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Perspectivas atuais sobre investimentos sustentáveis

Compreendendo e integrando os sinais de sustentabilidade como fatores de eficiência, competitividade e resiliência

Onara Lima: Os indicadores gerais sobre o interesse em investimentos sustentáveis mantêm-se em níveis muito elevados, atingindo 92% dos respondentes globais (We Are/Getty Images)

Onara Lima: Os indicadores gerais sobre o interesse em investimentos sustentáveis mantêm-se em níveis muito elevados, atingindo 92% dos respondentes globais (We Are/Getty Images)

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 09h00.

Por Onara Lima*

A alocação de capital é o processo estratégico de direcionar recursos financeiros para diferentes ativos, projetos ou áreas de negócios. Seu objetivo principal é maximizar o retorno sobre o investimento (ROI) e mitigar riscos, seja em uma empresa (focada em expansão e dividendos) ou em sua vida financeira pessoal. Para executivos e gestores, a alocação de capital envolve escolher a melhor forma de utilizar o caixa gerado ou o capital captado.

Para garantir a viabilidade, as companhias utilizam métricas como o Custo de Capital, a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o Valor Presente Líquido (VPL) para comparar cenários e priorizar os projetos mais rentáveis.

Neste cenário, podemos considerar uma gestão temerária não integrar os aspectos ESG na alocação de capital e portfólios resilientes, equilibrando e mapeando as oportunidades na estratégia para proteção e geração de valor.

De acordo com o relatório liderado pelo Morgan Stanley Institute for Sustainable Investing, foram ouvidos 2.250 investidores individuais em todo o mundo para entender suas perspectivas atuais sobre investimentos sustentáveis. as principais conclusões para 2026 trouxeram dados que precisam ser reconhecidos e integradas na perspectiva financeira e estratégica dos negócios, visto que o acesso ao capital deve considerar tais fatores em sua alocação.

Os indicadores gerais sobre o interesse em investimentos sustentáveis mantêm-se em níveis muito elevados, atingindo 92% dos respondentes globais, um aumento de quatro pontos em relação a 2025. A alocação média das carteiras em investimentos sustentáveis é de 31% neste ano, uma leve redução em relação aos 33% anteriores, o que demonstra que pode haver uma desconexão entre as opiniões expressas e o comportamento. Um estudo da KPMG apontou um gap significativo no mercado: enquanto 72% dos executivos entendem a estratégia de sustentabilidade em teoria, apenas 19% quantificam esse impacto financeiro de forma efetiva nas suas empresas.

As expectativas dos investidores quanto aos retornos orientam as alocações de portfólio. Mais de 80% afirmam que os retornos financeiros são um fator-chave para seu interesse em investimentos sustentáveis, e as expectativas de retorno continuam a nortear os planos de alocação. Neste ano, 64% dizem planejar aumentar sua exposição a investimentos sustentáveis, citando confiança no desempenho financeiro. Outros 28% esperam manter as alocações, muitas vezes devido à diversificação, enquanto 5% planejam reduzir a exposição, citando, na maioria dos casos, retornos decepcionantes.

Os interesses temáticos abrangem uma ampla gama de tópicos, ao passo que o “greenwashing” continua sendo uma barreira importante. Um quarto dos entrevistados afirma que seu principal objetivo temático é promover uma combinação de metas ambientais e sociais em seu portfólio, seguido por 15% que apontam a inclusão financeira e a saúde e o bem-estar como suas principais prioridades. Embora quase um terço considere o “greenwashing” uma preocupação muito significativa, mais de três quartos veem as opções de investimento sustentável como um diferencial na escolha de um consultor financeiro.

Dois terços veem maiores oportunidades para investimentos sustentáveis ou de impacto em mercados privados globalmente, 40% dos investidores possuem ativos de mercados privados em suas carteiras atualmente, e outros 34% gostariam de tê-los no futuro. A maioria vê maiores oportunidades para investimentos sustentáveis ou de impacto em mercados privados em comparação aos mercados públicos. Aqueles com maior exposição a investimentos sustentáveis têm maior probabilidade de possuir investimentos em mercados privados atualmente (55%), motivados pela capacidade de investir em inovação, bem como pela diversificação da carteira.

No Brasil, podemos mencionar a pesquisa “Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais”, realizada pela Anbima com o Datafolha, que está em sua quarta edição neste ano de 2026, e traz dados relevantes sobre os aspectos ESG na perspectiva do mercado de capitais.

O estudo, que entrevistou 206 instituições associadas e aderentes, identifica como as casas percebem e integram práticas ESG. Do total, 74% são assets, 11% bancos e 15% outras instituições (corretoras, distribuidoras e securitizadoras).

Os principais resultados mostram que 80% do mercado dá nota acima de 7 para a importância de sustentabilidade; que uma em cada três gestoras pretende estruturar fundos sustentáveis nos próximos 12 meses.

