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Qual é o profissional que ‘lê’ a chuva antes que ela vire crise?

Quando energia e resiliência urbana dependem de disponibilidade hídrica, a engenharia de recursos hídricos se torna o pilar da segurança operacional

Recursos hídricos: engenheiro analisa dados para reduzir riscos em energia, cidades e abastecimento. (Adobe Stock)

Recursos hídricos: engenheiro analisa dados para reduzir riscos em energia, cidades e abastecimento. (Adobe Stock)

Publicado em 10 de julho de 2026 às 15h00.

Última atualização em 13 de julho de 2026 às 11h01.

A água é atualmente um recurso tão estratégico quanto qualquer insumo energético, e a imprevisibilidade climática torna isso cada vez mais evidente. Por trás da sua gestão, está a figura do engenheiro de recursos hídricos, profissional que traduz dados hidrológicos e incertezas climáticas em segurança operacional para o Sistema Interligado Nacional (SIN), saneamento e infraestruturas urbana e rural.

No Brasil, nenhuma outra área ilustra melhor sua relevância do que o setor elétrico. Com a , o engenheiro de recursos hídricos ocupa um papel central na operação do SIN. Sua função vai além do dimensionamento e projeto de reservatórios, envolvendo também a análise contínua do equilíbrio entre disponibilidade hídrica e demanda energética, embasando a tomada de decisões no setor.

A crise hídrica de 2021 é um exemplo dessa interdependência, em que os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste atingiram o patamar mínimo histórico de 26%, e o governo foi obrigado a acionar termelétricas a um alto custo, além de criar a inédita Bandeira de Escassez Hídrica. O episódio revelou que a segurança energética do país passa, antes de tudo, pela qualidade das previsões hidrológicas.

Essa capacidade de antecipar cenários também torna o profissional de recursos hídricos um agente fundamental na gestão de riscos climáticos. Com mais de 60% dos municípios brasileiros registrando anualmente ocorrências de alagamentos e inundações, a modelagem de cheias e projetos de sistemas de drenagem sustentáveis deixaram de ser soluções pontuais para se tornarem prioridades do planejamento urbano. A abordagem contemporânea da engenharia de recursos hídricos prioriza a infiltração e o armazenamento hídrico no lugar do escoamento superficial acelerado, unindo eficiência técnica e sustentabilidade ambiental.

Além da escala urbana, o profissional atua como mediador técnico em conflitos pelo uso da água. Com demandas crescentes entre diferentes setores, o debate sobre uso múltiplo da água tornou-se um dos mais complexos no país. Nesse contexto, o engenheiro de recursos hídricos quantifica e hierarquiza essas demandas concorrentes, avalia os impactos das outorgas solicitadas e propõe soluções que permitam a coexistência sustentável entre os múltiplos usos, extrapolando a área técnica das ciências exatas e entrando na esfera subjetiva do planejamento territorial.

O engenheiro de recursos hídricos é, portanto, o profissional que utiliza o planejamento para lidar com a incerteza. Seja no despacho de energia elétrica, ou na resiliência de cidades frente a eventos extremos, ou na mediação de conflitos pelo uso da água, sua atuação é o elo entre a variabilidade do clima e a continuidade dos sistemas que sustentam a sociedade.

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