Oferecimento:
Parceiro institucional:
Conflito no Oriente Médio pressiona preços do petróleo e coloca em xeque a dependência de combustíveis fósseis (Stock/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 23 de maio de 2026 às 14h00.
O conflito no Oriente Médio é um teste para a economia global e a forte dependência de combusíveis fósseis leva setores inteiros a literalmente "travarem" diante da volatilidade do petróleo.
Para as indústrias intensivas em energia, esse ciclo já não é apenas um risco financeiro e reforça a urgência da transição energética para muito além da agenda ambiental.
O Brasil, líder em matriz renovável, está na frente nessa corrida e desponta com uma vantagem estratégica que a maioria dos países não têm.
Daniel Scuzzarello, vice-presidente e country manager da Siemens Digital Industries Software no Brasil, destaca à EXAME que a competitividade não vem apenas da fonte de energia e sim de como ela é usada.
"A pergunta não é só 'qual combustível usamos?', mas 'como o utilizamos de forma mais inteligente?'. É aí que a transformação digital se torna peça-chave", reflete.
Ou seja, a resposta para reduzir a dependência de fósseis, segundo ele, passa pela eficiência como base.
Para o executivo, um dos maiores desafios da transição energética nas indústrias de processo não é tecnológico e nem regulatório: é a invisibilidade do próprio desperdício.
Sem ferramentas digitais, o consumo excessivo de energia se esconde nos processos cotidianos, imperceptível até para gestores.
"Uma fábrica de celulose pode descobrir que até 10% da energia é perdida em ineficiências de processo que eram invisíveis antes da digitalização", exemplifica Scuzzarello.
Em setores como mineração, celulose e petróleo e gás, a melhoria de 2% a 5% na eficiência energética se traduz diretamente em expansão de margem.
A digitalização resolve esse ponto ao criar visibilidade em tempo real. É aqui que a inteligência artificial entra como uma grande aposta.
Algoritmos de otimização ajustam operações continuamente, cruzando demanda, preços de energia e cronogramas de produção. E a tomada de decisão acontece em tempo real.
"Em um cenário de energia cara, não é possível esperar relatórios mensais. É preciso contar com sistemas que respondam instantaneamente, ajustando cargas, otimizando cronogramas e gerenciando automaticamente os custos de demanda de pico", explica o executivo.
Se a digitalização atua no presente das operações, os gêmeos digitais trabalham o futuro e projetam produtos e processos mais eficientes. A tecnologia cria réplicas virtuais completas de uma planta industrial e permite testar milhares de cenários com IA sem parar a produção.
"Historicamente, melhorias de eficiência aconteciam por tentativa e erro, muitas vezes com custos elevados e riscos operacionais significativos. Agora, podemos modelar toda a operação: cada processo e cada variável", complementa Scuzzarello.
A pressão por descarbonização vinda das cadeias globais de suprimentos transforma eficiência energética em requisito. Exportadoras brasileiras de celulose, minério e manufaturados enfrentam clientes que exigem compromissos ambientais e o Brasil tem condições únicas de atender essa demanda.
"Os produtores brasileiros podem superar concorrentes em preço enquanto mantêm margens mais fortes. Esse é o ciclo virtuoso: a sustentabilidade se torna a vantagem competitiva, e não o custo", resume Scuzzarello.
Para as indústrias intensivas em energia, a mensagem da Siemens é clara: a transição energética é uma corrida e a tecnologia pode definir quem chega na frente.