ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

PepsiCo reduz consumo de água em mais de 50% no Brasil

Companhia alcança a meta de reposição de 100% da água em áreas de alto risco e utiliza o Brasil como laboratório para tecnologias de reuso e agricultura regenerativa.

83% das operações da companhia já reutilizam água ao menos parcialmente, e 72% usam água da chuva (Kevin Carter/Getty Images)

83% das operações da companhia já reutilizam água ao menos parcialmente, e 72% usam água da chuva (Kevin Carter/Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 11 de abril de 2026 às 07h54.

A PepsiCo, fabricante de alimentos e bebidas, vem acelerando mudanças na forma como usa água, em meio à pressão crescente sobre o recurso no mundo.

No Brasil, isso já aparece em um dado forte: a empresa reduziu em 52% o consumo de água na produção desde 2015, chegando a 2,15 litros por quilo de alimento nos últimos anos.

Para alcançar esse resultado, a companhia tem investido principalmente em reuso. Tecnologias como biorreatores de membrana e osmose reversa permitem tratar a água usada nas fábricas e colocá-la de volta no processo produtivo. Em Itu (SP), por exemplo, isso representa uma economia de cerca de 18 milhões de litros por mês.

A unidade ainda trata água residual de outras fábricas e consegue reaproveitar até 700 mil litros por dia.

Esse modelo já foi replicado em outras unidades, como Curitiba (PR) e Sete Lagoas (MG), com a ideia de reduzir tanto a captação de água da rede quanto o descarte de efluentes.

No campo, onde está parte relevante do consumo, a empresa tem incentivado mudanças entre produtores de batata em estados como Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Sistemas de irrigação mais eficientes, como aspersão e miniaspersão, vêm sendo usados em áreas onde o pivô central não funciona bem, reduzindo perdas por evaporação.

Economia hídrica na PepsiCo

Os dados mais recentes mostram algum avanço: na safra 2023/2024, houve redução de 27% no uso de água em etapas como a lavagem da batata em comparação com anos anteriores. Além disso, 83% das operações já reutilizam água ao menos parcialmente, e 72% usam água da chuva.

Há ainda estimativas de que novas tecnologias possam reduzir em até 22% o consumo no cultivo no Sul do país.

No plano global, a empresa atingiu duas metas relevantes antes do prazo: repor toda a água utilizada em unidades próprias em áreas de alto risco hídrico e adotar nessas operações o padrão da Alliance for Water Stewardship (AWS), uma certificação internacional voltada à gestão responsável da água.

Só em 2024, a PepsiCo devolveu mais de 24 bilhões de litros de água a bacias hidrográficas e compensou cerca de 75% do consumo em operações localizadas em regiões mais críticas.

Esses movimentos fazem parte da meta de se tornar “Net Water Positive” até 2030 — ou seja, devolver mais água do que consome em áreas sob maior estresse hídrico.

A estratégia também tem rendido reconhecimento fora da empresa. No relatório Ceres Water Stewardship, a PepsiCo apareceu como líder no setor de bebidas e entre as quatro empresas mais bem colocadas no ranking geral, que avalia como grandes companhias lidam com riscos ligados à água.

Acompanhe tudo sobre:PepsicoCrise da ÁguaAlimentos

Mais de ESG

Gás Verde dribla a Guerra do Irã e mira a maior planta de biometano do mundo

NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS: por que a reciclagem ainda não escala no Brasil?

Fábrica da Mondelēz em Pernambuco será abastecida com biometano da Gás Verde

Petlove investe R$ 22 milhões em ESG e sai na frente no setor pet brasileiro