Ativos com avaliação ESG: segue crescendo a parcela das gestoras que tem mais da metade dos ativos sob gestão com avaliação ESG: elas avançaram de 27%, em 2018, para 41% em 2021 e 47% em 2025. Também é possível medir a incorporação do ESG por outro indicador: quatro em cada dez gestoras disseram ter excluído ou deixado de investir em algum papel por questões ESG nos últimos 12 meses. O comportamento é mais comum entre as casas engajadas (56%) e entre as que têm patrimônio acima de R$ 500 milhões (52%).

Tendências: duas em cada três instituições (68%) acreditam que a sustentabilidade ganhará muito mais ou um pouco mais de relevância nos próximos 12 meses, ao passo que 28% acreditam que a importância não vai mudar e apenas 3% creem que o tema perderá um pouco de importância na instituição.

O movimento pode sinalizar uma consolidação da agenda, em que a adesão ao ESG está mais relacionada a um reconhecimento pragmático, ou seja, a um compromisso regulatório, reputacional ou estratégico.

Para identificar e regular os investimentos que possuem mandato focado nessas práticas, a associação possui diretrizes específicas para a identificação de fundos classificados como Investimento Sustentável em sua base. Além disso, a entidade promove o debate contínuo sobre o reporte financeiro e regulação do setor por meio de sua Rede Anbima de Sustentabilidade.

O mercado de fundos sustentáveis no Brasil atingiu a marca de R$ 52 bilhões, englobando mais de 200 fundos, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) os IS (Investimento Sustentável), chegaram a 45,9 bi em patrimônio líquido em abril 2026.

O crescimento é impulsionado principalmente pelo crédito privado e pela renda fixa (74% do total), embora existam opções sólidas em ações e instrumentos como FIAGRO.

O segmento que deve seguir escalando em maturidade institucional e transparência, amplia as possibilidades de forma estruturada a partir de categorias como: O capital é dividido entre Renda Fixa IS, Ações ESG e fundos Multimercado. O desempenho é frequentemente medido por carteiras teóricas como o ISE B3 e o ICO2 B3.

As principais instituições financeiras e plataformas do país oferecem prateleiras dedicadas a esse capital, com opções para diferentes perfis de risco.

Em 2026, o Programa Eco Invest Brasil encontra-se em sua 5ª rodada de leilões, lançada em maio de 2026. O programa já soma mais de R$ 75 bilhões mobilizados, sendo a nova etapa focada em inovação industrial e verde. O recebimento de propostas para esta fase segue aberto até julho de 2026. No 5º Leilão — 2026) o governo espera levantar até R$ 50 bilhões nesta etapa.

Conectando o capital à sustentabilidade: O Eco Invest Brasil é um programa federal do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional que atrai capital privado (nacional e internacional) para financiar a transformação ecológica no país. O programa reduz riscos cambiais e oferece fundos mistificados para projetos de transição energética, bioeconomia e infraestrutura resiliente às mudanças do clima e inovação tecnológica. E seu objetivo é destravar investimentos privados e atrair capital externo para projetos sustentáveis de longo prazo.

Perspectivas de Mercado, Oportunidades Globais e o crescimento de ativos de acordo com a Bloomberg Intelligence, a projeção é que ativos alinhados a objetivos de impacto ultrapassem US$ 40 trilhões até 2030, o que direciona foco para parcerias globais como as articuladas durante a Sustainability Week.

A economia global vive transformações que precisam considerar as mudanças climáticas, a reconfiguração das relações geopolíticas e o avanço tecnológico como vetores que reconfiguram os padrões de produção, comércio e investimento em escala mundial. Nesse complexo cenário, o Brasil pode despontar e assumir o protagonismo na corrida pela energia limpa e garantir até 1,5 ponto percentual na atividade econômica, segundo um estudo “Crescimento liderado pelo investimento na transição ecológica do Brasil”, publicado pelo Instituto de Clima e Sociedade (iCS) e pelo Centre for Economic Transition Expertise (CETEx) da London School of of Economics and Political Science (LSE).

A pesquisa destaca que o Brasil é um dos países com maior potencial para transformar a transição ecológica em uma oportunidade de desenvolvimento econômico, geração de empregos e aumento da produtividade. Em um momento de conflitos globais, crescentes tensões geopolíticas e fragmentação de mercado remodelando as cadeias de suprimentos, o mundo busca reduzir vulnerabilidades e garantir acesso à energia segura, alimentação acessível e rotas de comércio resilientes. É neste cenário, diz o estudo, que o Brasil surge como parceiro estratégico para a estabilização da economia global, comprometido com a agenda climática.

*Onara Lima é fundadora da ESG Advisory. Atua há 23 anos em Gestão Ambiental e Sustentabilidade e trabalhou em empresas como Gerdau, Suzano, Grupo Ambipar e CCR.

Fontes consultadas:

MORGAN STANLEY INSTITUTE FOR SUSTAINABLE INVESTING | 2026 | SUSTAINABLE SIGNALS: INDIVIDUAL INVESTORS 2026

4ª Edição do Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/5o-leilao-eco-invest-pode-levantar-r-50-bilhoes-em-investimentos

https://idbinvest.org/en/sustainability/sustainability-week-2026

https://climaesociedade.org/publicacao/crescimento-liderado-pelo-investimento-na-transicao-ecologica-do-brasil/

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