília), para enfrentar a Austrália no primeiro de dois amistosos seguidos no país.