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Brasil deve parar nas quartas da Copa do Mundo, aponta simulação do Perplexity

Enquanto Claude, ChatGPT e Gemini distribuíram os pesos de forma relativamente equilibrada entre histórico, ranking e elenco, o Perplexity colocou desempenho recente como variável dominante

Copa do Mundo: IAs preveem quem deve levar a taça no torneio  (Imagem gerada por IA)

Copa do Mundo: IAs preveem quem deve levar a taça no torneio (Imagem gerada por IA)

Publicado em 2 de junho de 2026 às 05h17.

Entre as quatro inteligências artificiais testadas pela EXAME, o Perplexity foi o que mais divergiu metodologicamente.

Enquanto Claude, ChatGPT e Gemini distribuíram os pesos de forma relativamente equilibrada entre histórico, ranking e elenco, o Perplexity colocou desempenho recente como variável dominante, com peso de 25%, e reduziu o histórico em Copas a apenas 10%.

A lógica é provocadora: o que uma seleção fez em 2002 ou em 1998 importa menos do que o que ela fez nos últimos dois anos.

Com essa calibração, os números absolutos ficaram menores, e as probabilidades se comprimiram, aproximando os favoritos. A França saiu com 7,56% de probabilidade de título. A Espanha, com 7,53%. A Argentina, com 7,45%. Diferenças de centésimos separaram o primeiro do terceiro lugar.

Mas o campeão foi o mesmo: França.

O modelo do Perplexity também produziu a tabela de favoritos mais favorável ao Brasil entre as quatro plataformas. Com peso menor para histórico — que favoreceria seleções como Alemanha e Argentina — e peso maior para desempenho recente, o Brasil subiu para o quarto lugar, com 7,30% de probabilidade de título.

A diferença entre o Perplexity e as outras IAs não é no campeão, mas em quanto o Brasil pode sonhar.

Modelo matemático · 10.000 simulações
Top 10 favoritos — Copa do Mundo 2026
Probabilidade de título calculada por Claude, ChatGPT, Gemini e Perplexity

Seleção
Claude
ChatGPT
Gemini
Perplexity

1
🇫🇷
França
Favorita em todos os modelos
~17%
16,78%
16,78%
7,56%

2
🇪🇸
Espanha
Diferença de décimos para a França
~17%
16,00%
16,00%
7,53%

3
🇦🇷
Argentina
Campeã em 2022; 3ª no ranking FIFA
~12%
8,58%
8,58%
7,45%

4
🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿
Inglaterra
4º no ranking FIFA; elenco de €1,3 bi
~11%
10,80%
10,80%
7,04%

5
🇵🇹
Portugal
5º no ranking FIFA; elenco profundo
~9%
9,06%
9,06%
6,24%

6
🇧🇷
Brasil
Grupo C · Percurso modal: quartas de final
~12%
8,00%
8,00%
7,30%

7
🇩🇪
Alemanha
4 títulos; desempenho recente irregular
~5%
5,40%
5,40%

8
🇳🇱
Holanda
Principal obstáculo do Brasil nas oitavas
~4%
3,76%
3,76%
5,80%

9
🇧🇪
Bélgica
Geração de ouro em declínio
~3%
2,60%
2,60%
6,23%

10
🇭🇷
Croácia
Vice em 2018; 11º no ranking FIFA
~2%
2,02%
2,02%

Metodologia: Cada plataforma construiu um Índice de Força da Seleção (IFS) com pesos próprios para ranking FIFA, desempenho recente, força ofensiva e defensiva, elenco e histórico em Copas. O torneio foi simulado 10.000 vezes por cada IA. Os números do Claude são aproximados por faixa; ChatGPT e Gemini usaram a mesma calibração; Perplexity deu peso maior ao desempenho recente, comprimindo as probabilidades absolutas. Traço (—) indica seleção fora do top 10 daquela plataforma. Ranking FIFA: 1º de abril de 2026.

O percurso brasileiro

No Grupo C, com Marrocos, Escócia e Haiti, os modelos estimam entre 88% e 92% de probabilidade de o Brasil avançar. Marrocos — semifinalista em 2022 e oitavo no ranking Fifa de abril de 2026 — é o único adversário da fase de grupos classificado como risco real, com probabilidade de vitória brasileira entre 52% e 58%.

O problema começa depois. Se o Brasil terminar em primeiro no Grupo C, enfrenta o segundo colocado do Grupo F nas oitavas — onde estão Holanda, Japão, Suécia e Tunísia.

Nas quartas, o adversário projetado pertence ao bloco de França, Espanha, Inglaterra ou Portugal. É ali que o percurso modal brasileiro termina nos quatro modelos.

A probabilidade de título oscila entre 7,30% e 12% dependendo da plataforma.

Como funcionam os modelos?

Todas as IAs partiram de uma estrutura comum: um índice ponderado que combina variáveis mensuráveis, como ranking Fifa, desempenho recente, força ofensiva, força defensiva, valor de mercado do elenco e histórico em Copas do Mundo.

Com esse índice calculado para cada seleção, a probabilidade de vitória em qualquer jogo é determinada pela razão entre os índices dos dois times.

Depois, o torneio inteiro é simulado 10 mil vezes, e a frequência com que cada seleção levanta a taça vira a probabilidade de título.

A divergência entre as IAs está nos pesos de cada variável, e essa diferença de calibração explica por que os números finais variam, mesmo partindo dos mesmos dados de base.

O ChatGPT e o Gemini deram peso maior ao ranking Fifa (0,22) e ao elenco (0,19), tratando a profundidade do time como fator dominante.

O Perplexity inverteu a hierarquia e colocou desempenho recente como variável central (0,25), com histórico reduzido a 10% — a lógica de que o que aconteceu em 2002 importa menos do que o que aconteceu em 2024.

O Claude priorizou histórico (0,22) e desempenho recente (0,20) em conjunto, apostando que Copas são torneios de pressão acumulada e que só seleções com tradição de mata-mata sabem administrar esse ambiente.

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