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Projeto abre caminho para a realização da primeira Conferência das Partes do Oceano (Freepik)
Repórter de ESG
Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 15h00.
Após vinte anos de negociações, entrou em vigor neste sábado, 17, o Tratado Global dos Oceanos, o primeiro marco legal internacional para a conservação da biodiversidade no alto-mar. O acordo representa um avanço histórico para a proteção de uma área que corresponde a cerca de dois terços dos oceanos do planeta e que, até hoje, não contava com mecanismos eficazes de conservação.
Atualmente, apenas cerca de 1% das áreas em alto-mar está protegida. O tratado muda esse cenário ao abrir a possibilidade para a criação de áreas marinhas protegidas em águas internacionais e estabelecer avaliações de impacto ambiental obrigatórias nessas regiões.
"O Tratado Global dos Oceanos é um momento histórico ao multilateralismo, à governança global, à proteção dos oceanos e ao enfrentamento à crise climática", afirma Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil.
O acordo também estabelece que os benefícios dos recursos marinhos sejam compartilhados de forma justa entre os países, com foco em comunidades tradicionais e povos originários das zonas costeiras.
O alto-mar é a área dos oceanos que está além das jurisdições nacionais, começando a cerca de 370 km da costa. Ele cobre quase metade da superfície da Terra e abriga ecossistemas essenciais para a regulação do clima e da vida marinha.
Os oceanos cobrem 71% da superfície terrestre e são responsáveis por absorver até 30% dos gases de efeito estufa da atmosfera, segundo o IPCC. Para Andrade, o tratado precisa ser acompanhado de ações urgentes, como a criação de santuários em alto-mar e a integração com compromissos climáticos e de proteção da biodiversidade.
"Não dá para seguirmos ignorando esses dados. Precisamos de ações concretas, a níveis nacionais e global, que posicionem os oceanos como espaço central para discussões climáticas e de proteção da biodiversidade", destaca.
O Brasil ratificou o acordo em 2025 e entregou o instrumento de ratificação durante a COP30. A adesão é estratégica para garantir a proteção da biodiversidade no Atlântico Sul e reforça o compromisso do país com uma agenda ambiental centrada nos oceanos para o Sul Global.
O Tratado Global dos Oceanos, também conhecido como Acordo BBNJ (sigla em inglês para Biodiversity Beyond National Jurisdiction), abre caminho para a realização da primeira Conferência das Partes do Oceano, a COP dos Oceanos, prevista para o segundo semestre de 2026.
O tratado foi aberto à ratificação dos países em 2023, com a meta de alcançar 60 adesões até 2025 para entrar em vigor em 2026. O acordo também contribui para o cumprimento da meta global 30×30, que estabelece a proteção de 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.