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Seguradoras e bancos atrasam avanço da sustentabilidade na construção, diz setor

Barômetro da Construção Sustentável 2026 avalia que falta de clareza sobre retorno financeiro é entrave para avanço da adaptação e resiliência

construção sustentável é vista como prioridade por 76% dos stakeholders e cidadãos (Leandro Fonseca/Exame)

construção sustentável é vista como prioridade por 76% dos stakeholders e cidadãos (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 24 de maio de 2026 às 07h40.

A construção sustentável e resiliente já é vista como prioridade diante do aumento de eventos climáticos extremos, mas ainda enfrenta barreiras para avançar em larga escala.

Um estudo da Saint-Gobain mostra que bancos e seguradoras reconhecem a importância da adaptação climática, mas a falta de clareza sobre o retorno financeiro continua sendo o principal entrave.

O levantamento faz parte do Barômetro da Construção Sustentável 2026, que pela primeira vez ouviu instituições financeiras em diferentes países. A pesquisa revela que, embora o tema esteja ganhando espaço, ele ainda não se consolidou como critério decisivo em financiamentos e seguros.

De acordo com os entrevistados, o maior desafio é comprovar o retorno sobre o investimento. Diferente da redução de emissões de CO₂, que já conta com métricas padronizadas, os benefícios da resiliência aparecem no longo prazo e muitas vezes de forma indireta — como evitar perdas futuras ou garantir a continuidade dos negócios.

Na prática, os custos imediatos pesam mais do que ganhos difusos, o que dificulta a entrada da resiliência nos modelos financeiros.

Percepção ainda frágil

O estudo mostra que apenas 47% dos profissionais acreditam que a construção sustentável gera mais valor econômico do que a tradicional. A percepção é especialmente baixa na Europa e na Ásia-Pacífico.

Para mudar esse cenário, especialistas apontam três caminhos:

  • Tornar benefícios visíveis para investidores e usuários.
  • Comprovar desempenho das soluções aplicadas.
  • Mostrar competitividade frente aos métodos convencionais.

Papel do setor financeiro na construção

O Barômetro destaca que bancos e seguradoras podem acelerar a transformação ao incluir adaptação e resiliência em suas análises de risco. Isso passa por:

  • Criar padrões operacionais mais claros.
  • Traduzir riscos físicos em métricas econômicas.
  • Desenvolver instrumentos financeiros específicos.
  • Integrar resiliência nas avaliações de projetos e portfólios.

Brasil vê urgência maior no tema

No Brasil, a construção sustentável é vista como prioridade por 76% dos stakeholders e cidadãos — acima da média global. Porém, só 35% acreditam que ela gera mais valor econômico do que os métodos tradicionais.

Entre os pontos considerados essenciais para avançar estão:

  • Transparência no desempenho das construções.
  • Competitividade de materiais e soluções sustentáveis.
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