Kaepernick: atleta se posicionou e gerou polêmica na NFL (Michael Zagaris/Getty Images)
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Publicado em 30 de agosto de 2026 às 08h53.
Há dez anos, Colin Kaepernick protagonizou um dos gestos mais marcantes da história recente do esporte. O então quarterback do San Francisco 49ers decidiu protestar durante o hino nacional dos Estados Unidos antes de partidas da NFL, em uma manifestação contra a violência policial e o racismo no país.
Inicialmente, Kaepernick permaneceu sentado durante a execução do hino. O gesto passou despercebido nas primeiras partidas até que o repórter Steve Wyche, da NFL Network, questionou o jogador sobre o motivo de não se levantar.
Foi então que Kaepernick explicou publicamente sua decisão. O quarterback afirmou que não poderia se colocar de pé para representar um país que, em sua visão, não tratava todos os cidadãos da mesma forma. Pouco tempo depois, o protesto ganhou a forma que se tornaria conhecida mundialmente.
Após conversar com Nate Boyer, ex-jogador da NFL e ex-integrante das Forças Especiais dos Estados Unidos, Kaepernick decidiu passar a se ajoelhar durante o hino nacional. A mudança buscava tornar o protesto mais respeitoso aos militares, sem alterar sua mensagem.
A imagem do quarterback ajoelhado rapidamente ultrapassou os limites do futebol americano.
O gesto provocou debates sobre racismo, violência policial e liberdade de expressão, mas também colocou Kaepernick no centro de uma das maiores polêmicas da história da NFL.
A reação foi intensa. O jogador recebeu críticas de diferentes setores da sociedade e, depois de deixar o San Francisco 49ers, não voltou a disputar uma partida na liga.
A saída de Kaepernick da NFL transformou sua história em um dos principais símbolos da relação entre esporte e ativismo. Para seus defensores, o quarterback foi afastado da liga por causa do protesto. Para críticos, sua situação foi resultado de uma combinação de fatores esportivos e extracampo.
Independentemente da interpretação, Kaepernick não voltou a jogar na NFL. O episódio também abriu espaço para uma nova discussão sobre o papel dos atletas em debates sociais. Nos anos seguintes, jogadores de diferentes modalidades passaram a utilizar competições, entrevistas e redes sociais para se posicionar sobre questões políticas e sociais.
O próprio gesto de ajoelhar-se foi repetido por atletas em diversos esportes, especialmente durante manifestações contra o racismo e a violência policial.
Dez anos após o início do protesto, Kaepernick continua ligado às causas que motivaram sua manifestação. Nas últimas semanas, a Know Your Rights Camp, organização fundada pelo ex-quarterback, renovou o compromisso de destinar US$ 1 milhão a comunidades locais, iniciativa que havia sido assumida inicialmente em 2016, segundo o The Athletic.
A ação ocorreu sem grandes eventos ou campanhas de divulgação, mantendo uma característica presente desde o início da trajetória de Kaepernick como ativista.
O cenário do esporte também mudou ao longo da última década. Ligas passaram a promover campanhas institucionais, atletas se posicionaram com mais frequência sobre temas sociais e grandes eventos esportivos se tornaram espaços para manifestações.
Ao mesmo tempo, o aumento da presença de atletas no debate público também provocou discussões sobre os limites entre ativismo, imagem pessoal e exposição nas redes sociais.