Lincoln Field, na Filadéfila, completamente lotado; estádio chegou a receber jogo do Brasil na fase de grupos (Mauro Pimentel/AFP)
Repórter
Publicado em 10 de julho de 2026 às 16h52.
A Copa do Mundo 2026 vem se confirmando como sucesso absoluto de público. Até o fim das oitavas definal, que acabaram nesta semana, 6.259.584 pessoas estiveram presentes nos 96 jogos disputados, representando uma taxa de ocupação de 99,7% e média de 65.204 torcedores por partida.
O total da edição atual representa quase o dobro dos recordes anteriores, que são EUA 1994, com 3.587.538 de fãs, e o Brasil em 2014, com 3.429.873 milhões.
Entre os estádios que receberam os maiores públicos estão justamente aqueles com maior capacidade, caso principal do Azteca, na Cidade do México, que teve 100% dos ingressos vendidos nos cinco jogos disputados no local, totalizando 404.120 espectadores.
Para Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataformaque faz gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, alguns fatores importantes contribuem para as excelentes médias de públicos em Copas do Mundo, e uma delas vai além das questões financeiras.
"Existe um público internacional com alto poder aquisitivo que enxerga a Copa como uma experiência de vida, e não apenas como um jogo de futebol. São pessoas que já gastam milhares de dólares com viagens, hospedagem e hospitalidade e, nesse contexto, o valor do ingresso acaba representando uma parcela relativamente pequena do investimento total", exemplifica.
Segundo ele, não havia a mínina chance dos estádios não estarem lotados na edição atual do evento, como se chegou a falar antes do início da Copa. "Eu nunca acreditei que haveria estádios vazios. Uma Copa do Mundo é um evento único, que atrai públicos muito diferentes: o torcedor tradicional, o turista, o fã que viaja o mundo atrás de grandes eventos e também o consumidor que decide a viagem de última hora", diz.
Ainda de acordo com Robson Carlo, uma outra mudança significativa foi a forma de comercialização os ingressos. "O preço dinâmico permite que a organização ajuste os valores de acordo com a demanda em tempo real, algo que já acontece há anos em companhias aéreas, hotéis e em ligas como NFL, NBA e MLB. Isso ajuda a maximizar a receita sem necessariamente comprometer a ocupação. Quando existe uma demanda global como a da Copa, o mercado acaba encontrando seu ponto de equilíbrio. Alguns jogos ficam mais caros, outros permanecem acessíveis, e a ocupação tende a se manter alta. Na minha visão, o maior aprendizado é que hoje o ingresso deixou de ser apenas um bilhete de acesso. Ele passou a ser um ativo cuja precificação acompanha o interesse do mercado", aponta.
Para especialistas, o fato dos estádios terem quase 100% de ocupação mesmo com preços caríssimos comprova que existe um público que trata a Copa do Mundo como um grande evento no calendário pessoal.
"Os números mostram que em eventos de grande apelo, a percepção de valor muitas vezes supera a sensibilidade ao preço. Mesmo diante de ingressos mais caros, a demanda permaneceu extremamente elevada, o que demonstra a força do produto Copa do Mundo e a capacidade do mercado de absorver estratégias mais sofisticadas de precificação", diz Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol.
"Esses dados confirmam uma tendência que acompanhamos há anos: o torcedor busca cada vez mais experiências completas e memoráveis, desenvolvendo pacotes exclusivos que unem hospitalidade, conforto, segurança e suporte especializado em cada etapa da jornada. Esse movimento se refletiu diretamente na alta procura pelos nossos produtos, reforçando a importância de oferecer um serviço de excelência para um público cada vez mais exigente”, comenta Joaquim Lo Prete, General Manager da ABSOLUT Sport no Brasil, agência de experiências esportivas e que comercializa pacotes de viagem para os principais eventos do mundo.