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Zurich financia reabilitação para vítimas de acidentes de trânsito na AACD

Campanha começa neste mês, durante a Semana Nacional de Trânsito. Pacientes atendidos pela instituição permanecem, em média, cinco meses em recuperação, com três sessões semanais

Zurich e AACD: recursos serão bancados integralmente pela seguradora em um país que registrou 37.150 mortes por causas de transporte em 2024 (Zurich Seguros/Getty Images)

Zurich e AACD: recursos serão bancados integralmente pela seguradora em um país que registrou 37.150 mortes por causas de transporte em 2024 (Zurich Seguros/Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 09h30.

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A Zurich Seguros vai financiar cerca de 5 mil atendimentos na AACD destinados exclusivamente à reabilitação de vítimas de acidentes de trânsito. A parceria, inédita entre a seguradora e a instituição, começa em setembro e associa as apólices de seguro automóvel emitidas pela companhia durante o mês ao apoio aos pacientes. A informação foi divulgada em primeira mão para a EXAME.

Batizada de Zurich Novos Caminhos, a campanha não terá custo adicional para quem contratar o seguro. A contribuição será integralmente custeada pela Zurich e destinada à AACD, referência em ortopedia e reabilitação de pessoas com mobilidade reduzida e com deficiência, para apoiar os atendimentos.

A iniciativa, de acordo com a seguradora, busca incluir à atuação da Zurich no seguro automotivo uma frente voltada às consequências posteriores aos acidentes.

Na AACD, pacientes vítimas de ocorrências de trânsito permanecem, em média, cinco meses em reabilitação e realizam três atendimentos por semana.

A duração do tratamento ajuda a mostrar uma dimensão dos acidentes que vai além dos indicadores de mortes. Segundo a AACD, mais de 40% das linhas de cuidado oferecidas em seus Centros de Reabilitação podem ter relação com sinistros de trânsito. Entre elas estão os tratamentos para lesão encefálica adquirida, dano cerebral desenvolvido após o nascimento, além de amputação e lesão medular.

Brasil teve 37 mil mortes no trânsito em 2024

A parceria é lançada em um momento de crescimento das mortes no trânsito no Brasil. O país registrou 37.150 óbitos por causas externas de transporte em 2024, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS.

Foi o quinto aumento anual consecutivo desde 2020. Entre 2023 e 2024, o número de mortes cresceu 6,5%, o equivalente a 2.269 vidas, de acordo com análise do Observatório Nacional de Segurança Viária.

Os motociclistas representaram 41,6% das mortes de 2024. Foram 15.459 óbitos em sinistros envolvendo motocicletas, segundo o DataSUS/SIM. O risco também aumentou quando considerado o volume de deslocamentos: o país chegou a 28,04 mortes por bilhão de quilômetros percorridos em 2024, alta de 2,4% sobre 2023, segundo estimativas baseadas em dados de frota, extensão da rede e registros de mortalidade.

Homens representam cerca de 82% das pessoas que morrem no trânsito. A faixa entre 20 e 24 anos concentra o maior número absoluto de mortes, enquanto as pessoas de 25 a 54 anos respondem por aproximadamente 54% dos óbitos. Entre os idosos, as mortes cresceram 8,6% em 2024, com avanço de 17,2% entre aqueles de 60 a 64 anos.

Nas rodovias federais, houve uma pequena redução dos principais indicadores em 2025, embora o número de vítimas continue elevado. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizou 72.483 sinistros, 6.044 mortes e 83.483 feridos no ano. Em 2024, haviam sido registrados 73.156 sinistros, 6.160 óbitos e 84.526 feridos.

Acidentes também pressionam gastos com saúde

Para quem sobrevive, as consequências dos acidentes podem envolver internações, passagem por unidades de terapia intensiva e meses de reabilitação — etapa na qual está concentrada a parceria entre Zurich e AACD.

Dados estaduais dão uma dimensão dessa demanda. No Paraná, 12.697 internações por lesões de trânsito foram registradas em 2025, com mais de R$ 23,5 milhões em despesas para o Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados do DataSUS e da Secretaria de Estado da Saúde.

No Rio Grande do Norte, a rede estadual realizou 22.478 atendimentos de vítimas do trânsito. Foram 6.891 internações, equivalentes a 30,7% dos atendimentos, e 843 passagens por UTI, ou 3,75%. O faturamento ao SUS chegou a R$ 6,36 milhões no período, enquanto o impacto estimado para 2025 alcança R$ 60 milhões, de acordo com dados compilados pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) para a Secretaria de Estado da Saúde Pública.

Entre os motociclistas, o SUS pagou R$ 2,42 bilhões por internações entre 2015 e 2025. Quando considerados os custos assistenciais reais, e não somente os repasses, a estimativa chega a aproximadamente R$ 8,3 bilhões entre 2021 e 2025.

Em uma estimativa mais ampla, estudos do Ipea sobre os impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito apontam custos de cerca de R$ 132 bilhões por ano associados a acidentes de transporte. O cálculo considera componentes que vão de despesas médicas e danos materiais à perda de produtividade e ao valor estatístico da vida.

Campanha acompanha Semana Nacional de Trânsito

A Zurich escolheu setembro para colocar a iniciativa em prática no mesmo mês da Semana Nacional de Trânsito, realizada entre os dias 18 e 25. Segundo a companhia, a campanha também pretende chamar atenção para segurança viária e para a reabilitação necessária depois dos acidentes.

No Brasil, a seguradora mantém ainda iniciativas sociais e ambientais, entre elas o projeto Floresta Zurich, e investimentos no esporte. A nova parceria com a AACD leva essa agenda para uma área diretamente relacionada a uma das atividades comerciais da companhia: o seguro de automóveis.

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